Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
LIZ GRACIELA DOMINGUEZ GONZALEZ
Coautor(es)
As infecções relacionadas à assistência à saúde representam um importante problema de segurança do paciente, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), onde os pacientes apresentam maior gravidade clínica e maior exposição a dispositivos invasivos. Nesse contexto, a prevenção e o controle dessas infecções tornam-se fundamentais para a qualidade da assistência prestada. A experiência foi desenvolvida em uma Unidade de Terapia Intensiva de um hospital público, no período de julho de 2025 a fevereiro de 2026, envolvendo profissionais da equipe multiprofissional e pacientes internados na unidade. O cenário apresentava desafios relacionados à adesão às práticas de prevenção de infecção, como higiene das mãos, manejo adequado de dispositivos invasivos e padronização de protocolos assistenciais. Diante dessa realidade, surgiu a necessidade de implementar estratégias institucionais voltadas ao fortalecimento das práticas de segurança do paciente e à redução das infecções hospitalares. A motivação do projeto foi promover melhorias na assistência, fortalecer a cultura de segurança e reduzir riscos relacionados à assistência à saúde.
Objetivo Geral: Implementar estratégias de prevenção e controle de infecções relacionadas à assistência à saúde em uma Unidade de Terapia Intensiva. Objetivos específicos: Fortalecer a adesão às práticas de higiene das mãos entre os profissionais de saúde Promover educação permanente sobre prevenção de infecções hospitalares Padronizar fluxos assistenciais relacionados ao manejo de dispositivos invasivos Monitorar indicadores relacionados às infecções hospitalares Estimular a cultura de segurança do paciente na unidade Criar formulário de notificação de eventos adversos voltado à segurança do paciente.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em uma Unidade de Terapia Intensiva de um hospital público. A implementação ocorreu por meio de uma série de estratégias institucionais voltadas à prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. Inicialmente, foi realizado um diagnóstico situacional da unidade, com a identificação dos principais fatores de risco associados à ocorrência de infecções hospitalares. A partir dessa análise, foram planejadas intervenções baseadas em protocolos de segurança do paciente e nas recomendações da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Entre as ações implementadas, destacam-se treinamentos e capacitações com a equipe multiprofissional e com o serviço de higienização, reforçando práticas relacionadas à higiene das mãos. Também foram realizadas a higienização dos leitos — com limpeza terminal do setor a cada 7 dias — e a limpeza concorrente diária dos leitos com álcool a 70%. Além disso, foi implementada a campanha de “adorno zero”, o uso adequado de equipamentos de proteção individual e o manejo seguro de dispositivos invasivos, como cateter venoso central, ventilação mecânica e cateteres urinários. Destaca-se também a implantação de bundles de prevenção relacionados ao uso de cateteres, com foco em inserção segura, manutenção adequada e retirada oportuna, visando à redução de infecções associadas a esses dispositivos. Ressalta-se ainda a substituição dos leitos por modelos elétricos e a aquisição de novos colchões, o que contribuiu para a prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e de lesões por pressão (LP). Também foram estabelecidos fluxos assistenciais padronizados, além da implantação de estratégias de monitoramento de indicadores de infecção hospitalar. As atividades foram realizadas em parceria com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.
A implementação das estratégias contribuiu para o fortalecimento das práticas de segurança do paciente na unidade. Observou-se maior adesão dos profissionais às medidas de prevenção de infecção, especialmente em relação à higiene das mãos, ao manejo adequado de dispositivos invasivos e à aplicação dos bundles para cateteres. Além disso, houve melhoria na organização dos processos assistenciais e maior integração entre os profissionais da equipe multiprofissional. As ações educativas favoreceram o aumento do conhecimento dos profissionais sobre a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. Os indicadores institucionais demonstraram avanços na qualidade da assistência prestada, com tendência à redução de eventos relacionados a infecções hospitalares e fortalecimento da cultura de segurança do paciente na unidade.
A experiência demonstrou que a implementação de estratégias estruturadas de prevenção de infecção hospitalar contribui significativamente para a melhoria da qualidade da assistência em unidades críticas. As ações educativas, associadas à padronização de fluxos, à implantação de bundles assistenciais e ao monitoramento de indicadores, favoreceram o fortalecimento da cultura de segurança do paciente. Além disso, a iniciativa apresentou potencial de replicabilidade em outras unidades hospitalares, podendo contribuir para a redução de eventos adversos e para o fortalecimento das práticas de cuidado seguro no âmbito do Sistema Único de Saúde. A continuidade das ações e o envolvimento da equipe multiprofissional são fundamentais para a sustentabilidade das melhorias alcançadas.