Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Eliziane de Almeida Gomes
Coautor(es)
Raquel Lima Nogueira Sampaio
Raquel Paulino de Sousa
Emanuelle Cristine Rocha Brandao
Goncalves Tomaz Costa
Francisco Bruno Anastácio da Silva
O cuidado em Saúde Mental no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) São Francisco de Assis, em Itaitinga-CE, demanda práticas que ultrapassem a lógica biomédica, valorizando a singularidade dos sujeitos. Nesse contexto, o Projeto Terapêutico Singular (PTS) constitui importante ferramenta para organização do cuidado, sendo construído de forma interdisciplinar e centrada no usuário. A experiência tem como cenário o CAPS do município e como público-alvo usuários em acompanhamento no serviço. A enfermeira, por sua presença contínua e vínculo direto com os pacientes, ocupa posição estratégica, especialmente no momento do acolhimento. Seu olhar ampliado e sensível possibilita a identificação de demandas explícitas e subjetivas, qualificando a escuta e orientando as primeiras intervenções. A iniciativa justifica-se pela necessidade de fortalecer práticas humanizadas e resolutivas na Saúde Mental, evidenciando o papel da enfermagem como elemento disparador do cuidado e da construção compartilhada do PTS.
Geral: Analisar a importância do olhar da enfermagem como dispositivo inicial na construção do Projeto Terapêutico Singular no CAPS. Específicos: * Compreender a contribuição da enfermagem no acolhimento e identificação das demandas * Descrever práticas utilizadas no primeiro contato com o usuário * Analisar a influência desse olhar na construção do PTS * Refletir sobre a importância da escuta qualificada e do vínculo terapêutico * Evidenciar a atuação da enfermagem na articulação do cuidado interdisciplinar.
Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa, realizado no CAPS São Francisco de Assis, em Itaitinga-CE. O percurso metodológico baseou-se na observação das práticas assistenciais da enfermagem, com foco no acolhimento e nas intervenções iniciais junto aos usuários. Foram consideradas atividades do cotidiano do serviço, como escuta inicial, registros em prontuários, participação em reuniões de equipe e construção dos Projetos Terapêuticos Singulares. A análise ocorreu de forma interpretativa, buscando compreender como o olhar da enfermagem contribui para a identificação das necessidades e para o direcionamento do cuidado. O processo envolveu articulação com equipe multiprofissional, favorecendo a construção compartilhada do PTS. Foram respeitados os princípios éticos, com garantia de sigilo e não identificação dos usuários. A experiência valoriza a prática profissional como fonte de produção de conhecimento e qualificação da assistência em Saúde Mental.
Os resultados evidenciam que o olhar da enfermagem exerce papel central na identificação das necessidades dos usuários, especialmente no acolhimento. A escuta qualificada e a observação sensível permitiram captar aspectos além das queixas imediatas, incluindo dimensões emocionais, sociais e familiares. Esse olhar ampliado contribuiu para a construção de Projetos Terapêuticos Singulares mais efetivos e personalizados. Observou-se fortalecimento do vínculo entre profissional e usuário, favorecendo a adesão ao tratamento. Destaca-se também a atuação da enfermagem como mediadora entre usuário e equipe multiprofissional, qualificando a comunicação e o alinhamento das intervenções. Como impacto, verificou-se melhoria na organização do cuidado, maior resolutividade das ações e fortalecimento das práticas humanizadas no serviço.
Conclui-se que o olhar da enfermagem configura-se como dispositivo essencial na construção inicial do Projeto Terapêutico Singular, contribuindo para a qualificação do cuidado em Saúde Mental. A escuta sensível e a observação ampliada possibilitam identificar necessidades não verbalizadas, orientando intervenções mais assertivas. A atuação da enfermagem fortalece o vínculo terapêutico e a integração da equipe, elementos fundamentais para a efetividade do cuidado. A experiência apresenta potencial de replicabilidade em outros serviços, ao destacar a importância do acolhimento qualificado. Contribui para o fortalecimento do SUS ao promover cuidado integral, humanizado e centrado no usuário, reforçando o papel estratégico da enfermagem na Saúde Mental.