Autor(a)
KARINE FERREIRA CÂMARA
Coautor(es)
TATIELE ARAUJO LIMA
CAMILA LIMA SANTOS
ANA PRISCILA DE SOUSA RODRIGUES
LUIS EDUARDO PORTO DE ASSIS
A Hidroterapia, também conhecida como fisioterapia aquática, é um dos recursos mais antigos da fisioterapia, em que acumula evidências científicas de uso terapêutico desde as antigas civilizações. Por ser um recurso fisioterapêutico que, através das forças físicas da água que agem sobre o organismo imerso, afeta quase todos os sistemas do organismo e que leva aos mais inúmeros benefícios para os pacientes que apresentam dificuldades funcionais e nas atividades de vida diária, dor, rigidez, espasticidade. Vale ressaltar, ainda, que além de todos os benefícios fisiológicos, atividades realizadas numa piscina terapêutica, são capazes de oferecer lazer e tranquilidade, assim como a promoção de interação social e bem-estar emocional e melhora na qualidade de vida. Com o acelerado envelhecimento da população e aumento da incidência de diagnósticos de afecções que levam a um declínio da capacidade funcional e cognitiva, espera-se um aumento de indivíduos na condição de acamados e com elevado grau de dependência já que apresentam comprometimento da mobilidade, predominantemente relacionadas a alterações neurológicas e musculoesqueléticas. Diante, do exposto, esse projeto se justifica pela observação do crescente aumento de pessoas restritas ao leito no Município do Aquiraz, CE, bem como pela necessidade de uma adequada intervenção multiprofissional e pela possibilidade de ampliar a socialização entre pacientes, além de favorecer continuidade do cuidado fora do ambiente domiciliar.
Objetiva-se nesse projeto proporcionar uma melhoria na qualidade de vida dos pacientes acamados bem como propiciar uma melhor satisfação em suas relações sociais e familiares, acessibilidade aos cuidados de saúde, além de ganho de mobilidade, redução de dores e contraturas musculares.
Essa atividade terapêutica vem sendo desenvolvida no Município de Aquiraz, na piscina da Secretária Municipal de Saúde, abrangendo, no momento, os pacientes que são acompanhados pelo programa Melhor em Casa, sendo estes em sua maioria em cuidados paliativos. Os pacientes foram abordados pelos profissionais, que explicaram quanto aos desafios e benefícios da prática, e após consentimento verbal, foram avisados previamente sobre quanto a data e horário já que ao serem captados e aderidos ao programa, os mesmos assinam Termo de Consentimento Livre e Esclarecido autorizando as intervenções necessárias, bem como uso de imagem. Os atendimentos são previamente agendados, em razão da necessidade de uma piscina higienizada, avaliação da condição do paciente para realização da atividade, suporte de ambulância para locomoção do domicílio ao local do atendimento, bem como suporte com maca e cadeira de rodas. São utilizados como materiais flutuadores, sendo estes facilitadores no manejo dos pacientes, além de serem materiais de baixo custo, o que viabiliza o seu uso. A condução dos exercícios é executada pelo profissional fisioterapeuta, no entanto vem sendo uma prática multiprofissional, em que se almeja a participação da equipe nesse processo de construção de qualidade de vida e de oportunidades de acessibilidade diferenciada, além do aumento da socialização e trocas de experiências.
Pode ser observado durante os atendimentos de hidroterapia, apesar de todo processo doloroso imposto pelas doenças, que as atividades realizadas no meio aquático, por si só oferecem um momento de lazer, promovendo interação social e bem-estar. Assim, a hidroterapia além de ser uma terapia efetiva no contexto fisiológico, é capaz de promover bem-estar social e lazer. Assim, pode-se dizer que, houve uma melhora na qualidade de vida dos pacientes que foram submetidos a intervenções. Uma vez que a qualidade de vida está diretamente relacionada à satisfação de vários domínios de vida definidos como importantes pelo próprio indivíduo, sendo satisfação algo associado ao nível de expectativa. Vale salientar que os resultados incluíram a redução do espasmo e fadiga muscular, analgesia, facilitação do alongamento muscular, melhora da mobilidade, ganho de amplitude de movimento, facilitação da marcha, bem como assumir bipedestação assistida uma vez que os exercícios no meio aquático estimulam o relaxamento da musculatura esquelética e tem influência da percepção da dor, e as propriedades da água são facilitadores dos movimentos desde que objetivados e bem executados.
Diante do exposto, a terapia aquática é benéfica para todos os pacientes uma vez que propicia melhora clínica, funcional e social. Vale enfatizar a necessidade de estar atenta aos fatores que permeiam a qualidade de vida dos pacientes, além disso respeitar a individualidade de cada ser, bem como promover o favorecimento do seu desenvolvimento biopsicossocial. Conclui-se, assim, é possível promover uma melhora na qualidade de vida de todos os pacientes, inclusive acamados e em cuidados paliativos, com ações de baixo custo mas de grande valor funcional, social e emocional. Sugere-se que os municípios possam aderir a prática de hidroterapia na assistência aos seus pacientes melhorando a qualidade de vida dos mesmos.