Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
Maria Naiane dos Santos Silva
Coautor(es)
Leontina Maciel da Silva
Clara Maria Cavalcante Oliveira
No que trata da saúde do idoso, é importante destacar que dados de projeções estatísticas apontam que aumenta de forma crescente a cada ano. Em vista disso, considerando as peculiaridades que envolve o envelhecimento tais como mudanças físicas, comportamentais e sociais, os profissionais de saúde que atuam na da Atenção Primária à Saúde (APS) devem estar capacitados para atender as necessidades desse grupo populacional e promover ações visando a manutenção da qualidade de vida dessas pessoas que estão envelhecendo dentre elas, a promoção da autonomia, a independência e o bem-estar dos idosos através de sua autogestão em saúde (FERREIRA et al, 2023). Conforme as peculiaridades ditas do processo de envelhecimento e a importância dos profissionais de saúde estarem atentos as demandas específicas desse grupo populacional, reforça ainda mais a importância da APS, como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma a intersetorialidade em saúde compreende a ação conjunta, bem articulada entre várias instâncias sociais no diagnóstico, gerenciamento e resolutividade de problemas simples ou complexos, a mesma se configura como elemento chave no bom funcionamento da Estratégia Saúde da Família (ESF). Isso significa dizer que a Atenção Primária à Saúde (APS) quando firma parcerias com outros setores sociais, melhora os resultados em saúde (SILVA et al, 2024). Assim, os grupos do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) se tornam importantes dispositivos a serem trabalhados temas relevantes de promoção da saúde. O Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do idoso, articulado pelo CRAS é o cenário deste relato de experiência, que tem por objeto de análise as ações intersetoriais entre o SCFV e a ESF, localizados no distrito de Santa Cruz do Banabuiú, Município de pedra Branca, Ceará.
1.1Objetivo Geral Diante do exposto, este estudo tem como objetivo relatar a experiência de educação em saúde realizada pela ESF no SCFV de idosos do CRAS no distrito de Santa Cruz, do município de Pedra Branca, Ceará. 1.2Objetivos Específicos - Ressaltar a importância da parceria entre a ESF e o CRAS de Santa Cruz para garantia e promoção do cuidado integral com a pessoa idosa - Relatar a dinâmica de grupo como espaços de acolhimento e escuta qualificada para abordagem de temáticas de saúde e trocas de vivências - Demostrar como as educações em saúde aplicadas no SCFV foram fundamentais no fortalecimeto de vinculo e busca pelo autocuidado entre os idosos nas unidades de saúde.
Este é um relato de experiência vivenciado por profissionais da ESF, que atuam na ESF Santa Cruz, distrito do município de Pedra Branca (CE). A pesquisa ocorreu no período de Maio a Dezembro de 2025 e os resultados foram formulados com base na sistematização das experiências vivenciadas e conhecimentos construídos no decorrer do contato com o SCFV do idoso. Foram abordados diversos temas de promoção da saúde e prevenção de doenças, organizado por profissionais da ESF e a equipe Multiprofissional na Atenção Primária à Saúde (eMulti), contamos com a participação de várias categorias profissionais, entre elas: Enfermagem, Farmácia, Educação Física, Nutrição e agentes comunitários de saúde (ACS). A ESF e CRAS ficam Localizado no distrito de Santa Cruz, Município de Pedra Branca, Ceará, 36 km da sede. Vale destacar que essa integração dos dois equipamentos, saúde e assistência social, deu-se a partir da necessidade vislumbrada pelos os dois equipamentos, de estar levando temáticas da saúde para serem trabalhadas no grupo. O Grupo acontecia às terças-feiras pela manhã na sede do CRAS, ao todo, foram oito encontros. Tudo foi registrado em diário de campo, diário este que é um dos instrumentos adotados para auxiliar nas observações e coletar dados, uma ferramenta pessoal e intransferível, que serve para o pesquisador, depois de todas as anotações feitas, formular um relatório detalhado dos momentos da pesquisa. Quanto mais rico em anotações, mais útil na análise do objeto em estudo.
Os encontros do grupo acontecem todas as terças-feiras de cada mês, dentre os quatro encontros mensais, um é conduzido pela equipe da saúde, abordando várias temáticas relevantes de promoção da saúde. Durante os oito encontros foram abordados os seguintes temas: Práticas de atividades físicas, Alimentação saudável, Outubro Rosa, Novembro Azul, Março Lilás, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Saúde Mental, Polifarmácia e Automedicação. Participaram aproximadamente 35 idosos em cada encontro, antes de os temas serem trabalhados eram propostas dinâmicas “quebra de gelo” entre os profissionais e usuários participantes. A forma dinâmica do grupo favoreceu o estabelecimento de laços entre eles, criando expectativas para os próximos encontros. As metodologias ativas proporcionaram aos idosos maior entusiasmo na abordagem dos temas, maior participação e interações nos encontros. A prática dessa atividade como facilitadora de conhecimento, promoveu espaço de valorização do idoso, autoconfiança, autocuidado, criando momentos de trocas de experiências, orientações, promoção da saúde e prevenção de doenças, além de reaproximar esse público da Atenção Primária. Além disso, foi possível observar a construção do vínculo e cuidado entre os usuários e os profissionais, alguns desses idosos estavam afastados da ESF, não procuravam mais à unidade, e após esse vínculo construído com a equipe através do encontros no grupo, foi possível mudar essa realidade.
Ao longo de nove meses foi possível abordar diversos temas relevantes para a saúde do idoso, por meio do trabalho intersetorial e interdisciplinar, visando à promoção da saúde, à melhoria da qualidade de vida e à produção da saúde, bem como permitindo atuar nas causas que agravam a saúde dos idosos. A integração entre ESF e CRAS foi uma proposta que se mostrou exitosa, pois facilitou a troca de experiências através da educação em saúde e intersetorialidade, utilizando a interação entre os usuários e equipe, ampliou a adesão, o falar e ser ouvido, o empoderamento, e autonomia. Somado a isso, pelos idosos participarem do grupo, houve uma menor frequência nas consultas de demanda livre, e maior procura pelas consultas agendadas do programa Hiperdia, pois antes muitos idosos não procuravam à unidade para consultas de acompanhamento de hipertensão e diabetes, só procuravam à unidade em demanda livre por eventos agudos. É importante que a equipe multiprofissional esteja alinhada e aberta a realizar atividades inovadoras que envolvam os idosos como protagonistas do seu cuidado, trazendo temáticas de seu cotidiano.