Autor(a)
NEI DE ALCANTARA ARAÚJO
Coautor(es)
FERNANDO LIMA SILVA
MARIA RUTH FERNANDES ALMEIDA
ALEXANDRA MOREIRA SILVA
ISLAYNE DE FÁTIMA COSTA RAMOS
JOSÉ KLEDEON VIANA PAULINO
ELANIA CRISTINA ARAUJO VASCONCELOS
ELIOMARA MONTEIRO DA SILVA
IANA SAMPAIO SILVA
ANDRESSA LARA CRISOSTOMO MARTINS
CLARA TAELY GOMES SANTOS
O mundo enfrenta desafios abrangentes em busca da melhoria da qualidade de vida, intensificados pela pandemia de COVID-19. Após dois anos de esforços para conter o vírus, suas repercussões persistem, especialmente na saúde mental, afetando tanto alunos quanto professores no ambiente escolar. Após dois anos de enfrentamento da crise, foi possível vencer a Pandemia, no entanto, as consequências e sequelas por ela deixadas, trouxeram novos desafios, principalmente para o SUS, no âmbito da política de saúde psicossocial e mental, pois nunca na história recente do mundo vimos tantas pessoas desenvolvendo crescentes crises de ansiedade, de depressão e de transtornos mentais severos, que acometeram todas as classes sociais, sem distinção alguma. Dentre os segmentos mais atingidos por esses fenômenos, destacamos um em específico, o das pessoas que estão diretamente envolvidas nos processos educacionais de ensino e aprendizagem, os trabalhadores da educação e toda a categoria de alunos nas mais diversas faixas etárias, e é para esse público que esse projeto foi planejado, com base nos princípios e diretrizes do sistema único de saúde e da base nacional comum curricular. Além disso, observa-se um adoecimento crescente e sistemático, do ponto de vista emocional, nos alunos tendo como sinais e sintomas comportamentos agressivos, isolamento social, baixo rendimento e evasão escolar, automutilação, ideação suicida, dentre outros.
Promover uma ação técnica voltada para a valorização da saúde mental que contemple todas as unidades educacionais da rede municipal de ensino, tais como, centros de educação infantil, escolas municipais de ensino e comunidade escolar como um todo. Promovendo a prevenção dos múltiplos riscos sociais que deflagram situações que provocam sofrimento mental. Além de realizar encontros coletivos e pré-programados com os trabalhadores e usuários da rede municipal de educação, visando uma abordagem direta e clara sobre a promoção da saúde mental. O projeto proposto visou atender a essas necessidades, promovendo a saúde mental, fortalecendo o suporte psicossocial, e incentivando estratégias de prevenção e intervenção precoce, com o objetivo de criar um ambiente escolar mais saudável e produtivo.
Utilizando uma abordagem ativa e escolanovista, o projeto inicia com um circuito de palestras interativas motivacionais ministradas por um assistente social e um médico-psiquiatra, realizadas semanalmente nas escolas da sede do município. A direção escolar convoca as demais instituições de ensino da região para participarem desses encontros de três horas de duração. Na metodologia adotada, busca-se promover uma reflexão crítica sobre a realidade vivida, visando à transformação sócio-estrutural. O encontro começa com uma acolhida musical de relaxamento, seguida por uma apresentação reflexiva sobre a temática proposta, focada em "sensibilização e empatia para com o outro", conduzida pelo assistente social. Posteriormente, o médico-psiquiatra aborda os principais transtornos encontrados na rede escolar, oferecendo orientações sobre como lidar com esses casos no cotidiano escolar, desde a chegada à escola até a sala de aula. O encontro encerra-se com uma confraternização musical e um café coletivo, promovendo integração social, troca de experiências e motivação para lidar com as situações de risco cotidianas.
O projeto “Saúde e vida” foi planejado no início abril de 2023 e iniciou sua execução ao final do mesmo mês, concluindo essa primeira etapa em junho, num total de sete encontros na sede do município. Foram contemplados um número significativo de profissionais da educação da rede municipal de ensino, com acolhida e atenção personalizadas, informações relevantes para uma melhor relação interpessoal e institucional, perspectivas de melhor compreensão na relação diária com alunos com deficiência e transtornos neurocomportamentais, favorecendo assim a inclusão socioeducativa dessas crianças e adolescentes, e a prática de uma cultura de paz na escola, favorecendo uma melhor integração entre redes de ensino e a comunidade local.
O presente projeto tem um perfil inovador, pois em conjunto com uma outra política pública relevante, a de Educação, vem conseguindo proporcionar uma experiência exitosa no município de Canindé, contribuindo com a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores que compõem a rede municipal de ensino e demais componentes da comunidade escolar, como pais/responsáveis e alunos. De acordo com o corpo técnico da secretaria de educação, o projeto vem apresentando excelentes resultados, com uma forte adesão da continuidade nos encontros e com mais frequência, ratificando assim a relevância da atenção em saúde mental à comunidade, a detecção de eventuais casos de sofrimento psíquico desse público, a intermediação aos serviços de atenção psicossocial para atendimento e a superação das situações de sofrimento emocional que são características dessa classe específica de trabalhadores e usuários da Educação. Tivemos ainda uma grande melhoria na relação do docente/discente, principalmente nas condutas referentes às estratégias de atenção às crianças e adolescentes com deficiência, com destaque, àquelas que possuem características dos transtornos do neurodesenvolvimento.