Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Francisco Aurigledson Ferreira da Silva
Coautor(es)
Liana Noeme Amaral Santiago
Sara Hellen Alves Lima
Emília Maria Aerre Ferreira
A Atenção Primária à Saúde (APS) é responsável pela coordenação e longitudinalidade do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). As visitas domiciliares representam estratégia fundamental para acompanhamento de usuários acamados, domiciliados ou em situação de vulnerabilidade, favorecendo a prevenção de agravos e a qualificação da atenção. A ausência de critérios clínicos e organizacionais pode comprometer a efetividade dessa ação, gerando desigualdades no acesso e fragilidades no acompanhamento. Para enfrentar esse desafio, uma Unidade Básica de Saúde de Maracanaú-CE implementou, de agosto de 2025 a março de 2026, a reorganização das visitas domiciliares baseada na estratificação de risco, visando equidade, planejamento e qualificação da assistência. A estratégia buscou estabelecer critérios técnicos para priorização de pacientes, promovendo regularidade e maior alinhamento das ações com as necessidades clínicas do público atendido.
OBJETIVO GERAL Implementar um cronograma de visitas domiciliares baseado na estratificação de risco para pacientes acamados ou domiciliados na APS. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Classificar pacientes segundo o nível de risco clínico Definir a periodicidade das visitas conforme a estratificação Organizar o processo de trabalho da equipe, garantindo regularidade e equidade no acompanhamento.
Relato de experiência descritivo desenvolvido pela equipe do Programa Saúde da Família em uma Unidade Básica de Saúde de Maracanaú-CE, no período de agosto de 2025 a março de 2026. Inicialmente, foi realizado diagnóstico situacional, identificando irregularidades nas visitas domiciliares e ausência de critérios técnicos de priorização. Em seguida, implantou-se cronograma estruturado com base na estratificação de risco, considerando comorbidades, doenças crônicas e condições clínicas. Os usuários foram classificados em três níveis: baixo risco (sem comorbidades relevantes), médio risco (até duas comorbidades) e alto risco (três ou mais comorbidades), com periodicidade de acompanhamento de até 60 dias. A estratégia contemplou definição clara das responsabilidades da equipe multiprofissional, organização do fluxo de trabalho e monitoramento contínuo do cronograma, assegurando regularidade e cobertura integral dos pacientes acamados ou domiciliados.
A implementação da estratégia promoveu reorganização significativa do processo de trabalho, com estabelecimento de fluxo assistencial mais equitativo e resolutivo. Todos os 52 pacientes acamados ou domiciliados foram inseridos no cronograma, garantindo cobertura integral. Observou-se regularização das visitas domiciliares, atualização sistemática de prescrições, maior frequência de avaliações clínicas e fortalecimento da atuação multiprofissional. Destaca-se a melhoria do acompanhamento longitudinal, redução de falhas assistenciais previamente identificadas e maior alinhamento das ações às necessidades clínicas dos usuários, evidenciando ganhos em equidade, qualidade e resolutividade da APS.
A estratificação de risco associada à organização do cronograma de visitas domiciliares demonstrou-se eficaz para qualificar o cuidado na APS, promovendo equidade, regularidade e resolutividade. A experiência evidencia potencial de replicabilidade, reforçando a importância do planejamento, organização do trabalho das equipes de saúde e fortalecimento de indicadores assistenciais, especialmente no acompanhamento de pacientes acamados e domiciliados.