Autor(a)
Francisca Michele Paulino da Silva
Coautor(es)
Letícia Morais de Araújo Coelho
Artur Felipe dos Santos Vieira
Glaice Martins Bezerra da Cruz
Mayara Sales Carneiro
Jessica da Silva Gondim
Os transtornos mentais são um problema de saúde pública que afetam milhões de pessoas em todo o mundo, sendo os mais comuns: a depressão, ansiedade, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia, demência, e distúrbios de desenvolvimento. Ainda se presencia uma lacuna entre o cuidado a ser ofertado a essas pessoas e os recursos disponíveis nos sistemas de saúde para a devida assistência a estes casos. A Organização Mundial de Saúde, vendo a necessidade de interveção, elaborou, como instrumento para o manejo dos casos que envolve saúde mental, o Manual de Intervenções para transtornos mentais, neurológicos e por uso de álcool e outras drogas na rede de atenção básica à saúde (MI-mhGAP). Com o intuito de capacitar os profissionais da APS, no ano de 2023 a Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE) ofertou o curso de aperfeiçoamento “Treinando Treinadores em Cuidados Primários em Saúde Mental e Atenção Psicossocial“, conforme o Manual MI-mhGAP., que fornece diretrizes baseadas em evidências, permitindo que identifiquem e apoiem melhor as condições de saúde mental prioritárias. O curso realizou a formação dos profissionais para a partir daí replicar nos município de origem, tanto que foi possível tal ação ser executata no município de Maracanaú logo após a conclusão do curso ofertado pela ESP. No mesmo ano foi realizado a replicação e alcançou um publico alvo de uma forma muito positiva.
GERAL: O objetivo principal desta replicação é contribuir para novas práticas e qualificação da assistência em saúde mental, álcool e outras drogas, na atenção primária do Município de Maracanaú. EXPECÍFICOS: Capacitar profissionais da saúde para um atendimento mais qualificado e humanizado Fortalecer a rede de cuidados em saúde mental e álcool e outras drogas no território Auxiliar na melhoria do manejo da assistência a pacientes em de saúde mental, do uso de álcool e outras drogas na APS.
Para a construção dessa capacitação foi utilizado como referência os materiais do Manual de Intervenções para transtornos mentais, neurológicos e por uso de álcool e outras drogas na rede de atenção básica à saúde (MI-mhGAP) versão 2.0. Foi criado um grupo de trabalho para realizar o planejamento da capacitação, visto que apenas uma profissional psicóloga participou da capacitação realizada pela ESP/CE, a partir daí foi verificado que outros profissionais da rede de saúde poderia contribuir, pois tinha expertise e já em anos ateriores puderam passar por uma capacitação no manual de referência, ao final do levantamento dessas informações, oito profissionais incuindo três médicos e duas psicólogas da rede de atenção primária à saúde vinculados as unidades de saúde da família (USF) do município, três médicos psiquiatras da rede de saúde mental vinculados aos CAPS do município. Para uma melhor replicação, foi montado três ciclos de capacitação, que aconteceu durante três dias cada ciclo, com carga horária de 30 horas cada turma, dando foco ao manejo com pacientes que apresentem demanda de saúde mental, qualificando a atenção a saúde mental no município, por meio do fortalecimento da atenção primária à saúde, a capacitação de maneira expositiva do MI-mhGAP, tendo como formadores profissionais de várias categorias (médicos, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos e assistente sociais), visando o amplo olhar e manejo da saúde mental.
A oportunidade de levar para os profissionais a temática de saúde mental, buscou desconstruir a falsa premissa que as intervenções são complexas e, especialmente, que só podem ser realizadas por profissionais e setores especializados. Com a capacitação do MI-mhGAP, a visualização da rede de saúde mental municipal como foco, diálogos foram abertos para novas possibilidades, para que assim fosse explorado as potencialidades e o reconhecimento das fragilidades vivenciadas pelo serviço de saúde, tendo como finalidade o fortalecimento da rede de saúde mental. Com a estruturação do projeto pode-se alcançar um total de 243 profissionais. A adesão foi positiva e reconheceram a importância do fortalecimento da rede de saúde mental no município. Foi possível observar impactos positivos por parte dos profissionais para sensibilização ao tema, como por exemplo, profissionais com interesse em adesão ao matriciamento, com acesso facilitado aos cuidados de saúde mental. Pode-se observar um olhar sensibilizado e descentralizado para a saúde mental. Outro ponto positivo foi o fortalecimento da organização da rede de saúde mental, fortalecendo a temática e a possibilidade que os profissionais das USF tiveram o olhar amplo que os mesmos podem contribuir fortemente no manejo dos pacientes que necessitam da saúde mental.
O projeto idealizado para capacitar os profissionais por meio do MI-mhGAP demonstrou ser uma estratégia eficaz para o fortalecimento da rede de saúde mental no município, promovendo uma abordagem mais acessível e descentralizada. A adesão positiva dos participantes e o reconhecimento da importância do tema evidenciam o impacto do projeto na sensibilização e no engajamento dos profissionais. Além disso, a ampliação do olhar sobre a saúde mental e o fortalecimento da organização da rede refletem avanços significativos na qualificação do cuidado. Dessa forma, a iniciativa contribui para a construção de um serviço mais integrado, acessível e resolutivo, beneficiando tanto os profissionais quanto a população atendida.