Autor(a)
Liana Mara Rocha Teles
Coautor(es)
Helena Ravelly Magalhães Spinosa
Camila Freitas Martins
Kylvia Gardênia Torres Eduardo
Jamilly Sampaio Soares Santos
Mayanara Rocha Teles
As mulheres com deficiência experimentam múltiplos desafios e iniquidades sociais, econômicas e de atenção à saúde, sendo mais suscetíveis a intercorrências na gestação e parto. Especificamente mulheres com deficiência auditiva, a dificuldade concentra-se no processo de comunicação efetiva com os profissionais de saúde que realizam seu acompanhamento. Sendo assim, as Unidades de Saúde de São Gonçalo do Amarante-CE e o Setor de Obstetrícia do Hospital Geral Luiza Alcântara e Silva vêm estabelecendo práticas inclusivas e de acolhimento à gestante com necessidades especiais, desde o pré-natal até o parto.
Descrever a experiência de parto com intérprete de libras para atenção à mulher e esposo com deficiência auditiva, como estratégia de inclusão e humanização do parto e nascimento.
A.S.S.S.L., de 22 anos, casada, G4P2A1, foi acompanhada na Unidade de Atenção Primária à Saúde da Taíba e no pré-natal de alto risco da Policlínica Municipal. Durante todo o acompanhamento pré-natal, ela e seu esposo contaram com uma intérprete de libras, já que os dois possuem deficiência auditiva. No último encontro do Curso Meu Bem Querer, foi realizada visita guiada à maternidade. Ali, foi elaborado um plano de parto para A.S.S.S.L., com a presença da intérprete e do esposo, de forma a proporcionar uma experiência de parto tranquila e positiva. Em 27 de dezembro de 2023, A.S.S.S.L. chegou à emergência obstétrica com 40s1d, tendo indicação de parto cirúrgico. Nesse sentido, o centro cirúrgico foi organizado de forma a receber a parturiente, o esposo e a intérprete. A intérprete auxiliou na comunicação com o anestesista durante a avaliação anestésica, com o cirurgião na orientação dos eventos ao longo do parto, com o pediatra na avaliação do recém-nascido e com a equipe de enfermagem no primeiro contato pele a pele e amamentação. Teve-se o cuidado de informar o que seria realizado antes da equipe intervir, para que ela não fosse surpreendida com os desconfortos inerentes ao procedimento. Assim, tanto a parturiente quanto o esposo ficavam cientes de todos os procedimentos realizados e orientações repassadas. A intérprete também era uma interlocutora das dores, dúvidas e necessidades da parturiente e do esposo.
A experiência mostrou a importância de um parto inclusivo, o qual foi planejado ainda durante o pré-natal. A puérpera, que já teve outros dois filhos, relatou que a presença da intérprete foi fundamental para ter um parto mais tranquilo, já que conseguiu entender todas as informações repassadas pela equipe e, principalmente, de ser compreendida. Relatou ainda como essa experiência trouxe uma visão positiva do parto, já que nos outros dois partos se sentiu sozinha e insegura, alheia ao que estava acontecendo e sem oportunidade de se manifestar. A experiência também trouxe grande emoção para a equipe de profissionais de saúde do centro cirúrgico e do alojamento conjunto, motivando-os a continuar desenvolvendo estratégias para promover a inclusão e humanização do parto e nascimento, tentando atender a mulher em sua integralidade.
Essa experiência reflete a importância dos serviços de saúde se adequarem às necessidades das pessoas com deficiência. Especificamente na atenção ao parto, isso é possível através de um vínculo longitudinal da gestante com a maternidade, desde o pré-natal, com uma visita guiada e elaboração de um plano de parto de maneira conjunta. Dessa forma, a equipe estará preparada para receber a gestante e acompanhante de escolha de maneira inclusiva e humanizada, atendendo-os na sua integralidade.