Autor(a)
ISABELLE FROTA RIBEIRO QUEIROZ
Coautor(es)
LARISSE ARAÚJO DE SOUSA
DANIELLI MENDES DE SOUSA
LETICIA REICHEL DOS SANTOS
JOSIANO MACEDO DE LIMA
MARIA JOSIANE TOMAZ MENDES
A Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como a principal porta de entrada dos usuários no Sistema Único de Saúde (SUS), proporcionando cuidados abrangentes e integrados. Mesmo com os avanços na sua cobertura e no acesso aos serviços de saúde, (FACCHINI TOMASI DILÉLIO, 2018), persiste o desafio de assegurar o direito e o acesso à saúde para a população das áreas rurais. Nesse contexto, a APS se firma em práticas participativas e democráticas, direcionadas às comunidades locais, onde equipes assumem responsabilidade sanitária, considerando as especificidades territoriais (Brasil, 2017). Sendo crucial garantir acesso aos serviços de saúde, incluindo aqueles que residem em áreas remotas. A experiência focalizou a implementação de atendimento descentralizado para a população residente na zona rural do distrito de Aracatiaçu, situado em Sobral - Ceará, durante o período de janeiro de 2023 a fevereiro de 2024. O projeto visou abordar a questão premente do acesso limitado aos serviços de saúde enfrentado por essa comunidade. A motivação para essa abordagem surgiu da necessidade de garantir atendimento de saúde adequado e oportuno, reconhecendo a importância de levar os cuidados de saúde para promover a equidade no acesso. Compreender as especificidades de cada região é essencial para oferecer uma atenção à saúde de qualidade, adaptada ao contexto local. Desempenhando papel crucial na identificação das necessidades da população e na prestação de serviços de saúde eficazes.
Objetivo Geral Relatar a implementação da descentralização dos serviços de saúde para à população rural de uma equipe de Saúde da Família (ESF) de um município da zona norte do estado do Ceará. Objetivos Específicos - Descrever as principais dificuldades de acesso aos serviços de saúde enfrentadas pela população que vive na zona rural - Relatar a implementação dos serviços de saúde para a população da zona rural, destacando os desafios enfrentados, as estratégias adotadas e os resultados obtidos.
O estudo adota uma abordagem descritiva, configurando-se como um relato de experiência. A pesquisa foi concebida com base nas experiências vivenciadas por uma equipe de saúde da família (ESF), que atua como referência para atender a comunidade rural. Diversas barreiras foram identificadas, dificultando a acessibilidade aos serviços de saúde, incluindo distâncias consideráveis de até 30 km para o Centro de Saúde da Família (CSF), baixo poder aquisitivo, baixa escolaridade e obstáculos naturais, como riachos e passagens molhadas, que complicam o deslocamento da população para receber assistência médica. Essas barreiras e vulnerabilidades podem dificultar o acesso aos cuidados de saúde e contribuir para disparidades na saúde entre populações rurais e urbanas. Diante do contexto, foi identificada a necessidade premente de implementar estratégias para melhorar o acesso aos serviços de saúde na área rural. O estudo foi conduzido em um distrito situado na zona rural de Sobral, Ceará, com a participação da população atendida pela ESF, . Sendo realizado o deslocamento, semanalmente, de médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e Agente Comunitário de Sáude até as comunidades rurais. A motivação para relatar essa experiência surge do objetivo de enriquecer o debate acerca das dificuldades de acesso aos serviços de saúde em ambientes rurais, explorando as barreiras existentes e propondo reflexões sobre aprimoramento da acessibilidade e qualidade da assistência à saúde.
Os principais resultados da experiência mostram que a equipe de Saúde da Família (eSF) foi capaz de realizar atendimento descentralizado de forma semanal em 10 localidades do distrito, de forma contínua e cíclica. Isso inclui uma ampla gama de serviços, como consultas médicas e de enfermagem, visitas domiciliares, administração de vacinas, distribuição de medicamentos e avaliação odontológica. O deslocamento dos profissionais até a comunidade rural é realizado no veículo do Centro de Saúde da Família e a organização dos atendimentos pelo Agente Comunitário de Saúde em sua própria residência foram estratégias eficazes diante da ausência de unidades de apoio. Os registros iniciais em formato físico, posteriormente transferidos para o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), demonstram uma transição eficaz para a utilização de tecnologias leves e de média complexidade na execução dos serviços de saúde. No entanto, durante o período de chuvas intensas, a comunidade enfrentou desafios significativos devido ao aumento do nível da água, resultando no isolamento e danos às estradas, o que dificultou o acesso aos serviços de saúde. Nesse contexto, as ações intersetoriais com o apoio da Defesa Civil, Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, e Corpo de Bombeiros desempenharam um papel crucial no suporte à eSF para manter a continuidade dos atendimentos e na distribuição de alimentos durante os períodos de isolamento.
A experiência descrita proporcionou uma visão abrangente dos desafios e oportunidades da eSF ao oferecer atendimento descentralizado na área rural. Onde ficou evidente a importância de estratégias para melhorar o acesso aos serviços de saúde e garantir a integralidade do cuidado. Os resultados destacaram a eficácia das ações, demonstrando a importância da descentralização dos serviços e da utilização de tecnologias leves e leve- dura para a execução dos atendimentos. No entanto, os desafios enfrentados durante o período de chuvas intensas ressaltam a necessidade de maior preparação e cooperação interinstitucional para garantir a continuidade dos serviços de saúde. Diante disso, é imperativo que as políticas de saúde considerem as especificidades das comunidades rurais, para superar as barreiras de acesso por meio da integração entre setores e sociedade civil na garantia da eficácia das ações de saúde na zona rural. Esta reflexão enfatiza a relevância da atenção primária à saúde na promoção da equidade e qualidade dos serviços em áreas rurais. A experiência compartilhada fornece insights para orientar futuras políticas de saúde, visando aprimorar o acesso e a oferta de serviços para populações em áreas remotas.