Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Elaine Cristina de Ávila do Nascimento
Coautor(es)
Rayana Feitosa Nascimento
Cassia Samiles Cardoso Albuquerque
Maria Lidiane Gomes de Oliveira
Cristiane Santiago Natário Branco
A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel fundamental na organização da rede de atenção materno infantil, sendo responsável pelo acompanhamento longitudinal das gestantes e pela coordenação do cuidado durante o pré-natal. Com respostas positivas ao cuidado quando realizado a captação e reconhecimento da mulher no início da gestação. Nesse contexto, a estratificação de risco gestacional constitui importante ferramenta de gestão do cuidado, permitindo identificar precocemente condições clínicas, obstétricas e sociais que podem impactar a evolução da gestação, possibilitando intervenções oportunas e encaminhamentos adequados dentro da rede de atenção à saúde. A utilização de instrumentos de estratificação favorece a qualificação do acompanhamento pré-natal, contribuindo para o planejamento das ações da equipe, para o monitoramento das gestantes e para a organização do fluxo assistencial entre os diferentes níveis de atenção. Além disso, fortalece a tomada de decisão clínica baseada em critérios previamente estabelecidos, promovendo maior segurança assistencial e melhoria da qualidade do cuidado ofertado. Nesse sentido, estratégias que integrem a estratificação de risco ao processo de trabalho das equipes da Atenção Primária têm potencial para aprimorar a vigilância das gestantes, otimizar o acompanhamento das condições de maior vulnerabilidade e contribuir para a redução de agravos maternos e perinatais. Diante desse cenário, o município de Maracanaú realizou a implantação do instrumento de estratificação de risco gestacional em uma unidade de Atenção Primária à Saúde, com o objetivo de qualificar o acompanhamento pré-natal, destacando as estratégias adotadas para sua implementação e os impactos observados na organização do cuidado às gestantes.
Objetivo geral Relatar a experiência de implantação do instrumento de estratificação de risco gestacional em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde, destacando sua contribuição para a qualificação do acompanhamento pré-natal e aprimoramento da organização do cuidado às gestantes, a partir de monitoramento e gestão do cuidado. Objetivos específicos • Implantar o instrumento de estratificação de risco gestacional como ferramenta de apoio à gestão do cuidado no pré-natal. • Identificar e classificar as gestantes acompanhadas pela unidade segundo critérios de risco gestacional. • Fortalecer o monitoramento das gestantes durante o acompanhamento pré-natal, possibilitando intervenções oportunas. • Organizar o processo de trabalho da equipe de saúde por meio do acompanhamento sistemático das gestantes estratificadas. • Qualificar o acompanhamento do pré-natal.
Trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo sobre a implantação do instrumento de estratificação de risco gestacional em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde do município de Maracanaú, Ceará. Inicialmente, foi realizada uma reunião com os profissionais da equipe de saúde, com a finalidade de sensibilizá-los quanto à importância da estratificação de risco no acompanhamento pré-natal, além de apresentar o instrumento e pactuar o fluxo de implantação no processo de trabalho da unidade. O instrumento de estratificação de risco gestacional adotado na unidade foi construído a partir das orientações contidas na Nota Técnica nº 01, de 08 de março de 2024, publicada pela Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, que orienta a organização da assistência às gestantes na rede de atenção à saúde. A ferramenta contempla três níveis de classificação: risco habitual, risco intermediário e alto risco, considerando critérios relacionados às características individuais e condições sociodemográficas, condições clínicas prévias à gestação e intercorrências clínicas ou obstétricas na gestação atual. Em seguida, realizou-se o levantamento das gestantes adscritas por meio da análise das fichas perinatais e registros das consultas disponíveis no sistema de informação. A partir dessa análise, iniciou-se o preenchimento do instrumento, considerando os dados clínicos e obstétricos registrados e o comparecimento das gestantes às consultas pré natal A classificação foi discutida entre os profissionais das equipes médica e de enfermagem, em consultas compartilhadas, garantindo maior segurança na estratificação inicial. O instrumento passou a ser atualizado nas consultas subsequentes, considerando que a classificação de risco gestacional é dinâmica e pode sofrer alterações ao longo do acompanhamento longitudinal das gestantes. Com processo de implantação ao longo de 20 dias, e engajamento de toda a equipe de saúde. Como estratégia de organização do processo de trabalho, foi implantado um quadro de monitoramento nas salas de atendimento, permitindo a visualização rápida das gestantes classificadas nos diferentes níveis de risco e daquelas encaminhadas conforme os critérios assistenciais da rede de atenção à saúde. Com atualizações mensais das informações, permitindo o acompanhamento contínuo das gestantes e subsidiando a tomada de decisões pela equipe.
A implantação do instrumento de estratificação de risco gestacional possibilitou maior organização do acompanhamento das gestantes pela equipe de saúde, favorecendo a identificação precoce de situações de risco e a adoção de condutas assistenciais mais oportunas. O processo contribuiu para a sistematização das informações relacionadas ao pré-natal, permitindo melhor monitoramento das condições clínicas e obstétricas das gestantes acompanhadas na unidade. A utilização do instrumento também estimulou a atuação integrada entre os profissionais de enfermagem e medicina no acompanhamento pré-natal. A estratificação permitiu a visualização rápida das gestantes classificadas em diferentes níveis de risco, facilitando o planejamento das consultas, o acompanhamento mais próximo dos casos prioritários e a organização dos encaminhamentos para os serviços de referência quando necessário. Outro impacto relevante observado foi o fortalecimento do monitoramento das gestantes por meio da implantação de um quadro de acompanhamento nas salas de atendimento, permitindo a atualização periódica das classificações de risco e a vigilância contínua das gestantes acompanhadas pela equipe a partir de um instrumento visual. Além disso, a estratégia favoreceu maior segurança na tomada de decisões clínicas e ampliou a capacidade de vigilância da equipe sobre as condições que podem interferir na evolução da gestação e organização do processo de trabalho contribuindo para a qualificação do cuidado ofertado no pré-natal. A experiência demonstrou que a incorporação da estratificação de risco ao processo de trabalho da Atenção Primária constitui uma estratégia viável, de fácil implementação e com potencial para fortalecer a organização da assistência pré-natal, promovendo maior resolutividade do cuidado e melhoria na gestão do acompanhamento das gestantes.
A implantação do instrumento de estratificação de risco gestacional demonstrou-se uma estratégia eficaz para qualificar o acompanhamento das gestantes na Atenção Primária à Saúde, contribuindo para a organização do processo de trabalho da equipe e para o fortalecimento do monitoramento clínico durante o pré-natal. A utilização sistemática da ferramenta possibilitou maior visibilidade das condições de risco das gestantes acompanhadas pela unidade, favorecendo a identificação precoce de situações que demandam maior vigilância e intervenções oportunas. Além disso, promoveu maior integração entre os profissionais da equipe, estimulando o trabalho colaborativo entre médicos e enfermeiros na condução do acompanhamento pré-natal. Destaca-se ainda que a estratégia favoreceu a sistematização das informações assistenciais, ampliando a capacidade da equipe em acompanhar a evolução das gestantes e organizar de forma mais eficiente os fluxos de encaminhamento dentro da rede de atenção à saúde. A experiência evidencia que a incorporação da estratificação de risco ao processo de trabalho da Atenção Primária constitui uma ferramenta simples, de fácil implementação e com potencial para fortalecer a gestão do cuidado no pré-natal, podendo ser replicada em outras unidades de saúde como estratégia para qualificação da assistência materno infantil.