Autor(a)
MARIANA LARA SEVERIANO GOMES
Coautor(es)
Mariana
Gomes
Mariana
Gomes
ANTONIA GESSILENE DA SILVA DUARTE
A sífilis caracteriza-se como morbidade infectocontagiosa, que tem como agente etiológico o Treponema pallidum. Trata-se de uma bactéria transmitida à mãe por via sexual, hemotransfusão, contato com lesões mucocutâneas e, ao feto, por via transplacentária, no caso da sífilis congênita (SC). A SC pode ser considerada uma doença de fácil prevenção, mediante o acesso precoce à testagem durante o pré-natal e ao tratamento adequado das gestantes positivas, incluindo o tratamento do parceiro. A sífilis congênita (SC), apesar de ser uma doença passível de prevenção, vem ocupando um lugar de destaque no mundo todo, particularmente em países em desenvolvimento. Entre os fatores de risco que contribuem para que a prevalência de SC se mantenha estão o baixo nível socioeconômico, a baixa escolaridade, promiscuidade sexual e, sobretudo, a falta de adequada assistência pré-natal. No ano de 2023 o município de Meruoca notificou sífilis em 5 gestantes, todas tratadas, porém notificou também uma criança com sífilis congênita.
Mostrar a queda do número de casos de sífilis congênita no Município de Meruoca. Identificar informações importante que devem estar contidas no cartão da gestante. Mostrar a relação entre a qualidade das informações na assistência pré-natal e a diminuição dos casos de Sífilis congênita em Meruoca.
A assistência pré-natal realizada no período gestacional previne inúmeros agravos que podem ocorrer nesse momento, dentre eles sífilis congênita, que vem alcançando números alarmantes em todo o território nacional. A garantia do tratamento e acompanhamento da gestante com sífilis durante o pré-natal é uma responsabilidade da atenção primária a saúde. Além de garantir o tratamento de maneira efetiva, o enfermeiro responsável pela gestante precisa garantir que essas informações do tratamento cheguem até a maternidade onde aquela mulher irá parir. A criação de um cartão de acompanhamento para gestantes que tiveram sífilis durante a gestação se fez necessário para que houvesse uma qualificação dessas informações, a fim de que na maternidade fosse diferenciada a criança que nasce com sífilis congênita e a que foi exposta durante a gestação. O cartão possui informações como: data que o teste de sífilis deu positivo, data do tratamento, titulação de VDRL mensal, dentre outras informações. Esse cartão fica grampeado á caderneta da gestante, em local de fácil visualização.
Durante o ano de 2023 o município de Meruoca notificou 5 gestantes com sífilis, onde todas realizaram o tratamento e tiveram suas informações registradas no cartão da gestante com sífilis, dessas 5 gestante o recém-nascido de apenas uma delas necessitou realizar tratamento para SC. Com a inserção desse cartão na rotina de pré-natal, podemos notar que a proporção do número de crianças com sífilis congênita caiu em relação ao número de gestante com sífilis na gestação, pois a informação estava chegando até a maternidade, e na maternidade os profissionais conseguiam distinguir uma criança exposta á sífilis de uma criança com sífilis congênita. Muitas crianças recebiam o tratamento para SC apenas por serem expostas, pois sem as informações das titulações anteriores da mãe os profissionais não tinham segurança para dar alta ao recém-nascido sem realizar o tratamento. Os seguimentos das crianças expostas e crianças com sífilis congênita são dados na atenção básica após alta hospitalar e encaminhadas para o serviço de referência caso apresentem alterações nos exames de rotina.
Dessa maneira, diminuir o número de crianças com sífilis congênita é uma obrigação de todos que compõem a rede de saúde materno e infantil, iniciando na atenção básica com os pré-natais, diagnostico, tratamento e informações corretas do mesmo até que a criança receba alta das puericulturas. Conseguir manter o diálogo e a troca de informações com atenção primária e atenção terciária, no caso as maternidades, melhora os fluxos de atendimento, otimiza a ocupação de leitos, e diminui os gastos desnecessários. Eliminar a transmissão vertical da sífilis é um desafio que vem sendo implementado nas rotinas diárias do serviço de saúde para que um dia consigamos alcançar a eliminação da sífilis congênita, como preconiza a organização mundial de saúde.