Autor(a)
Ana Paula Agostinho Alencar
Coautor(es)
Dulcineia Carlos Garcia
Mykaella Maria da Silva Nunes
Valquíria Januário Mendes
Sayonara Lima de Alencar
Clara Saionara de Brito Francelino Neri
O programa saúde da escola criado em 2007, possibilita a promoção da saúde em ambientes escolares sobre temáticas diversificadas, dentre elas a saúde sexual e reprodutiva. Este programa está ligado a atenção primária a saúde e proporciona principalmente aos adolescentes a oportunidade de esclarecer e quebrar tabus sobre saúde sexual e reprodutiva. A adolescência é uma fase da vida que ultrapassa a questão meramente cronológica e caracteriza-se como uma fase de mudanças físicas, biológicas e emocionais. É um período singular da vida humana. A busca para esclarecimento de dúvidas é constante. Assim, o ser adolescente passa por mudanças e enfrentamentos que podem repercutir a vida toda, as relações sexuais parecem começar cada vez mais cedo e junto a esta prática o risco aumentado da gravidez na adolescência e de infecções sexualmente transmissíveis como a do vírus HIV/AIDS, desse modo é fundamental uma saúde sexual nesta etapa da vida. A educação em saúde é uma ferramenta potente utilizada para dialogo, quebra de tabus e orientação à adolescentes sobre a saúde sexual e reprodutiva. Diante desta problemática justifica-se a escolha e relevância da temática.
Objetivo geral •Relatar a experiência de práticas de educação em saúde para adolescentes, sobre saúde sexual e reprodutiva, realizada por um integrante do Programa Saúde na Escola. Objetivos específicos •Descrever o modo escolhido para as atividades educativas •Apresentar o número de ações desenvolvidas e adolescentes participantes.
Relato de experiência, descritivo, realizado na cidade de Araripe-Ceará em escolas públicas de ensino fundamental II, para adolescentes meninas e meninos, por uma enfermeira representante do programa Saúde na Escola entre os meses de março a novembro de 2023. Foram desenvolvidas oficinas através da identificação sinalizada por gestores e professores escolar, por meio de oficio à secretária de saúde, após momento de apresentação do PSE para a educação. O modelo pedagógico implementado baseou-se na educação problematizadora de Paulo Freire, sustentada pela metodologia participativa e dialogada que favorece uma relação crítica e transformadora dos indivíduos envolvidos. As oficinas foram desenvolvidas de forma dinâmica a partir de explanações, atividades lúdicas, reflexões e verbalizações, com caixinhas de perguntas. Como recursos didáticos foram utilizados figuras, cartazes, músicas, fotos, microcomputador, datashow, demonstração de métodos contraceptivos e desenhos a fim de prender a atenção dos adolescentes e de transformar a conversa formal em algo divertido e de fácil entendimento, proporcionando o esclarecimento das principais dúvidas. Ao todo, foram realizadas 20 oficinas em 15 escolas públicas, participaram das oficinas em média 500 adolescentes entre 10 e 17 anos de idade, do 6º ao 9º ano, sendo a maioria do sexo feminino.
Foram realizadas 20 oficinas, em 15 escolas públicas (57%), por meio de demandas sinalizadas pelas próprias escolas. Foi conquistado adesão de em média 500 alunos adolescentes durante todas as oficinas. As escolas onde foram realizadas as atividades possuem área de cobertura pela atenção primária à saúde e aderidas ao Programa Saúde na Escola. Em cada oficina participaram em média 20 a 25 adolescentes com prevalência do gênero feminino (conforme matricula dos escolares) diferente em apenas duas atividades que se deram em uma quadra escolar com 60 adolescentes em cada uma da atividade. A participação efetiva e prática nas oficinas se dividiu de forma homogênea entre os gêneros, demonstrando a importância e o interesse do tema saúde sexual e reprodutiva nesse cenário. Pode-se notar que as idades dos alunos foram variadas devido ao grande número de turmas que se fizeram presentes. A etapa mais participativa foi nos esclarecimentos de dúvidas, com a didática de mitos e verdades e distribuição de caixinhas de perguntas, não identificadas, no dia anterior a atividade na escola que seria realizado. Foi visto que os adolescentes se sentiam mais à vontade quando não eram identificados.
Percebeu-se nesta vivência a importância da educação em saúde sexual e reprodutiva como instrumento de promoção e prevenção de agravos tais como gravidez na adolescência, e infecções sexualmente transmissíveis. Foi evidenciado através das perguntas, muitas dúvidas classificadas como tabus na sociedade, as quais foram possíveis dialogar e esclarecera-las com uma linguagem acessível aos adolescentes e em ambiente seguro, o ambiente escolar, por meio do PSE. Sabe-se da possibilidade de afetividade no ambiente escolar, e o papel que a escola e a saúde tem quanto a promoção de uma saúde sexual e reprodutiva para estes adolescentes, ajudando-os a identificar riscos, e desenvolver um planejamento de vida. Conclui-se que o programa saúde na escola é essencial para a promoção sexual e reprodutiva de adolescentes, proporcionando melhor qualidade de vida a estes adolescentes através de diálogos e informações essenciais nesta fase da vida, bem como a quebra de tabus estabelecendo segurança e conhecimento para estes adolescentes.