Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Vanessa Ricardo da Silva
Coautor(es)
Ana Paula Lima de Aguiar
Cristiane Santiago Branco
Ana Cristina de Castro e Silva
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) permanecem como importante problema de saúde pública, com repercussões relevantes na saúde individual e coletiva, podendo ocasionar infertilidade, complicações crônicas, transmissão vertical e maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV. Tais agravos exigem respostas oportunas e articuladas dos serviços de saúde, envolvendo ações de promoção, prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento contínuo. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS), como porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenha papel estratégico no enfrentamento das IST, por sua capilaridade territorial, proximidade com a comunidade e capacidade de coordenar o cuidado em rede. Inserido nesse cenário, o enfermeiro destaca-se como profissional central na organização e execução das ações de saúde, atuando de forma resolutiva, humanizada e integrada. Nas 28 Unidades de Saúde da Família (USF) do município de Maracanaú-CE, o enfermeiro assume protagonismo na condução de ações voltadas à promoção da saúde sexual e reprodutiva, prevenção combinada, ampliação da testagem rápida, diagnóstico precoce, tratamento oportuno, vigilância e educação em saúde, fortalecendo o acesso, o vínculo e a integralidade do cuidado à população
Objetivo Geral Relatar a experiência das Unidades de Saúde da Família do município de Maracanaú-CE quanto à atuação do enfermeiro na promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Objetivos Específicos • Descrever as estratégias desenvolvidas pelos enfermeiros das USF para promoção da saúde sexual e prevenção das IST no território • Evidenciar a ampliação do acesso à testagem rápida em livre demanda como ferramenta para diagnóstico precoce e tratamento oportuno • Apresentar as ações educativas individuais, coletivas e extramuros realizadas no município, voltadas à prevenção e ao autocuidado • Destacar o papel do enfermeiro na organização do processo de trabalho, na notificação compulsória e no acompanhamento longitudinal dos usuários com IST
Trata-se de um relato de experiência, com abordagem quantitativa, desenvolvido nas 28 Unidades de Saúde da Família do município de Maracanaú-CE, no ano de 2025, a partir das ações realizadas pelos enfermeiros no âmbito da Atenção Primária à Saúde voltadas à prevenção e ao cuidado das Infecções Sexualmente Transmissíveis. A atuação do enfermeiro incluiu acolhimento qualificado, aconselhamento, oferta de testes rápidos em livre demanda, solicitação de exames laboratoriais conforme protocolos vigentes, tratamento oportuno, notificação compulsória dos casos e acompanhamento longitudinal dos usuários. Também foram desenvolvidas ações educativas individuais e coletivas, com orientações em salas de espera, palestras para grupos com gestantes, adolescentes e pessoas com condições crônicas , campanhas mensais de prevenção, atividades extramuros em empresas do município e realização do “Dia D” de prevenção ginecológica, ampliando o acesso aos serviços e fortalecendo a educação em saúde. No ano de 2025, foram realizados no município 8.762 testes rápidos para HIV, com 23 resultados positivos 8.187 testes para sífilis, com 71 resultados positivos 10.288 testes para hepatite B, com 2 resultados positivos e 10.017 testes para hepatite C, com 6 resultados positivos, conforme base de dados estadual. Esses dados expressam a magnitude das ações de rastreamento desenvolvidas na APS e evidenciam a capacidade de resposta do município na detecção precoce e no manejo oportuno das IST.
A experiência evidenciou que a atuação do enfermeiro nas USF de Maracanaú constitui elemento estratégico para o fortalecimento da prevenção, do rastreamento e do manejo das IST na APS. A ampliação da oferta de testagem rápida em livre demanda favoreceu o diagnóstico precoce, o início oportuno do tratamento e a interrupção de cadeias de transmissão, qualificando a resposta assistencial no território. As ações educativas realizadas nas unidades e em espaços extramuros ampliaram o acesso à informação, fortaleceram o vínculo entre equipe e comunidade e estimularam o autocuidado, a redução de vulnerabilidades e a busca ativa pelos serviços de saúde. Estratégias como orientações em salas de espera, palestras temáticas, ações em empresas e a realização do “Dia D” de prevenção ginecológica contribuíram para maior alcance populacional, ampliação do acesso aos exames preventivos e fortalecimento das práticas de promoção da saúde sexual e reprodutiva. Além disso, o protagonismo do enfermeiro na organização dos fluxos assistenciais, no acolhimento, na condução clínica inicial, na notificação compulsória e no acompanhamento longitudinal dos casos evidenciou sua relevância para a qualificação da assistência e para o fortalecimento da vigilância em saúde no âmbito da APS. A experiência demonstrou ainda maior capilaridade das ações preventivas e ampliação da resolutividade das USF frente às demandas relacionadas às IST.
A experiência das Unidades de Saúde da Família de Maracanaú-CE evidencia que o enfermeiro ocupa papel central e estratégico na prevenção das IST na Atenção Primária à Saúde. Sua atuação integrada, envolvendo acolhimento, educação em saúde, rastreamento, diagnóstico precoce, tratamento oportuno, notificação e vigilância, fortalece a integralidade do cuidado, amplia o acesso da população aos serviços e contribui para respostas mais resolutivas no território. As estratégias implementadas qualificaram o processo de trabalho das equipes, favoreceram a detecção precoce de casos, fortaleceram o vínculo com a comunidade e consolidaram a APS como espaço privilegiado para promoção da saúde sexual e prevenção de agravos. Trata-se de uma experiência exitosa, com potencial de replicabilidade em outros territórios, reforçando o protagonismo da enfermagem como eixo estruturante do cuidado e da organização das ações de saúde no SUS. Essas práticas fortalecem a prevenção, ampliam o acesso da comunidade aos serviços de saúde e reforçam a importância do enfermeiro como agente de transformação na saúde coletiva, evidenciando que a integração de estratégias assistenciais e educativas é fundamental para a redução da transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis e para a melhoria geral da qualidade de vida da população atendida.