Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Michelle Santiago Montenegro
Coautor(es)
Francisca Edinalda Lima dos Santos Veloso
Raynan de Andrade Monteiro
Francisco Romão da Silva Neto
Wilkson Carlos Lima Queiroz
Riksberg Leite Cabral
O Programa de Órtese, Prótese e Meios Auxiliares de Locomoção foi implantado em 2009 no Hospital Municipal e, em 2013, transferido para o Centro Integrado de Reabilitação. Em Maracanaú, o Centro de Distribuição conta com diretor, assistente administrativa, médico ortopedista, duas assistentes sociais e dois fisioterapeutas. A atuação integrada desses profissionais é essencial para garantir o direito à saúde, autonomia e inclusão das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, por meio do acesso gratuito a dispositivos ofertados pelo SUS. Órteses auxiliam ou corrigem funções corporais próteses substituem total ou parcialmente membros comprometidos. Esses dispositivos ampliam independência e participação social. No programa, o ortopedista realiza avaliação clínica, define o dispositivo adequado e acompanha a evolução do paciente. As assistentes sociais fazem acolhimento, avaliação socioeconômica, estudo social, parecer técnico e encaminhamentos, fortalecendo a rede de proteção. Os fisioterapeutas avaliam mobilidade, função física, realizam medições, orientam o uso dos equipamentos e participam de visitas domiciliares. A assistente administrativa organiza fluxos, documentação, agendamentos e distribuições dos dispositivos, facilitando a comunicação interna. A diretoria coordena logística, supervisiona a equipe, define normas, acompanha processos licitatórios e garante a concessão adequada dos equipamentos. A integração entre os profissionais assegura atendimento humanizado, eficiente e centrado nas necessidades do usuário, promovendo reabilitação, autonomia e melhoria da qualidade de vida. Dessa forma, Maracanaú reafirma seu compromisso com inclusão, equidade e cuidado especializado às pessoas com deficiência.
Objetivo Geral: Descrever a atuação da equipe multiprofissional no Programa de Órtese e Prótese e Meios Auxiliares de Locomoção, destacando como a integração entre profissionais contribui para a reabilitação, inclusão social e promoção da qualidade de vida dos usuários. Objetivos Específicos • Identificar as funções e responsabilidades de cada profissional da equipe multiprofissional envolvido no programa • Descrever os procedimentos utilizados para avaliação, prescrição e concessão de órteses e próteses • Fortalecer a resolutividade do serviço por meio da integração efetiva da equipe multidisciplinar, reduzindo entraves burocráticos e qualificando o processo de concessão dos dispositivos.
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem descritiva, realizada a partir da análise da equipe multiprofissional no Programa de Órtese e Prótese, desenvolvido no Centro Integrado de Reabilitação (CIRM), no município de Maracanaú, no âmbito do Sistema Único de Saúde. A escolha da abordagem qualitativa possibilitou compreender, de forma aprofundada, a dinâmica do atendimento e a prática multiprofissional no contexto institucional. A pesquisa teve como base a observação da rotina do serviço, bem como a análise do fluxo de atendimento estabelecido pelo programa. O Programa de Órtese e Prótese no Centro Integrado de Reabilitação de Maracanaú - CIRM segue um fluxo organizado para garantir o acesso dos usuários ao equipamento. Inicialmente, o usuário passa pelo atendimento na unidade básica de saúde do seu território, mesmo advindo de unidades de atenção especializada do Estado. Ao chegar no CIRM, o usuário/família realiza a abertura de prontuário na unidade, onde é identificado se a demanda corresponde ao catálogo de órtese e prótese e meios auxiliares de locomoção disponibilizados pelo município, além da identificação de outras demandas biopsicossociais(reabilitação motora, psicólogo, nutricionista, etc), o usuário será assistido numa perspectiva de um cuidado integral. Em seguida, passa por acolhimento da equipe multiprofissional, finalizando com avaliação médica, formalizando a entrada no processo de concessão do equipamento. Nos casos em que o paciente é idoso e/ou acamado, com mobilidade reduzida ou obeso, impossibilitado de comparecer à unidade, é realizada visita domiciliar pela assistente social em conjunto com o fisioterapeuta. Essa estratégia assegura avaliação adequada, mantendo as intervenções do cuidado integrado, conforme a realidade social e as condições físicas do usuário, garantindo equidade no acesso ao serviço. A análise das informações ocorreu de forma interpretativa, articulando a prática observada com os referenciais teóricos e legais que fundamentam o exercício profissional, evidenciando a importância da equipe multiprofissional na efetivação do direito à reabilitação e à inclusão social.
A atuação articulada da equipe multidisciplinar no Programa de Órtese e Prótese evidenciou avanços significativos na organização do fluxo de atendimento, na ampliação do acesso e na efetivação do direito à reabilitação. A integração da equipe multidisciplinar fortaleceu a resolutividade do serviço e reduziu entraves burocráticos no processo de concessão dos equipamentos. O médico ortopedista desempenhou papel central na avaliação clínica especializada, identificando de forma criteriosa a necessidade do uso de órteses ou próteses e Meios Auxiliares de Locomoção, bem como definindo o tipo mais adequado a cada caso. O serviço social destacou-se no acompanhamento aos usuários, garantindo orientação quanto aos direitos, organização documental e mediação entre usuário, família e rede dos direitos a pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. A realização de visitas domiciliares, em conjunto com o fisioterapeuta, ampliou o acesso de pessoas em situação de maior vulnerabilidade social, assegurando equidade no atendimento. O fisioterapeuta contribuiu tanto na avaliação funcional quanto no acompanhamento pós-concessão, orientando quanto ao uso adequado do dispositivo, promovendo adaptação funcional e prevenindo agravos. Observou-se melhora na mobilidade, na autonomia e na qualidade de vida dos usuários. A assistente administrativa exerceu papel fundamental na organização dos prontuários, no controle das solicitações e no monitoramento dos prazos, garantindo maior agilidade e transparência ao processo. Já a direção da unidade atuou no fortalecimento da gestão, viabilizando recursos, articulando parcerias e assegurando condições estruturais para o funcionamento do programa. De forma integrada, a equipe multidisciplinar promoveu maior eficiência no fluxo de atendimento, redução do tempo de espera, ampliação do acesso e fortalecimento do cuidado centrado no usuário, consolidando o programa como estratégia efetiva de reabilitação e inclusão social.
A análise do Programa de Órtese e Prótese e Meios Auxiliares de Locomoção evidencia que a atuação integrada da equipe multidisciplinar é fundamental para a efetivação do direito à reabilitação no âmbito do SUS. A articulação entre médico ortopedista, assistente social, fisioterapeuta, diretoria e apoio administrativo fortalece o fluxo de atendimento, amplia o acesso e garante maior resolutividade às demandas dos usuários. Observa-se que o trabalho colaborativo favorece não apenas a concessão do equipamento, mas também o acompanhamento, a orientação quanto ao uso e a consideração das condições sociais e funcionais de cada pessoa. As visitas domiciliares e o suporte técnico evidenciam compromisso com a equidade e o cuidado integral. Sob o conceito ampliado de saúde, entendido como bem-estar físico, mental e social, essas ações promovem autonomia, inclusão e qualidade de vida, fortalecendo uma prática humanizada e centrada no usuário. Conclui-se que o programa consolida-se como estratégia essencial para a promoção da autonomia, da mobilidade e da inclusão social, reafirmando a importância da atuação interdisciplinar e da gestão comprometida com a qualidade do serviço público de saúde.