Autor(a)
KÁSSIA CARNEIRO PINHEIRO ALVES
Coautor(es)
TADEU DE ALMEIDA ALVES JUNIOR
NATALIE EVELYN DE SOUSA MENEZES
CÍCERO TIAGO FERNANDES PEREIRA
O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) foi instituído no Brasil pela Portaria nº 2.029/2011 e redefinido pela Portaria nº 825/2016, que o caracteriza como um serviço complementar ou substitutivo à internação hospitalar, composto por uma equipe multiprofissional. No município de Quixadá-CE, o SAD tem sido fundamental para promover a desospitalização segura, o conforto dos pacientes e a estabilização de suas condições de saúde no domicílio, evitando hospitalizações desnecessárias (BRASIL, 2016 WHO, 2019). Essa modalidade de assistência é especialmente relevante em um contexto em que o envelhecimento populacional e o aumento das doenças crônicas demandam modelos de cuidado mais integrados e próximos da realidade do paciente (MENDES, 2022). A atuação do coordenador do SAD é central para o sucesso do programa, uma vez que esse profissional é responsável por gerenciar a equipe multiprofissional, planejar as ações de cuidado e garantir a integração entre os diferentes serviços de saúde. Além disso, a visita domiciliar, estratégia central do SAD, permite não apenas o acompanhamento clínico, mas também a construção de vínculos de confiança e empatia com pacientes e familiares, fortalecendo a humanização do cuidado (SANTOS et al., 2020). Diante desse cenário, a experiência da coordenação do SAD em Quixadá-CE oferece reflexões e contribuições valiosas sobre os desafios e as estratégias para a consolidação desse serviço no âmbito do SUS.
2. OBJETIVO GERAL Descrever e analisar a experiência da coordenação do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) no município de Quixadá-CE, com foco nas visitas domiciliares aos pacientes assistidos pelo programa. 2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1.Descrever o papel do coordenador do SAD na organização e integração das ações da equipe multiprofissional, conforme as diretrizes da Portaria nº 825/2016 do Ministério da Saúde. 2.Analisar o impacto das visitas domiciliares no estabelecimento de vínculos de confiança e empatia com pacientes e familiares, destacando sua importância para o cuidado humanizado. 3.Identificar os principais desafios enfrentados pela coordenação no gerenciamento do programa
Este relato de experiência é descritivo e reflexivo, baseado na vivência prática da coordenadora do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) no município de Quixadá-CE. A metodologia incluiu observação participante e reflexão crítica sobre as ações desenvolvidas no programa, com foco no planejamento, execução e avaliação das atividades. A coleta de dados foi realizada por meio das visitas domiciliares aos pacientes assistidos pelo programa e relatórios de acompanhamento dos pacientes, abrangendo os meses de janeiro a março de 2025. A observação participante permitiu uma imersão no cotidiano do SAD, acompanhando as interações entre a equipe multiprofissional, os pacientes e seus familiares. A reflexão crítica foi utilizada para analisar os desafios enfrentados, como a gestão de conflitos, a comunicação de más notícias e a falta de recursos, bem como para identificar estratégias bem-sucedidas, tais como a a humanização do cuidado por meio das visitas domiciliares. A análise dos dados foi qualitativa, com ênfase na interpretação dos registros e na contextualização das experiências vivenciadas. As considerações éticas foram respeitadas, conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, garantindo o anonimato e a confidencialidade dos dados. O estudo foi embasado nas diretrizes do Ministério da Saúde e em referências teóricas sobre atenção domiciliar, gestão de equipes e cuidado humanizado (MINAYO, 2014 BRASIL, 2016 SANTOS et al., 2020).
Como coordenadora do SAD, a principal responsabilidade foi gerenciar e integrar as ações da equipe multiprofissional, composta por enfermeiros, médicos, assistente sociaal, fisioterapeutas, técnicos de enfermagem e nutricionista. As visitas aconteceram de acordo com o ciclo construído pela coordenação, em que há um rodízio no atendimento aos pacientes, a partir da monitorização de casos e discussão de estratégias de cuidado, com base no conhecimento das comorbidades dos pacientes (OLIVEIRA et al., 2021). As visitas domiciliares foram fundamentais para estabelecer vínculos de confiança e empatia com pacientes e familiares. Durante as visitas, foram observadas as condições de vida e foram adaptados os planos de cuidados, com destaque no suporte emocional aos envolvidos, sendo promovida a assistência humanizada e eficiente (SANTOS et al., 2020). A coordenação enfrentou desafios como a gestão do tempo, a comunicação de más notícias e o lidar com o sofrimento e o falecimento dos pacientes (MASLACH LEITER, 2016). Para superá-los, a equipe foi fortalecida através do compartilhamento de experiências e da busca coletiva por soluções. Apesar das dificuldades, o SAD em Quixadá-CE alcançou resultados significativos, como a redução de hospitalizações desnecessárias, a melhoria na qualidade de vida dos pacientes e a consolidação do vínculo entre a coordenação, a equipe, os pacientes e o cuidador, reforçando a importância da visita domiciliar para um cuidado humanizado e integral.
A experiência da coordenação do SAD em Quixadá-CE evidenciou o papel da coordenação na gestão da equipe multiprofissional e na organização do cuidado domiciliar. Sua atuação envolve mediação de conflitos, integração da equipe e alinhamento das ações às necessidades dos pacientes e familiares. A visita domiciliar mostrou-se essencial, fortalecendo vínculos de confiança e promovendo uma assistência humanizada e eficaz, além de permitir um acompanhamento mais próximo e personalizado, adaptado às realidades locais. No entanto, a prática revelou desafios como a complexidade dos casos, marcados por comorbidades e vulnerabilidade social, exigindo profissionais capacitados e atualizados. O desgaste emocional decorrente do contato com o sofrimento e a eventual morte dos pacientes também demanda um sólido fortalecimento psicológico da equipe. Diante disso, investir em capacitação, suporte emocional e ampliação de recursos é fundamental para fortalecer o SAD e garantir um cuidado integral e de qualidade no município, beneficiando tanto os pacientes quanto os profissionais envolvidos. Essas ações são essenciais para a consolidação do SAD como um modelo de atenção eficaz e sustentável no SUS.