Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
Maria Liliane Freitas Mororó
Coautor(es)
Michelle Alves Vasconcelos Ponte
Viviane Oliveira Mendes Cavalcante
Rosana Liberato Lopes
Anagelma Moreira Aguiar
Maria do Socorro Teixeira de Sousa
Maria José Galdino
Paola Lopes Lima
A infância constitui um período decisivo para o desenvolvimento humano, sendo fundamental a identificação precoce de sinais e manifestações do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), a fim de possibilitar intervenções oportunas e reduzir impactos no desenvolvimento cognitivo, comunicacional e comportamental. Nesse contexto, a organização da rede de cuidados e a qualificação dos profissionais de saúde são fundamentais para garantir atenção integral às pessoas com TEA e suas famílias. A Educação Permanente em Saúde (EPS) constitui estratégia estruturante para o fortalecimento das práticas assistenciais no Sistema Único de Saúde (SUS) , promovendo reflexão crítica sobre o processo de trabalho e qualificando a organização das ações no território. No âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), a EPS favorece o aprimoramento do manejo clínico, o fortalecimento do cuidado interdisciplinar e a articulação entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS). A experiência relatada foi desenvolvida no município de Sobral-CE e emergiu a partir de demandas identificadas pelos trabalhadores dos Centros de Saúde da Família (CSF). A iniciativa buscou qualificar o processo de trabalho das equipes por meio de uma estratégia formativa interdisciplinar .voltada ao manejo do cuidado às pessoas com TEA, contribuindo para o fortalecimento da linha de cuidado, ampliação do acesso e qualificação da assistência no território.
Objetivo geral Relatar a experiência de Educação Permanente em Saúde para qualificação do cuidado às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo na Atenção Primária à Saúde. Objetivos específicos • Identificar necessidades formativas dos profissionais da APS relacionadas ao cuidado às pessoas com TEA. • Promover espaços de reflexão coletiva sobre práticas de cuidado e desafios do cotidiano dos serviços. • Fortalecer o trabalho interdisciplinar das equipes de saúde no acompanhamento de usuários com TEA. • Contribuir para a organização da linha de cuidado na Rede de Atenção à Saúde, ampliando o acesso e a qualidade da assistência.
Trata-se de um relato de experiência referente à realização de ação de EPS promovida pelo Núcleo Municipal de Educação Permanente em Saúde (NUMEPS) da Escola de Saúde Pública Visconde de Sabóia (ESP-VS), no município de Sobral, Ceará. A atividade foi planejada a partir do levantamento de necessidades formativas realizado junto aos gerentes dos Centros de Saúde da Família (CSF), por meio de questionário eletrônico. A partir das demandas identificadas, foi estruturado um encontro formativo voltado ao manejo do cuidado às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). A ação ocorreu em setembro de 2025, na EPS-VS, utilizando metodologias participativas, com exposição dialogada, roda de conversa, discussão de casos clínicos e apresentação de evidências científicas relacionadas ao cuidado interdisciplinar no TEA. Participaram 68 trabalhadores da APS, incluindo enfermeiros, psicólogos, profissionais de educação física, nutricionistas, farmacêuticos, cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, fonoaudiólogo e médico. Durante o encontro foram discutidos aspectos relacionados ao diagnóstico do TEA, fluxos de encaminhamento na Rede de Atenção à Saúde (RAS), estratégias de acolhimento às famílias e contribuições das diferentes categorias profissionais no cuidado integral. A atividade buscou fortalecer a integração entre profissionais, ampliar conhecimentos e promover reflexão crítica sobre os desafios presentes no cotidiano do trabalho em saúde.
A ação de EPS promoveu espaço de escuta, diálogo e troca de experiências entre diferentes categorias profissionais da APS. As discussões evidenciaram lacunas no manejo do cuidado às pessoas com TEA, especialmente relacionadas ao processo diagnóstico, aos fluxos de encaminhamento na RAS e às dificuldades decorrentes da alta demanda por serviços especializados. O encontro formativo possibilitou a construção coletiva de estratégias para qualificação do cuidado, fortalecendo o trabalho interdisciplinar e a corresponsabilização das equipes no acompanhamento dos usuários e suas famílias. Destacou-se a importância da atuação integrada de diferentes profissionais no cuidado às pessoas com TEA, incluindo suporte psicossocial, orientação nutricional diante da seletividade alimentar, acompanhamento funcional e garantia de direitos sociais. A experiência também contribuiu para ampliar a compreensão dos profissionais sobre a organização da linha de cuidado no território, fortalecendo princípios do SUS como integralidade, equidade e humanização da assistência
A experiência evidenciou o potencial da Educação Permanente em Saúde como estratégia de transformação do processo de trabalho na Atenção Primária, favorecendo a qualificação do cuidado às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo. Os espaços formativos possibilitaram a construção coletiva de conhecimentos, o fortalecimento do trabalho interdisciplinar e a reflexão crítica sobre os desafios enfrentados pelas equipes no cotidiano dos serviços. Destaca-se como inovação da experiência a utilização de metodologias participativas baseadas na problematização de casos reais do território, favorecendo maior aproximação entre teoria e prática no processo formativo. A iniciativa apresenta potencial de replicabilidade em outros municípios, podendo contribuir para o fortalecimento da linha de cuidado às pessoas com TEA, ampliação do acesso qualificado e consolidação de práticas de cuidado inclusivas no SUS. A experiência reafirma a EPS como ferramenta estratégica para qualificar o cuidado e fortalecer a RAS mais inclusivas, resolutivas e centradas nas necessidades das pessoas com TEA e suas famílias.