Autor(a)
Renata Barros Gadelha
Coautor(es)
Francisca Sandra Bessa Pinheiro
Deolino Júnior Ibiapina
Samanta Daisy de Oliveira Holanda
Milena de Holanda Mendes
Thalita Soares Rimes
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) delimita adolescentes entre 12 e 18 anos, 11 meses e 29 dias. A adolescência é caracterizada por mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais, constituindo-se em importante momento para a adoção de novas práticas, comportamentos e ganho de autonomia. A população de Limoeiro do Norte, conforme dados do DataSUS/Tabnet é de 59.890 sendo 8.422 na faixa etária de 10 a 19 anos, desses 4.102 são do sexo feminino (Abril/2022). Segundo a série histórica de gravidez na adolescência no município: ocorreu queda da proporção de gravidez na adolescência, até o ano de 2020 com uma pequena ascensão do número de casos em 2021, conforme analisado a seguir: 2017-13,6% 2018- 13,3% 2019-11,5% 2020-9,71% 2021-10,1%. Em relação ao ano de 2022, o banco de dados ainda não está fechado, porém é possível observar um aumento do número de casos, comparado ao mesmo período do ano anterior, com 60 nascidos vivos de mães adolescentes na faixa etária de 10 a 19 anos. Dessa forma, o projeto AEPPV é uma proposta da Secretaria Municipal de Saúde em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Escola Profissionalizante Lúcia Baltazar e tem como objetivo fortalecer as ações voltadas para a saúde do adolescente principalmente a saúde sexual e reprodutiva com ênfase na prevenção da gravidez e nas Infecções Sexualmente Transmissíveis.
Prevenir a gravidez na adolescência, ISTs/Aids, uso indevido de drogas licitas e ilícitas e a automutilação Ampliar o conhecimento do adolescente/educando para tornarem-se multiplicadores na Comunidade Escolar Prevenir o preconceito e a discriminação quanto a identidade de gêneros.
Trata-se de um relato de experiência, que acontece no município de Limoeiro do Norte, com início em Julho de 2022 em vigência até a presente data. O projeto foi realizado em 02 escolas, com 199 adolescentes entrevistados por meio do questionário estruturado. Além disso, 06 oficinas foram realizadas com os adolescentes sendo: uma oficina na UBS, duas oficinas para alunos do ensino fundamental e três oficinas para o ensino médio. As oficinas trabalharam de forma lúdica e dinâmica a temática sexualidade.
O projeto foi desenvolvido da seguinte forma: Apresentação do projeto nas escolas municipais e estaduais Pactuação dos encontros Rodas de conversas e palestras com os pais sobre saúde sexual e reprodutiva e com os adolescente para levantar expectativas e valores referentes à sexualidade Palestras junto aos adolescentes e professores sobre a prevenção da gravidez na adolescência e as ISTs Implantação do dia D do adolescente nas UBS para atendimento exclusivo a esse grupo. Percebeu-se que os resultados nos apresentaram pais mais sensibilizados para os impactos sociais da gravidez precoce para o (a) adolescente e sua família e conscientes da concepção de que trabalhar o tema educação sexual não incentiva o início da atividade sexual por parte dos adolescentes. Em relação aos adolescentes, percebeu-se jovens com um comportamento responsável no que se refere ao sexo seguro, à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), consumo de álcool, drogas e outras substâncias tóxicas que causam dependências, e a importância do adiamento do início da atividade sexual.
O AEPPV trata-se de uma pratica exitosa, tendo em vista a construção de um trabalho longitudinal com os adolescentes, professores e seus responsáveis legais. Além de ouvir, o público alvo também foi escutado, e a cada oficina, novas propostas de discussão eram pautadas, para além das demandas já programadas. A proposta do projeto é que ele seja replicado em todas as escolas municipais e estaduais, tendo em vista que o projeto piloto foi um sucesso. Um cronograma de reunião com as escolas será realizado no início do ano, para apresentação do projeto e pactuação das datas de execução. Importante informar que trata-se de um projeto de baixo custo, com uso de tecnologias leves, e que trabalha dentro da mesma proposta atores importantes para a redução da gravidez na adolescência, como os professores, os responsáveis e os adolescentes. O projeto antes de ser iniciado foi apresentado ao Conselho Municipal de Saúde com construção de plano de trabalho específico. DEPOIMENTOS: “Pensava que sabia usar a camisinha direito, na brincadeira que a senhora fez na oficina de sexo seguro de como colocar e tirar a camisinha vi que não sabia colocar corretamente, pois não deixava o biquinho e tirava de uma vez, sempre vazava, fazia tudo errado"