Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Marília Façanha Tavares
Coautor(es)
Myrna Saboia Vasconcelos Aguiar
Francisco Franklin Alves de Souza
Raquel Moura Chagas
O presente relato buscou apresentar uma experiência exitosa desenvolvida pelas (os) psicólogas (os) do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB), de Eusébio/Ce, no sentido de oferecer um serviço de suporte emocional, remoto, objetivando minimizar o sofrimento das famílias de pacientes internados ou em situação de luto por COVID-19. De janeiro de 2020 até os dias atuais já são mais de 470 milhões de casos confirmados no mundo e mais de 6 milhões de mortes em decorrência da pandemia da COVID-19. Neste mesmo período o município de Eusébio registrou mais de 15 mil casos confirmados, destes 141 evoluíram a óbito. A alta transmissibilidade do vírus, a mudança brusca na rotina e a recomendação para evitar o contato social foram criando uma onda de medo, ansiedade e sofrimento emocional em todo o mundo. E este sofrimento pode ser ainda maior para aqueles que estão com parentes internados. Por isso, a partir da escuta dos relatos, através do telemonitoramento, dos pacientes com resultado positivo para COVID-19, e pensando na fragilidade emocional do momento, a psicóloga do NASF-AB Lagoinha, passou a oferecer suporte psicológico por telefone para os familiares dos pacientes internados com suspeita ou confirmação de COVID-19. Os dados aqui apresentado são referentes aos meses de março a julho de 2021.
Oferecer suporte psicológico às famílias, de Eusébio, enlutadas e ou com parentes internados por COVID-19.
Em Eusébio 100% de cobertura de 100% da estratégia de saúde da família com 03 equipes de NASF. A partir de maio de 2020, houve aumento considerável dos casos de COVID-19, e os profissionais do NASF-AB precisaram readequar os processos de trabalhos e de modo a contribuir neste cenário pandêmico. Em março de 2021, diante da segunda grande onda de contaminação, aprimorou-se o fazer diferenciado por meio de telemonitoramento dos casos confirmados executadas pelas equipes de NASF-AB, as (os) psicólogas (os) passaram a conviver com narrativas de sofrimento emocional, em especial das famílias que haviam perdido um ente querido ou com parentes internados com agravos decorrentes da doença. Dentro deste contexto, foi iniciado o serviço de suporte emocional às famílias enlutados e ou com parentes hospitaliados. O setor de epidemiologia era notificado sobre os casos de internações e/ou óbitos na da Rede de Saúde, em seguida encaminhava aos psicólogos do NASF-AB uma planilha contendo nome, idade, data de nascimento, local e data de internação/óbito, endereço e o contato de um parente do paciente de posse dos dados os profissionais faziam o primeiro contato com a família, se apresentando e oferecendo sua escuta qualificada, orientação e esclarecimento de dúvidas, por vezes a desinformação causava ainda mais sofrimento. Neste primeiro contato era informado as famílias o horário de funcionamento do serviço, mas entendendo o momento de emergência, os profissionais acordavam a possibilidade
Entre os meses de março e julho de 2021 cerca de 200 famílias foram atendidas. E a partir da escuta ativa, se promoveu um espaço para reflexão e compreensão do sofrimento experimentado pelas famílias diante desse contexto de adoecimento e perdas. À medida em que a situação epidemiológica foi se estabilizando que as consultas eletivas puderam ser retomadas de forma presencial, algumas dessas famílias permaneceram em atendimento e, quando necessário, foram encaminhada aos serviços especializados como o CAPS. O choque ao receber o diagnóstico, a piora rápido levando o paciente a internação, UTI, intubação, a impossibilidade da visita, informações limitadas, enfim são vários os aspectos possíveis para desencadear e sofrimento e ou o adoecimento psíquico, daí a necessidade do cuidado com a saúde mental, daqueles acometidos pela COVID-19, mas também dos seus familiares.
Os familiares enfrentaram muitos desafios, desde a impossibilidade de ver os pacientes no momento da internação, até a impossibilidade de velar e enterrar seus entes queridos, nos casos onde houve morte. Foram repetidas histórias de famílias que perderam seus avós, pais e até filhos com uma doença que chegou de forma rápida e agressiva. É importante compreender o cuidado no pós-morte. Não apenas o cuidado com o corpo, mas o cuidado com os afetos que este corpo deixou no mundo. Os familiares são a própria extensão dessa existência. Muitos desses familiares enlutados foram encaminhados para os atendimentos presenciais a medida em que os serviços foram retomando a sua normalidade. Por fim, muitos desses familiares já vivenciavam ansiedade, depressão, estresse, ou qualquer tipo de inquietação mental e tiveram seus sintomas agravados diante dessa nossa atual situação. O papel da psicologia nesse momento, para além da escuta, é promover a intersetorialidade, fazer a interlocução entre os serviços afim de oferecer ao paciente e sua família a melhor assistência, dentre das condições do momento.