Autor(a)
Sarah Anne Silveira Sampaio
Coautor(es)
Bruna Barreto Silva Dos Reis
Dinah Gomes Martins
Felipe Araújo Viana
Rubenio Diego Freitas Rebouças
O aumento da obesidade, sem desaparecimento da desnutrição, caracteriza o contexto atual de transição nutricional com dupla carga de má nutrição. Essa situação foi agravada pela conjuntura da pandemia de COVID-19, que denunciou e intensificou o cenário crítico da Insegurança Alimentar. A obesidade infantil é considerada problema de saúde pública devido ao aumento de prevalência, impacto negativo na saúde física e mental da criança e risco de desenvolvimento de doenças crônicas. O acompanhamento dessa situação pela Atenção Primária à Saúde (APS), nível de atenção que tem o papel de suprir pelo menos 85% da resolubilidade do Sistema Único de Saúde (SUS), evita agravos que sobrecarregam o Sistema com tratamentos onerosos realizados na atenção especializada. O município de Icapuí-CE aderiu à Estratégia Nacional para Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil (Proteja), iniciativa do Ministério da Saúde que possui os seguintes indicadores de acompanhamento: Número de crianças com estado nutricional avaliado Número de crianças com práticas alimentares avaliadas Número de atendimentos individuais para problema ou condição avaliada obesidade em crianças. Diante desta contextualização, foi desenvolvida a experiência a seguir apresentada que trata das avaliações nutricionais coletivas realizadas com crianças menores de 10 anos das 7 escolas de ensino fundamental e dos 10 centros educacionais infantis de Icapuí entre fevereiro e junho de 2022
Fortalecer o acompanhamento do estado nutricional e das práticas alimentares de crianças menores de 10 anos em Icapuí-CE.
Optou-se por abordagem coletiva e utilização dos espaços educacionais como estratégias para garantir maior alcance de crianças do território e logo, compreensão mais relevante do cenário local. Os materiais utilizados foram balança digital portátil e fita antropométrica para a coleta de peso e altura das crianças, além do questionário de consumo alimentar do Ministério da Saúde. Considerando a autonomia da faixa etária, o questionário foi aplicado diretamente com as crianças matriculadas no ensino fundamental. Já com as crianças da educação infantil, o questionário foi anexado na agenda escolar individual e solicitado que um responsável respondesse em casa e enviasse de volta. A atividade desenvolvida pelas nutricionistas das secretarias municipais de saúde e educação contou com apoio das equipes das unidades de APS e profissionais residentes do programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará, além das professoras, se traduzindo em um trabalho intersetorial feito por muitas mãos.
As informações coletadas foram inseridas e monitoradas via sistema de vigilância alimentar e nutricional (SISVAN), indicando aumento significativo em todos os indicadores do Proteja. Conforme o sistema, comparando 2022 com 2020, ano do índice de referência, o número de crianças menores de 10 anos com estado nutricional avaliado aumentou de 133 para 1.716. A quantidade de crianças com práticas alimentares avaliadas subiu de 0 para 505. O número de atendimentos individuais de menores de 10 anos para condição avaliada “obesidade” passou de 17 para 30. Avaliando a distribuição do estado nutricional na população trabalhada, chama atenção que aproximadamente 48,14% das crianças obtiveram o diagnóstico nutricional de eutrofia, ao passo que 6,29% se encontraram abaixo do peso e 45,57% acima do peso, dentre os quais 21,91% se enquadraram como obesidade. Esta condição de saúde de causa multifatorial, sofre influência dos hábitos alimentares, o que dialoga com o cenário alimentar encontrado, que apontou ingestão baixa de alimentos in natura e alta de ultraprocessados.
A avaliação coletiva nas escolas foi a estratégia de coleta de dados escolhida pela possibilidade de apreender informações de várias crianças reunidas por ocasião das aulas. Foi possível aumentar significativamente o número de crianças avaliadas e acompanhadas pelo SUS, além de conhecer o estado nutricional e a condição alimentar das mesmas. Estes passos relevantes fazem parte da construção do caminho para subsidiar o monitoramento e acompanhamento da situação alimentar e nutricional da populaçãoalvo, bem como o planejamento de ações de saúde pública ajustadas à realidade encontrada.