Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Francisca Fabrinne Martins de Carvalho
Coautor(es)
Verineida Sousa Lima
Neyara Maria de Sousa Nascimento
Drielle Oliveira Camelo
Com a pandemia e o isolamento, os decretos determinaram orientações sobre as visitas dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) com segurança, no entanto, com a reabertura, também retornamos às visitas habituais? O que acontece é que essa não foi a realidade observada e no início de 2022 com o retorno às atividades inicia-se também o acolhimento de ouvidorias relacionadas a críticas de ausência do ACS nas visitas periódicas, foi então que surge o projeto “o coordenador bate na porta”, que traz uma série de ações de investigações “in loco” e em sistemas de informação para identificar de fato como o ACS tem desempenhado suas funções. Tudo começa com o recebimento da denúncia que é acolhida no setor de ouvidoria municipal e depois direcionada a coordenação do ACS que junto com a ouvidoria agenda uma visita a rua do usuário e faz aleatoriamente a investigação em algumas casas aplicando uma entrevista sobre a atuação do ACS. Essas visitas são inseridas em um formulário e acompanhadas em um excel que compartilhado com o setor ESUS AB passa a investigar o registro de visita a esses usuários confrontando com o que os mesmos informaram no momento da entrevista. Todos os dados são consolidados, o coordenador chama o ACS para conversar sobre a situação e caso a denúncia seja confirmada também recebe uma advertência verbal pela secretaria de saúde e segue para uma nova avaliação depois e caso continue passa para advertência escrita com suspensão.
Apresentar o processo de supervisão do trabalho do Agente Comunitário em Saúde em Nova Russas/Ce.
Trata-se de um relato de experiência realizado no município de Nova Russas/Ce, tendo seu início em janeiro de 2022. Essa experiência é dividida em três momentos que agregam três setores. O primeiro momento é o recebimento da denúncia das visitas do ACS no setor de ouvidoria, depois essa denúncia é acolhida na coordenação dos ACS que realiza junto com a ouvidoria as visitas “in loco” em torno de dez casas aleatórias perto da residência do denunciante, sendo os dados registrados por meio físico e online. Ressalta-se que a entrevista busca identificar a periodicidade das visitas nos domicílios, a condução das informações e orientações da população e possui campos abertos para acolher outras demandas. Por fim, o terceiro momento conta com a investigação no Sistema ESUS AB das visitas dos ACS aos usuários entrevistados confrontando as informações. Caso a denúncia seja comprovada o ACS recebe advertência verbal e passa a ser acompanhado para posterior advertência escrita e suspensão.
O projeto até o momento realizou 97 visitas “in loco”, avaliando 12 ACS espalhados em 5 unidades das 11 unidades. Obteve-se que 52,6% referiram que os ACS visitavam mensalmente e 28,9% nunca visitou ou raramente visita. Comparando esses resultados com os registros no ESUS AB as informações em sua maioria são coerentes, encontra-se ainda usuários sem cadastro no sistema e vínculo a unidade de saúde, além disso, algo que chama atenção é que muitos desses que referiram “visitas raramente” fazem parte do grupo de acompanhamento prioritário do ACS, assim como a entrevista também apresentou essa situação quando listou que dos entrevistados 77,31% (75) tinham nos domicílios usuários de acompanhamento contínuo. Em relação ao que tipo de orientações que o ACS passa na visita, a maioria referiu sobre vacinação, depois medicação e consultas, porém 18,55% não ter nenhuma informação e 6,18% dizem que recebem as informações por telefone. Considerando o nível de satisfação dos usuários com seu ACS, 41,9% referem satisfeitos, 35,5% insatisfeitos e 22,6% parcialmente satisfeitos. No campo aberto da entrevista a maioria descreveu que era necessário ter visitas mais constantes do ACS, na segunda avaliação do ESUS, um mês após a advertência verbal, observa-se dois casos em que as visitas do raramente visitados passaram a ser mensal. Destaca-se também que a visita do coordenador acabou ajudando na orientação das famílias tirando duvidas sobre a função do ACS nos territórios.
O Agente Comunitário de Saúde possui uma responsabilidade essencial nas ações de saúde pública, são suas visitas que levam a população a informação necessária para a prevenção das doenças e promoção da saúde, a ausência de visitas ou mesmo as visitas feitas sem qualidade potencializam os problemas de saúde de um território. Observamos que o projeto “o coordenador bate na porta” conseguiu identificar situações importantes que precisavam ser ajustadas e que já resultaram em mudanças nos ACS que receberam a advertência verbal. Destaca-se que o processo de supervisão acaba despertando nesses profissionais e naqueles que ainda não foram avaliados um maior cuidado na realização das suas ações, percebemos que ao saberem que as supervisões estão sendo feitas já há entre eles uma situação de efetivar com qualidade seus serviços para evitar as advertências que podem prejudicá-los em suas carreiras profissionais. Por essa razão o projeto agora seguirá além das denúncias recebidas pela ouvidoria, será uma atividade contínua de supervisão e realinhamento para que possa potencializar as visitas dos ACS com qualidade e assim garantir uma saúde pública efetiva para os munícipes.