Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
SABRINA SILVA DOS SANTOS
Coautor(es)
MARIA THALIA DAMASCENO DA SILVA
FRANCO JUAN BRAGA
MARIA RANNIELLY DA SILVA FAUSTINO
MICARLA DA COSTA SOARES
DEUSDETE MAYARA DE OLIVEIRA
INGRID KARLA ALEXANDRE SILVA
KAROLINE SILVA DA COSTA
BRENA JÉSSICA DA SILVA DAMASCENO
ROSANE SILVA DE AMORIM FÉLIX
SABRINA SILVA CRUZ
O município de Icapuí-CE, localizado no litoral leste do Ceará, com cerca de 21 mil habitantes, integrante da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde, apresenta territórios com barreiras geográficas e dispersão populacional, dificultando o acesso oportuno às ações e serviços da Atenção Primária à Saúde (APS). Esse cenário evidenciava vazios assistenciais, baixa cobertura em áreas estratégicas e fragilidade na continuidade do cuidado, especialmente para populações em situação de maior vulnerabilidade. A reorganização do financiamento da Atenção Primária à Saúde (APS), a partir de novos mecanismos de cofinanciamento, tem induzido mudanças no modelo de cuidado e na organização dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, estratégias inovadoras voltadas à ampliação do acesso e à equidade tornam-se fundamentais, especialmente em territórios com barreiras geográficas e sociais. Nesse contexto, no período de agosto a novembro de 2025, as eSF motivados e orientados pela coordenação da APS do município implantou o modelo itinerante da Estratégia Saúde da Família (ESF), vinculado às Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS) por meio das “Caravana da Saúde” “Expresso Saúde” “Joãozinho na comunidade” direcionado a comunidades de difícil acesso. A iniciativa tem como público-alvo populações residentes em áreas rurais, com baixa cobertura assistencial, ausência de Agente Comunitário de Saúde (ACS) e populações com baixa ou nenhuma procura aos serviços das UAPS. A experiência fundamenta-se na necessidade de alinhar financiamento, gestão e práticas assistenciais, fortalecendo a APS como ordenadora do cuidado e coordenadora da rede de atenção à saúde no âmbito do SUS.
Objetivo Geral: Relatar a experiência da atuação da gestão da APS na implementação do modelo itinerante em Icapuí-CE, à luz do novo cofinanciamento, visando à ampliação do acesso. Objetivos Específicos: •Reorganizar o processo de trabalho das equipes a partir do planejamento territorial •Utilizar indicadores para subsidiar a tomada de decisão na APS •Ampliar o acesso por meio da estratégia itinerante em áreas prioritárias •Qualificar a coordenação do cuidado e a integração das equipes
Relato de experiência do modelo itinerante das eSF no município de Icapuí-CE, como estratégia para ampliação do acesso, especialmente em territórios com barreiras geográficas e áreas descobertas. A gestão adotou como diretriz a reorganização do processo de trabalho, incorporando o modelo itinerante como complemento à oferta regular das Unidades de Saúde. As atividades nos territórios tiveram início em maio/2026 por meio das reuniões com Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e demais profissionais das eSF, e-Multi e residentes multiprofissionais que vivenciam o município. Assim, o percurso metodológico iniciou-se com diagnóstico situacional, utilizando dados do e-SUS APS e SIAPS, análise territorial para identificação de vazios assistenciais e priorização de áreas vulneráveis. A partir disso, foram discutidos fluxos assistenciais integrando as equipes e garantindo continuidade do cuidado e ordenação da demanda. Com o entendimento das necessidades dos territórios, bem como a identificação de fragilidades e potencialidades nas equipes, três das dez eSF iniciaram o percurso pelos seus territórios, os quais denominaram de “Caravana da Saúde- UAPS de Barreiras “Expresso Sáude- UAPS de Mutamba “Joãozinho na comunidade” - UAPS João Perdido. As demais unidades, não designaram um nome específico para as suas ações, mas mantiveram a metodologia de percorrer o território. Essa fase no território ocorreu de forma mensal e compreendeu o período de agosto a novembro de 2025. O desenho operacional incluiu a programação de roteiros territoriais, definição de periodicidade das ações e composição das equipes, com organização de agendas compartilhadas. As estratégias contemplaram atendimentos individuais, ações coletivas, visitas domiciliares, preenchimento e atualização de cadastros pelos ACS’s e atividades de promoção à saúde. As etapas de execução compreenderam: planejamento participativo com as equipes pactuação de fluxos e responsabilidades execução das ações itinerantes nos territórios e monitoramento contínuo pela coordenação da APS. Foram utilizados como instrumentos os sistemas de informação Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), SIAPS/E-Gestor APS, planilhas de acompanhamento, painéis de monitoramento e apoio institucional. A operacionalização contou com transporte sanitário e insumos assistenciais. Destacam-se parcerias da população, rede intersetorial, gestão municipal, fundamentais para viabilização logística e fortalecimento das ações no território.
A experiência resultou na ampliação do acesso aos serviços de APS, especialmente em territórios anteriormente descobertos ou com barreiras geográficas. Observou-se aumento no número de atendimentos individuais e coletivos, maior cobertura de cadastro populacional e incremento na realização de procedimentos e ações programáticas. Como indicadores, foram utilizados: número de atendimentos realizados, cobertura de cadastro, proporção de visitas domiciliares, ampliação da oferta de ações coletivas e monitoramento de condições prioritárias. Os impactos assistenciais incluem maior proximidade entre equipes e comunidade, fortalecimento do vínculo e melhoria na continuidade do cuidado. No âmbito gerencial, houve qualificação do planejamento territorial e maior integração entre equipes. Socialmente, destaca-se a redução de iniquidades no acesso. Evidências apontam melhoria na resolutividade da APS, com redução de demandas reprimidas e maior adesão da população às ações ofertadas, reforçando o papel coordenador da APS na rede de atenção.
A implementação do modelo itinerante, impulsionada pelo novo cofinanciamento da APS, demonstrou ser uma estratégia eficaz para ampliação do acesso e redução de desigualdades territoriais em Icapuí-CE. Os resultados evidenciam o alcance dos objetivos propostos, com fortalecimento da capacidade resolutiva da APS e qualificação da gestão do cuidado. Igualmente, como principais aprendizados, destacam-se a importância do planejamento territorial orientado por dados, integração entre equipes e o papel estratégico da coordenação da APS na indução da ampliação do olhar das eSF para seu território, a partir dos seus escores de desempenho, tornando coletivo o modelo de pensar possibilidades no coletivo para a qualificação e melhoria. Recomenda-se a institucionalização do modelo itinerante como prática complementar e sua adaptação a diferentes realidades locais. Ante o exposto, experiência apresenta elevado potencial de replicabilidade em outros municípios, especialmente aqueles com desafios relacionados à dispersão territorial e acesso aos serviços de saúde.