Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
IANNY DE ASSIS DANTAS
Coautor(es)
VANUZA COSME RODRIGUES
TATYANA NUNES DUARTE
ITATIAIA FERNANDES BARBOSA
MARIA DAS CANDEIAS LIMA DE MENEZES
SIBELE LOPES GÓES
Entende-se que a taxa de mortalidade infantil (TMI) traz uma estimativa do risco de morrer a que esta população está exposta no primeiro ano de vida, sendo um indicador de condições de vida e saúde. Em linhas gerais, a maioria das mortes nesta faixa etária é evitável, uma vez que estão relacionadas principalmente às condições de vida, da gestação, do parto e integralidade da criança. A redução da mortalidade infantil tem sido objetivo dos governos federal, estadual e municipal. A taxa de mortalidade infantil, no Brasil, vem reduzindo ao longo dos últimos 05 anos, sendo 14 em 2016 e 11,5 em 2020. No Ceará também tem registrado essa redução, com 14,3 em 2016 e 11,61 em 2020. Já o município de Jaguaribe estava com 17,86 em 2016, porém registrou taxa de 22,17 em 2020. Diferente do Brasil e do Ceará, o município aumentou a taxa em 2020. A gestão municipal possui 13 Equipes da Estratégia Saúde da Família, 01 Unidade de Pronto Atendimento e 01 Hospital Municipal. Conta ainda com serviços de referência para Atenção ao pré-natal e parto de alto risco em Fortaleza. No entanto esses pontos de atenção não se comunicavam a contento para dirimir as lacunas para redução da mortalidade infantil. Repensar a estrutura, os processos para obter os resultados esperados é bastante desafiador, porém com planejamento estratégico é possível transformar realidades.
Desenvolver um plano de ação com estratégias é necessário para reduzir a mortalidade infantil no município. Estratégias que perpassam reorganizar estrutura, bem como processos de trabalho nos pontos de atenção. A efetivação do referido plano de ação com monitoramento e avaliação oportunamente será realizado constantemente por todos os envolvidos. Trata-se de uma estratégia que prima pela integralidade do cuidado, realizando um planejamento estratégico das ações em saúde.
Entre as estratégias implantadas destacou-se o monitoramento das consultas de pré-natal, capacitação da equipe multidisciplinar no protocolo Nascer no Ceará, implementação de fluxos para pré-natal e parto de alto risco, fortalecimento da busca ativa e da visita domiciliar, regulação de gestantes em tempo oportuno, além da implantação da Comissão de Óbito materno, infantil e fetal no município. Diante do diagnóstico de outras fragilidades no seguimento dos protocolos assistenciais foi desenvolvida uma ficha individual de monitoramento e acompanhamento do pré-natal com a função de orientar as rotinas e ampliar o olhar sobre a gestante. Nessa ficha, as enfermeiras das unidades de saúde preenchem mensalmente todos os dados relativos ao pré-natal, incluindo perfil socioeconômico, datas das consultas e retornos, resultados de exames, tratamentos realizados, esquema vacinal, encaminhamentos, consulta odontológica, realização do pré-natal do homem, Papanicolaou, exame especular, visita do ACS e educação em saúde. Posteriormente, as fichas são monitoradas por enfermeiras do grupo técnico que avaliam in loco se o seguimento está adequado ou não, e ao identificar inconsistências faz-se um alerta imediato à unidade de saúde que prontamente verifica a situação. A análise oportuna nos óbitos infantis pela Comissão Municipal foi uma estratégia sinequanon para evitar outros óbitos, pois as recomendações são efetivadas a contento.
Em 2021 houve 01 (um) óbito infantil no município, o que representa uma taxa de 2,81, menor taxa registrada nos últimos 10 anos. Para a redução da mortalidade infantil em Jaguaribe foi necessário envolver todas as gestantes e crianças independente de classe social, da condição física, da educação, do gênero, da etnia, entre outros aspectos, onde 100% de gestantes e crianças até 01 ano são acompanhadas e monitoradas. Para tanto foram necessárias inclusão de tecnologias sociais tais como: implantação de novos protocolos, redirecionamento de processo de trabalho, envolvimento e comunicação entre profissionais, monitoramento de planilhas digitais. Destacar-se que a redução da TMI envolveu mudanças de práticas, processos, estrutura no município com realização do monitoramento das gestantes e crianças quanto à vigilância e coordenação das ações realizadas no território. Percebe-se a importância do envolvimento de todos os profissionais de saúde dos pontos de atenção da rede de saúde atuando com objetivo comum. A articulação entre os pontos de atenção à saúde: Unidades Básicas de Saúde, Unidades de Pronto Atendimento, Hospital Municipal, Policlinica Regional e Hospitais de referencia e as regulações, municipal e estadual, favorece maior comunicação, melhoria do acesso em tempo oportuno, dessa maneira realizando o acompanhamento mais adequado e garantindo a resolutividade das necessidades das gestantes e crianças trazendo um impacto significativo na redução da mortalidade infantil.
Foram ressignificadas as práticas do cuidado em atenção à gestante e criança no território em articulação com os pontos de atenção à saúde, descadeando comunicação, acesso em tempo oportuno, acompanhamento adequado e a resolutividade das necessidades das gestantes e crianças, com resultado, sustentabilidade e replicabilidade da prática. O desafio é manter as equipes motivadas, atualizadas e monitoradas, a fim de conservarmos esse indicador em valores menores que um dígito. O envolvimento dos atores perpassou por um processo de conquista, houve resistência e falta de credibilidade de alguns parceiros. Mas aprende-se que com propostas viáveis, diálogo e resultados positivos é possível conquista, reconquistar, planejar, replanejar sempre.