Autor(a)
AMAURILIO OLIVEIRA NOGUEIRA
Coautor(es)
AMAURILIO OLIVEIRA NOGUEIRA
ANA MEIRE BATISTA
CAIO JOSÉ FLORÊNCIO DOS ANJOS
JUCIANA FARIAS DA SILVA
RITA DE CÁSSIA GADELHA DA SILVA
CLÁUDIA MARIA LIMA SILVA
AURISVÂNIA RODRIGUES DA SILVA
RAQUEL RONITHELLY MENEZES DE SOUSA
MARINA SANTOS SARAIVA
A lesão por pressão (LP) é um problema comum que afeta os usuários em todas as idades e com incapacidades físicas. A pressão contínua, o cisalhamento ou a fricção podem provocar oclusão microvascular, isquemia e necrose local causando um impacto significativo nos usuários, familiares e sistema de saúde, por ser recorrente, incapacitante e repercutir, de forma severa, na qualidade de vida ao causar dor, sofrimento, aumento do tempo de internação e complicações associadas a doenças de base. O tempo de internação prolongado pode inferir em perda da autonomia e prognóstico desfavorável relacionando-se com a ocorrência de eventos adversos. Assim, recomenda-se uma avaliação criteriosa sobre a decisão de internamento e o momento adequado da alta, com o intuito de garantir o tempo mínimo de permanência, redução de intercorrências como a LP e dos custos hospitalares. Objetiva-se relatar a eficácia da aplicação da sistematização da assistência de enfermagem (SAE) no tratamento de uma LP complexa dentro da UTI por meio do trabalho focado da equipe de enfermagem, realizado com uma usuária internada em leito de UTI no hospital de referência do município de Eusébio, bem como de divulgar os resultados das intervenções e progressão do caso, pois este estudo avalia, mais especificamente, o processo de cicatrização, a determinação do tempo de cicatrização, as coberturas utilizadas no tratamento, a identificação dos diagnósticos/resultados e o impacto no custo-efetividade para o serviço público
Descrever a experiência da aplicação da sistematização da SAE no tratamento de uma lesão por pressão complexa em um serviço de terapia intensiva.
Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo, do tipo estudo de caso clínico, realizada em uma UTI do hospital referência do município de Eusébio do estado do Ceará, no período de janeiro de 2024 a março de 2024. O recorte da experiência foi elaborado a partir do curso clínico e intervenção iniciadas no D0 (dia da primeira intervenção) até o D21 (último dia de intervenção). Constituiu-se a amostra de um paciente com 02 lesões por pressão. Analisou-se a variável área lesada, considerando o seu aumento ou a sua redução, no decorrer do período em avaliação, em porcentagem. Constaram-se, para protocolo de pesquisa, procedimentos de entrevista, exame físico, planigrafia e registro fotográfico das lesões, bem como a consulta ao prontuário. Utilizou-se a taxonomia da CIPE para a realização dos diagnósticos de Enfermagem para aplicação da SAE de acordo com as necessidades da lesão (tipo, localização, conteúdo microbiano, exsudato, bordas, pele adjacente, dor, mensuração). Consideraram-se os preceitos éticos e legais que envolvem a pesquisa com seres humanos, conforme a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, e assinou-se o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelo participante.
Paciente M.C.O.S., sexo feminino, 27 anos. Hipótese diagnostica: Sindrome neuroléptica maligna? + Pneumonia broncoaspirativa. Proveniente do município de Eusebio. Foi referenciada do hospital mental de Messejana ao hospital são Jose, a fim de realizar tomografia de crânio e punção lombar para descartar infecção de SNC, porém ambos sem achados. Paciente apresentou piora do quadro clínico, episódios de febre e hipossaturação, hipersecreção pulmonar e dispneia, além de rigidez articular e foi intubada na origem. Admitida no dia 23/01/2024 no serviço de terapia intensiva sob Ventilação mecânica, intubada e sem suporte de drogas vasoativas, porém com sedação e analgesia. Apresenta pele lesionada com lesão tissular profunda em calcâneos, região sacra, trocantérica e fibular. Após aplicação da SAE elencamos atividades dentro processo de enfermagem que incorreram em melhora significativa do quadro. Em um período de 14 dias evoluímos as lesões tissulares profundas para estágio IV e III com o suporte de desbridamento auto lítico com alginato de cálcio com prata e uso de colagenase em esfacelo encontrado na lesão. Atualmente as lesões seguem em plena cicatrização com a ausência de necrose local. Tais ações englobaram: Aprazamento de trocas de curativos de acordo com o protocolo utilizado, sinalização da cobertura em uso na SAE, controle de biofilme local, estimulação a movimentos a beira leito e mudança de decúbito ativa e passiva.
Apontam-se a importância e a atuação de uma equipe de Enfermagem para o cuidado de pacientes com lesões e uma assistência qualificada baseada em tomadas de decisões que reduzam o tempo de permanência destes pacientes na UTI, bem como sejam ações de baixo custo. Concluiu-se que houve uma melhora importante no processo de cicatrização da LP tratada com associação de 03 técnicas de desbridamento auto lítico (Alginato de Cálcio e prata), instrumental e enzimático (colagenase), demonstrada através resultado das cicatrizações e evolução das lesões, além da aplicação da SAE como uma estratégia de avaliação detalhada da evolução do processo cicatricial, demonstrando ser uma alternativa para avaliar a efetividade das intervenções para a equipe de enfermagem. Considera-se que alguns desafios podem surgir no decorrer do processo de trabalho, dificultando a realização satisfatória da assistência, dentre os quais destaca-se a escassez de recursos e materiais para o tratamento das lesões e despreparo técnico de alguns profissionais da equipe na grande área do tratamento de lesões.