Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
GISELE MENDES DA SILVA
Coautor(es)
DÊNIAR CRYSLENE DE SOUSA AIRES
SHEYLA VIEIRA PAULINO
FRANCISCO RAMON RAMOS DE OLIVEIRA
A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) foi pensada para estruturar-se em todos os níveis de atenção, mas sua ênfase está na Atenção Básica, principal locus de implementação e fortalecimento da política. AB. Embora seja ainda um desafio, as iniciativas avançam nos últimos anos, sobretudo com a qualificação em PICs dos profissionais que estão na ponta dos serviços. Neste sentido este relato traz a experiência de cuidado com a Auriculoterapia e Reiki em uma UBASF em Guaiuba,CE. As práticas iniciaram em janeiro de 2021, mas ficaram suspensas em período de alta transmissão da COVID-19, retornando as atividades em agosto de 2021.
Ampliar a oferta de práticas de cuidado humanizado e integral como recurso terapêutico na Atenção Primária, por meio de Práticas Integrativas e Complementares, com ênfase na prevenção, promoção e recuperação da saúde.
A experiência foi desenvolvida pela profissional enfermeira do serviço, com formação em Reiki e Auriculoterapia. Atualmente acontece também acolhimento coletivo antes dos atendimentos individuais, uma dinâmica que foi se construindo a partir de sugestões dos próprios usuários. Na primeira sessão é realizada anamnese (coleta de elementos de identificação do usuário, rotina, dieta, sono, uso de medicamentos, historia de doença atual, aspectos físicos e emocionais, principal queixa) e exame físico do pavilhão auricular. Após avaliação, são aplicados os pontos da auriculoterapia, utilizando sementes de mostarda. Para os atendimentos do Reiki, na primeira consulta é realizada a anamnese, abertura de prontuário e iniciado a sessão. Para a aplicação do Reiki a terapeuta faz uso da aromaterapia, musicoterapia e cromoterapia. Após sessão de cada prática, o usuário já sai com o próximo agendamento.
Entre agosto a dezembro de 2021 foram realizados 82 atendimentos em Auriculoterapia e 32 em Reiki na UBASF. As práticas também foram ofertadas ao longo do ano em atividades intersetoriais, como nas campanhas temáticas, realizadas em espaços públicos da cidade. Identificou-se: procura e aceitação positiva dos usuários pelas práticas ofertadas maior vinculação dos usuários com o serviço resolubilidade das queixas ampliação de oferta de cuidado humanizado e integral. O trabalho realizado vem se tornando uma referência em PICs no município. De forma a ampliar o acesso, recebe também usuários encaminhados por outras UBS, pelo CAPS, bem como por outras redes intersetoriais. É importante destacar que as principais demandas que chegaram para atendimento referiam-se às de saúde mental, tais como ansiedade, insônia, estresse, e logo após, as dores musculoesqueléticas. E principais públicos atendidos são usuários de saúde mental, pessoas com hipertensão e trabalhadores de saúde.
A experiência apresenta um modelo que amplia o acesso e a qualidade do cuidado na APS, reorientando práticas e perspectivas fragmentadas e medicalizantes. Os cuidados em PICs vêm articulando os próprios princípios da APS, sobretudo a integralidade do cuidado. A visão holística sobre o usuário, permite também um cuidado que considere a pessoa em seu todo, uma forma de cuidar centrada no usuário, e que favorece a criação de vínculos efetivos na relação profissional-usuário.