Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Pedro Vitor Ferreira Máximo
Coautor(es)
Maria de Fátima de Oliveira Frutuoso
Ivo de Oliveira Leal
Camilla Ferreira de Alencar da Costa
Mirella Keline Leandro Costa
Esaú Limeira Tavares
A Atenção Primária à Saúde desempenha papel essencial no acompanhamento de pessoas com doenças crônicas, como o Diabetes Mellitus, sendo responsável pela coordenação do cuidado e prevenção de complicações. No entanto, em territórios extensos e marcados por barreiras geográficas, o acesso aos serviços de saúde torna-se limitado, comprometendo o acompanhamento clínico regular e aumentando o risco de agravos. A Unidade Básica de Saúde do Riacho Verde, localizada no município de Várzea Alegre (CE), abrange um território amplo, com diversas comunidades rurais e áreas de difícil acesso, incluindo regiões de serra e localidades com acesso por estradas carroçais. Nessas áreas, muitos usuários enfrentam dificuldades de deslocamento até a unidade de saúde ou aos serviços laboratoriais disponíveis na sede do município, o que impacta diretamente na continuidade do cuidado. Um caso emblemático que evidenciou essa realidade foi o de uma paciente residente em uma serra isolada, conhecida como Dona Isabel, situada a aproximadamente 10 km da estrada principal. Devido às limitações de acesso e à ausência de acompanhamento regular, a paciente evoluiu com retinopatia diabética, complicação grave que pode levar à perda parcial ou total da visão. Diante desse cenário, a equipe da UBS Riacho Verde estruturou uma estratégia de atenção descentralizada, voltada ao acompanhamento de pacientes diabéticos em áreas de difícil acesso, levando assistência clínica e coleta de exames laboratoriais diretamente às comunidades, com foco na ampliação do acesso, continuidade do cuidado e redução de iniquidades em saúde.
OBJETIVOS Objetivo geral Ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, monitoramento e acompanhamento de pessoas com Diabetes Mellitus residentes em áreas de difícil acesso no território da UBS Riacho Verde, promovendo equidade no cuidado e melhoria dos indicadores de saúde. Objetivos específicos Identificar e mapear pacientes com Diabetes Mellitus em situação de vulnerabilidade territorial, com foco em áreas de difícil acesso. Realizar atendimentos descentralizados por meio de ações itinerantes em comunidades isoladas, ampliando a cobertura assistencial. Viabilizar a coleta de exames laboratoriais, especialmente glicemia em jejum e hemoglobina glicada (HbA1c), como indicador de controle da doença. Prevenir e detectar precocemente complicações do diabetes, como retinopatia, nefropatia e neuropatia. Fortalecer o vínculo entre equipe de saúde e população, estimulando adesão ao tratamento, autocuidado e continuidade do acompanhamento.
A experiência foi desenvolvida pela equipe multiprofissional da Atenção Primária à Saúde da UBS Riacho Verde, com participação integrada de médico, enfermeira, técnica de enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), garantindo uma abordagem interdisciplinar e centrada nas necessidades do território. Inicialmente, foi realizado um diagnóstico situacional, por meio do levantamento dos pacientes com Diabetes Mellitus residentes em áreas de difícil acesso, utilizando dados dos registros da unidade (e-SUS APS) aliados ao conhecimento territorial dos ACS. Esse processo permitiu identificar indivíduos em situação de vulnerabilidade, com dificuldade de acesso aos serviços de saúde e acompanhamento irregular. A partir desse mapeamento, foram definidas comunidades prioritárias para intervenção, considerando critérios como distância da unidade, barreiras geográficas, condições de acesso e baixa adesão ao acompanhamento. As ações foram organizadas de forma descentralizada, com planejamento prévio e realização de atendimentos itinerantes nas comunidades selecionadas, contando com a mobilização ativa dos usuários pelos ACS. Durante as ações, os pacientes passaram por avaliação clínica, incluindo verificação de sinais vitais, análise do controle glicêmico, identificação de fatores de risco e investigação de possíveis complicações relacionadas ao diabetes. Paralelamente, foram realizadas orientações em saúde voltadas ao uso correto de medicamentos, alimentação adequada, prática de atividade física e incentivo ao autocuidado. Como estratégia de monitoramento da doença, foram realizadas coletas de exames laboratoriais, com ênfase na glicemia em jejum e hemoglobina glicada (HbA1c), principal indicador de controle glicêmico. As coletas foram realizadas pelo Agente Comunitário de Saúde Pedro Vitor Ferreira Máximo, com formação em Biomedicina, garantindo suporte técnico qualificado ao procedimento. As amostras foram devidamente acondicionadas conforme normas de biossegurança e encaminhadas para análise em laboratório parceiro. Após a liberação dos resultados, os exames foram avaliados pela equipe de saúde da unidade, que definiu as condutas clínicas individualizadas para cada paciente, incluindo ajustes terapêuticos e encaminhamentos quando necessário. Posteriormente, os resultados e orientações foram repassados aos ACS responsáveis pelas microáreas, que realizaram a entrega domiciliar aos pacientes, reforçando as orientações de acompanhamento e tratamento.
A experiência possibilitou ampliar o acesso ao cuidado e ao acompanhamento de pessoas com Diabetes Mellitus residentes em áreas rurais e de difícil acesso no território da UBS Riacho Verde, promovendo maior equidade na assistência à saúde. A realização da coleta de glicemia em jejum e hemoglobina glicada (HbA1c) diretamente nas comunidades permitiu que pacientes com dificuldade de acesso aos serviços laboratoriais realizassem o monitoramento adequado da doença, superando barreiras geográficas históricas. O impacto da ação foi significativo no território, ao levar assistência qualificada e diagnóstico laboratorial a usuários que anteriormente apresentavam acompanhamento irregular. A estratégia reduziu a necessidade de deslocamento até a sede do município, ampliando o acesso ao cuidado em comunidades isoladas e favorecendo a adesão ao acompanhamento. Além disso, a iniciativa possibilitou a identificação de pacientes com controle glicêmico inadequado, permitindo a adoção de condutas clínicas mais precisas, com orientações individualizadas, ajustes terapêuticos e intensificação do cuidado quando necessário. Outro impacto relevante foi o fortalecimento do vínculo entre a equipe de saúde e a população, potencializado pela atuação dos Agentes Comunitários de Saúde nas microáreas, especialmente na entrega dos resultados e no acompanhamento contínuo dos usuários. Adicionalmente, a experiência contribuiu para a ampliação do acesso ao diagnóstico e monitoramento do diabetes, a detecção precoce de complicações, a redução das barreiras de acesso aos serviços de saúde e o fortalecimento do cuidado territorial na Atenção Primária, com impacto positivo na qualidade da assistência e nos indicadores de acompanhamento da doença.
A realização de atendimentos descentralizados associados à coleta de exames laboratoriais em áreas de difícil acesso demonstrou ser uma estratégia eficaz para ampliar o cuidado às pessoas com Diabetes Mellitus no território da UBS Riacho Verde, promovendo maior acesso, resolutividade e continuidade do acompanhamento. A experiência evidencia a relevância da organização territorial da Atenção Primária à Saúde, especialmente em contextos rurais e geograficamente isolados, onde as barreiras de acesso impactam diretamente o controle das doenças crônicas e os desfechos em saúde. A articulação entre equipe multiprofissional, Agentes Comunitários de Saúde e laboratório parceiro mostrou-se fundamental para a redução das desigualdades no acesso ao diagnóstico e monitoramento do diabetes, qualificando a assistência prestada e fortalecendo o cuidado centrado no usuário. Além disso, a iniciativa reforça o papel estratégico dos ACS no cuidado territorial, ampliando o vínculo com a população e favorecendo a adesão ao tratamento e ao acompanhamento contínuo. Por fim, a experiência apresenta elevado potencial de replicação em territórios com características semelhantes, contribuindo para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, a ampliação do acesso e a promoção da equidade na atenção à saúde.