Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
ANDREIA FARIAS EVANGELISTA
Coautor(es)
JOSETE MALHEIRO TAAVRES
EDNA DA SILVA ALBUQUERQUE
LÍVIA MARIA FERREIRA SABINO
ANDRE VINICIUS PERES ROCHA
LYVIA PATRICIA SOARES MESQUITA
GEZIEL DOS SANTOS DE SOUSA
JOSÉ BRUNO RODRIGUES FROTA
PATRICIA MARTINS DE SOUSA
A criação das Salas de Situação está alinhada às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que preconiza a vigilância em saúde como eixo estratégico para a promoção, prevenção e resposta rápida a agravos. No SUS, a vigilância epidemiológica, ambiental e sanitária e saúde do trabalhador devem ser integrada, intersetorial e territorializada, permitindo que gestores e equipes de saúde tenham acesso a informações qualificadas para tomada de decisão. A meta estabelecida de implantar 80 Salas de Situação na RAPS para o quadriênio 2022–2025 foi alcançada no 3º trimestre de 2025, com um total de 92 Salas instaladas. Atualmente, nas Unidades Básicas de Saúde, além de outras oito Salas de Situação uma em cada Distrito Técnico de Vigilância em Saúde, uma da CEVAM e outra da CEVEPI. A Sala de Situação da CEVAM (Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos) representa uma inovação ao consolidar dados de diferentes sistemas (SIMDA, SISÁGUA, DATATOX, entre outros), transformando-os em inteligência epidemiológica para subsidiar políticas públicas locais. A Sala de Situação da CEVEPI (Célula de Vigilância Epidemiológica) funciona na Sede da SMS Fortaleza e permite guiar e orientar a tomada de decisão da Gestão Municipal do SUS praticamente em tempo real. Cada um dos seis Distritos Técnicos vinculados à Coordenação de Vigilância em Saúde de Fortaleza mantém uma Sala de Situação que acompanha e monitora os principais agravos diretamente ligados a saúde humana e ao meio ambiente.
Estabelecer uma unidade de inteligência para o monitoramento contínuo dos fatores ambientais e riscos biológicos. Sistematizar indicadores de água, solo, ar e zoonoses para detecção oportuna de cenários críticos. Subsidiar a tomada de decisão técnico-científica, permitindo intervenções intersetoriais precisas. Integrar vigilâncias e Rede de Atenção à Saúde (RAS), qualificando a resposta a agravos prioritários como arboviroses, leptospirose, acidentes com animais peçonhentos e raiva animal.
As Salas de Situação instaladas na Rede de Saúde de Fortaleza apresentam-se com as seguintes características: •Coleta e integração de dados: utilização de sistemas nacionais (SIMDA, SISÁGUA, DATATOX, LACEN) e dados locais de campo coletados por Agentes de Combate às Endemias (ACEs) e equipes técnicas. •Georreferenciamento: mapeamento territorial em QGIS para análise espacial de casos e notificações. •Painéis interativos: construção de dashboards com indicadores de zoonoses, qualidade da água, acidentes com animais peçonhentos, campanhas de vacinação e índices de infestação predial (LIRAa). •Monitoramento sistemático: atualização mensal dos dados, com relatórios estratégicos e mapas de calor para apoiar decisões rápidas. •Integração intersetorial: articulação entre vigilância ambiental, epidemiológica e sanitária, além de parcerias com universidades (ex.: FAVET/UECE).
•Arboviroses: monitoramento contínuo de notificações, casos confirmados e óbitos - em 2025 não houve registro de nenhum óbito por arboviroses, além da redução superior a 88% de casos confirmados de dengue e a redução superior a 46% dos casos confirmados de Chykungunya, comparados aos dados de 2024. •Vacinação Antirrábica Animal: atingimento da meta de 80,59% em cães (235.795 vacinados), embora gatos tenham ficado abaixo da meta (57,65%). •Leptospirose: redução de quase 50% dos casos confirmados em 2024, com vigilância sistemática até 2025. •Acidentes com Animais Peçonhentos: 2.667 notificações em 2025, com maior incidência de escorpiões e abelhas. •Esporotricose Animal: 170 notificações, com geo-referenciamento e apoio da FAVET/UECE. •Qualidade da Água (SISÁGUA): 1.244 amostras analisadas em 2025, sendo 95,7% satisfatórias. •LIRAa: índices de infestação predial variando entre 1,01 e 2,76, com regiões em situação de alerta e risco. •Integração das vigilâncias: fortalecimento da resposta rápida e da análise territorial, qualificando a gestão municipal.
A experiência da Sala de Situação em Fortaleza demonstra que a inteligência epidemiológica aplicada ao território é capaz de transformar dados dispersos em informação estratégica. •Houve avanços significativos na vigilância de zoonoses, qualidade da água e arboviroses. •A integração entre vigilâncias e RAS fortaleceu a capacidade de resposta a emergências em saúde. •Persistem desafios, como a padronização de instrumentos e protocolos e a necessidade de ampliar a cobertura em campanhas de vacinação (especialmente em gatos). •O modelo da Sala de Situação se consolida como referência para gestão municipal de saúde, alinhado às diretrizes do SUS e às políticas nacionais de vigilância.