Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Nilene Silva Morais
Coautor(es)
Fernando Pimentel
Nina Flor Freire de Sousa
Esta experiência detalha uma estratégia intersetorial de combate ao Aedes aegypti no bairro Parque dos Coqueiros, em Paracuru-CE, nascida da necessidade de romper com a fadiga da comunidade frente aos métodos tradicionais de inspeção. Ao observarmos que o modelo meramente fiscalizatório apresentava sinais de esgotamento, promovemos uma virada de paradigma: transitar da "cultura da punição" para a "cultura da valorização". Unificamos o trabalho de campo das agentes (ACE e ACS) em uma dinâmica de "limpeza premiada", substituindo a notificação pelo incentivo. O diferencial tecnológico foi a certificação dos moradores com mudas de plantas equipadas com QR Codes (Saúde Digital/mHealth), permitindo acesso a áudios personalizados das agentes com orientações de cuidado. A iniciativa converteu o antigo medo da multa em orgulho comunitário e corresponsabilidade territorial.
Geral: Reduzir o Índice de Infestação Predial (IIP) de arboviroses através de uma estratégia de mobilização social baseada em incentivos biológicos e ferramentas de Saúde Digital. Específicos: Erradicar criadouros em 100% dos imóveis da área piloto, substituindo a fiscalização punitiva pela valorização do cidadão. Consolidar a intersetorialidade entre as Secretarias de Saúde e Meio Ambiente via logística de arborização urbana. Fortalecer o vínculo entre profissionais e munícipes através de tecnologias leves-duras (QR Codes), humanizando o atendimento e fomentando a vigilância participativa.
A operacionalização estruturou-se em: Mapeamento e Diagnóstico: Visitas integradas (ACE/ACS) para identificação de riscos em 28 imóveis piloto. Mobilização e Autonomia: Estabelecimento de sete dias para limpeza voluntária pelos moradores, sob a lógica da certificação por mérito. Certificação Digital e Afetiva: Entrega de mudas certificadas com QR Codes. Ao escanear o código, o morador acessava áudios das agentes da microárea com orientações educativas. Recursos e Parcerias: Utilizou-se parceria estratégica com a Secretaria de Meio Ambiente (doação de mudas) e ferramentas de baixo custo (aplicativos de áudio e geradores de QR Code) para gamificação do processo de vigilância. A utilização da voz da agente da própria microárea no QR Code serviu como um elemento de fortalecimento do vínculo e proximidade, rompendo a frieza dos alertas genéricos de saúde pública.
Os principais indicadores e resultados alcançados foram: Indicador de Infestação: Erradicação física de criadouros em 100% dos 28 imóveis monitorados Indicador de Adesão: 100% de aceitação da tecnologia digital (QR Code) pelos moradores participantes. Impacto Social: Fortalecimento do vínculo assistencial e aumento da confiança no serviço público Impacto Gerencial: Consolidação da intersetorialidade, provando a viabilidade de ações de baixo custo, alta resolutividade e grande potencial de replicabilidade. Antes da estratégia, a recusa de entrada nos domicílios era de 55%. Com o 'Quintal Nota 10', a abertura de portas atingiu 100%, eliminando a resistência histórica da comunidade ao trabalho do ACE.
A "Operação Quintal Nota 10" demonstra que a inovação na saúde pública reside na sensibilidade em ressignificar processos. Ao substituir a punição pelo incentivo e afeto, provou-se que a valorização do cidadão é uma ferramenta epidemiológica potente. O uso da Saúde Digital via QR Code modernizou o diálogo entre o SUS e a população, garantindo que os agentes fossem percebidos como promotores de cuidado. Por não exigir investimentos em hardware ou softwares licenciados, a Operação Quintal Nota 10 configura-se como uma tecnologia social de alta escalabilidade para os 184 municípios cearenses. A experiência utilizou exclusivamente recursos ociosos da gestão: mudas do horto municipal (Meio Ambiente) e geradores de QR Code gratuitos, demonstrando eficiência máxima com custo financeiro adicional zero. O projeto deixa como legado um modelo de vigilância participativa replicável e uma gestão intersetorial fortalecida.