Autor(a)
NAIRA JULIA VASCONCELOS MENEZES
Coautor(es)
LUANDA VASCONCELOS DO NASCIMENTO DUTRA
LUIZA MARIA OLIVEIRA CAVALCANTE
DANIELLE SAMIRA VASCONCELOS ARAUJO
PEDRO HENRIQUE FREITAS SOUSA
EVALDO EUFRASIO VASCONCELOS
ANDREA CARLA BRANDAO VASCONCELOS
Considerando-se que a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e a Diabetes Melitus (DM) são responsáveis pelas principais causas de morte em toda população e o fato de que muitos dos seus fatores de risco são preveníveis, torna-se urgente programar ações de diagnóstico e controle dessas condições nos diferentes níveis de atendimento da rede SUS, especialmente no nível primário de atenção. Dentro da perspectiva da Estratégia Saúde da Família (ESF), aliada a esses riscos têm-se ainda a fragilidade do acompanhamento bem como o cadastro desses usuários, ou seja, percebe-se uma significativa parcela da população que faz uso de medicação para HAS e/ou DM, porém não costumam frequentar os serviços de saúde para o acompanhamento de rotina. Na tentativa de aproximar o cuidado em saúde, a partir da descentralização do atendimento, e tendo como justificativa aumentar a adesão ao tratamento mediante a qualificação do programa de Hiperdia, o presente trabalho traz a experiência de uma equipe da ESF do município de Cruz-CE na promoção de mutirões de saúde enquanto estratégia efetiva de cuidado e garantia de acompanhamento.
GERAL: Realizar mutirões de saúde na comunidade voltados a usuários portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Melitus (DM). ESPECÍFICOS: Detectar pacientes hipertensos e diabéticos sem acompanhamento Aumentar a adesão ao tratamento dos pacientes acompanhados para prevenção de complicações futuras Realizar novos cadastros e atualizar os existentes através da busca ativa.
A equipe de saúde “Sede III” é composta por 1 médica, 1 enfermeira, 1 Técnica de enfermagem e 6 ACS, atuando em uma área com aproximadamente 3006 habitantes cadastrados, que somam uma média de 1100 famílias. A realização dos mutirões na comunidade pela equipe teve início no mês de junho de 2023 e acontece até os dias atuais, com atendimento voltado àqueles pacientes que não frequentavam a UBS por dificuldades no acesso. Acontecendo em diferentes microáreas, os facilitadores têm sido os profissionais da própria equipe, contando também com a participação da equipe multiprofissional (nutricionista, psicólogo e educador físico), que impulsionam rodas de conversas com temas relacionados a alimentação saudável, estímulo a mudança de estilo de vida e cuidados gerais em saúde, prevenção de HAS e DM e como evitar complicações. Na identificação de pacientes com alguma demanda especifica é realizado o encaminhamento para serviços especializados do município. São realizadas ainda ações como: verificação de pressão arterial (PA), glicemia capilar, testagens rápidas para IST (HIV, sífilis, Hepatite B e Hepatite C), avaliação nutricional (aferição do peso, altura, IMC e orientações nutricionais para uma alimentação saudável), verificação da situação vacinal e vacinação. Além disso, ao final de cada encontro há sempre a entrega de folders informativos de saúde, além de um momento de esclarecimento de dúvidas por parte dos usuários com vistas a fortalecer o vínculo com a equipe.
A iniciativa de promover mutirões de saúde dentro do território ocorreu devido ao grande número de doentes crônicos e da demanda crescente de cuidados específicos e encaminhamentos dentro da RAS. Até o mês de janeiro de 2024 já aconteceram 7 encontros, em pontos estratégicos das microáreas adscritas. Ao todo, já foram atendidos 153 pacientes portadores de HAS e DM, e destes, identificou-se 65 que estavam sem acompanhamento. Além disso, segundo os relatórios de atendimento, foram detectados 16 novos casos que deram início ao tratamento. Mudanças no estilo de vida, alimentação e adesão permanente ao uso dos medicamentos culminaram com um maior controle dos níveis pressóricos e glicêmicos. Logo, tal fato deve-se a garantia do acesso proporcionada pelo mutirão, uma vez que a UBS nem sempre é próxima das microáreas acarretando na subnotificação dos cadastros no sistema. Em se tratando disso, a busca ativa proporcionou uma melhoria efetiva na atualização dos cadastros desses usuários e no resgate dos “portadores silenciosos”, ou seja, aqueles que não estavam ainda classificados na base de dados municipal, o que acarretou também na melhoria no alcance da equipe nos indicadores 6 e 7 do Previne Brasil (HAS: 520 cadastrados no Q32022, com 65% atendidos e 546 cadastrados no Q32023 com 71% atendidos/ DM: 298 cadastrados no Q32022 com 67% atendidos e 323 cadastrados no Q32023 com 63% atendidos), cuja meta preconizada pelo Ministério da Saúde em ambos os indicadores é de 50%.
A fim de qualificar o programa de Hiperdia, aliado à necessidade de fomentar o acesso à saúde, os mutirões têm sido uma experiência bem-sucedida de cuidado e aproximação da equipe/população, pois além ser uma boa ferramenta de educação em saúde, tem permitido ainda melhorar a autonomia dos usuários e sua corresponsabilização no cuidado integral à saúde. Além disso, descentralizar o cuidado, levando o SUS para mais perto da comunidade têm resultado em um atendimento efetivo e integral, tanto na diminuição das complicações da HAS e DM, quanto por estimular o reconhecimento de suas possibilidades como um dos principais atores na adoção de hábitos de vida saudável. A promoção de mutirões enquanto tecnologia leve de saúde deve ser reconhecida como estratégia eficaz de cuidado, principalmente quando voltada ao rastreamento de doenças que necessitam de um tratamento contínuo, como a HAS e DM. Recomenda-se que práticas com essa, que aproximam o usuário-serviço, sejam cada vez mais desenvolvidas no âmbito do SUS, pois, uma vez que se adentrando no território, se adquire um olhar mais amplo das condições de saúde da população, possibilitando ações mais pertinentes com a realidade e também mais humanizadas.