Autor(a)
ANA MEIRE BATISTA
Coautor(es)
MARIA LUCIA BESSA DA SILVEIRA
ANA CAROLINE LIMA SOUSA
ANTONIA DA SILVA DE SOUSA
ANA JÉSSICA PINHEIRO ABREU PONTE
AURISVÂNIA RODRIGUES DA SILVA
CAIO JOSÉ FLORÊNCIO DOS ANJOS
DÉBORA GADELHA FERREIRA
CLÁUDIA MARIA LIMA SILVA
AMAURILIO OLIVEIRA NOGUEIRA
O conceito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é definido pela Portaria nº 466 do Ministério da Saúde como o ambiente que se compõem de um conjunto de elementos destinados à realização da assistência intensiva de uma equipe multidisciplinar dispensados aos pacientes graves ou de risco que exijam assistência ininterrupta, além de equipamentos especializados. O município de Eusébio no estado do Ceará, localizado na Região metropolitana de Fortaleza, possui 79 km² de área territorial e uma população estimada em 74,170 habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022. Durante o contexto pandêmico a prefeitura municipal criou uma UTI para atender casos de Covid-19, inaugurada no dia 22 de fevereiro de 2022, a qual, posteriormente com a redução dos casos, foi transformada em uma UTI para casos gerais com 10 leitos e seis de Cuidados Intensivos (UCI).
Identificar o perfil socio demográfico e clínico de uma nova unidade de terapia intensiva adulto localizada no município de Eusébio do estado do Ceará.
Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, quantitativo, realizado na UTI do hospital municipal Doutor Amadeu Sá do município de Eusébio no estado do Ceará. Foram incluídos no estudo todos os pacientes admitidos entre janeiro de 2023 e dezembro de 2023, internados por período igual ou superior a 24 horas. Os dados coletados do prontuário eletrônico dos pacientes, utilizando-se instrumento construído a partir das informações contidas no histórico de enfermagem, para registro das variáveis sociodemográficas. Os dados foram registrados em planilha Excel 2021 e analisados estatística simples e descritiva para todos os dados coletados.
No período entre 01 de janeiro de 2023 e 31 de dezembro de 2023 foram admitidos um total de 423 pacientes no serviço de terapia intensiva (UTI e UCI), dividindo-se entre 253 na UTI e 190 no setor de UCI com uma taxa de ocupação de 81,45% e 74,83%, respectivamente, para os dois setores. Outro fator característico do serviço é a taxa de permanência que na UTI chega aos 13,17 e na UCI 9,09 dias. Observou-se que expressivamente um total de usuários com idade entre 50 (19,76%) 60 e 69 anos, 68 (26,87%) 70 a 79 anos e 49 (19,36%) 80 a 89 anos que compõe a grande maioria dos admitidos no serviço. Com relação a UCI observamos um padrão similar de faixa etária quando comparado com a UTI, pois identifica-se que na UCI um total de 35 (18,42%) com idade entre 60 e 69 anos, 39 (20,52%) 70 a 79, 49 (25,78%) 80 a 89 anos de idade admitidos no setor. Com relação a mortalidade institucional observamos 29,16% para óbitos que ocorreram após 24 horas de internação e mortalidade geral 30,91% e para a UCI a mortalidade institucional chegou a 9,91% e mortalidade institucional 8,50% no período de um ano. Outro dado característico que caracteriza a UTI é com relação aos usuários em terapia dialítica. Segundo o levantamento identificamos 107 pacientes dialíticos admitidos na UTI, representam, 25.30% do total de admissões e 110 com parecer e acompanhamento do serviço de nefrologia sem indicação de hemodiálise, representando, 26% do total de pacientes admitidos no serviço de terapia intensiva.
O perfil socio demográfico e clínico dos usuários admitidos no serviço aponta uma maior faixa etária de idade dentre os admitidos que estes apresentavam, em sua maioria, um estado geral grave de saúde, os quais pelo menos 25% do total de admitidos tem indicação de terapia dialítica. Entretanto, o tempo de internação encontrado foi superior ao padrão descrito na literatura, o que contribui ao desfecho desfavorável, pois pelo menos 30% do total da população estudada foi a óbito durante a hospitalização. Espera-se que, com esse estudo, possamos elencar discussões sobre mortalidade e processos que possam contribuir para uma melhor assistência população. Um dos entraves que podemos citar foi a ausência de dados suficientes para o cálculo da mortalidade prevista. Compreendemos a necessidade de tal dado para refutar todos os dados brutos analisados, porém como meta para melhoria da assistência prestada no serviço e fomentar discussões da equipe multiprofissional focadas no processo em andamento será a captação dos dados necessários e a utilização de índices prognósticos.