Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Janaina Mota da Rocha
Coautor(es)
Elizamara Silva Saldanha Lima
Uyara Mara Costa de Sousa
Jamile Ferreira de Oliveira
Cristilene Galvao da Silva
A transformação digital na saúde tem ampliado significativamente a capacidade de resposta da Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente em municípios que enfrentam desafios relacionados ao acesso e à oferta de especialistas. Nesse cenário, o Telessaúde surge como tecnologia estratégica para subsidiar decisões clínicas, apoiar a gestão do cuidado e fortalecer a resolutividade das equipes. No Ceará, a estrutura estadual de Telessaúde tem permitido a integração entre profissionais da APS e especialistas, promovendo agilidade no manejo de casos clínicos, revisões terapêuticas e melhoria da coordenação do cuidado. O município de Horizonte/CE, com 81.161 habitantes (SIAPS, 2026), organizado em 26 equipes de Saúde da Família e 03 eMulti atento a esses avanços, implementou o uso sistemático do Telessaúde como ferramenta de suporte assistencial e clínico, para redução do absenteísmo e sobrecarga da Regulação. Entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, foram registradas 289 teleconsultas e teleconsultorias, contemplando especialidades frequentemente demandadas pela APS, como pneumologia, proctologia, nefrologia, infectologia e hematologia. A experiência evidencia que o uso cotidiano dessa ferramenta, fortalece a segurança clínica dos profissionais, otimiza fluxos assistenciais e contribui para a qualificação do cuidado no SUS.
Descrever a experiência de integração do Telessaúde ao processo de trabalho das equipes da Atenção Primária à Saúde do município de Horizonte/CE, evidenciando seus efeitos sobre a prática clínica e impactos na ampliação do acesso e redução do tempo de espera. Objetivos específicos: 1) Relatar a vivência municipal no uso do Telessaúde entre 2024 a 2026 2) Caracterizar as principais especialidades acionadas e o perfil da demanda apresentada 3) Analisar como as teleconsultas e teleconsultorias contribuíram para qualificar condutas, apoiar decisões clínicas e orientar encaminhamentos 4) Evidenciar os impactos percebidos na resolutividade da APS e na organização da rede de atenção 5) Apresentar o fluxo integrado entre APS, Telessaúde e Regulação.
Este estudo configura-se como um relato de experiência, baseado na utilização do Telessaúde pelas equipes de Atenção Primária do município de Horizonte/CE. A experiência abrange o período de janeiro de 2024 a janeiro de 2026 com 289 solicitações de teleconsultas e teleconsultorias registradas pelas equipes, na plataforma estadual Saúde Digital. A construção do relato utilizou como fontes, os registros administrativos municipais, plataforma municipal de Regulação, planilhas de acompanhamento, documentos enviados ao Telessaúde Ceará, os fluxos construídos, os registros das evoluções no eSus/PEC, como também no Fast Medic e as observações do processo de trabalho das equipes da APS. As informações foram organizadas segundo especialidades acionadas, data de solicitação, situação da consulta (realizada, agendada, devolvida, não realizada ou aguardando) e orientações clínicas fornecidas pelos especialistas. O enfoque metodológico consiste na integração entre Atenção Primária, Central de Regulação e Telessaúde com a elaboração do fluxo assistencial, análise de como as devolutivas dos especialistas influenciam as condutas clínicas e identificação de aprendizados, desafios e mudanças geradas no processo de cuidado local. Por se tratar de dados secundários não identificáveis, o relato respeita os princípios éticos e não envolve risco aos usuários. A sistematização seguiu abordagem qualitativa-descritiva, centrada na experiência concreta do município e nos efeitos percebidos pelas equipes da APS.
A experiência evidenciou que o Telessaúde se consolidou como ferramenta essencial no cotidiano da Atenção Primária a Saúde (APS) de Horizonte/CE. Dentre os 289 registros, as especialidades mais demandadas foram pneumologia, proctologia, nefrologia, infectologia e hematologia, refletindo necessidades clínicas frequentes da população atendida. As teleconsultorias ofereceram suporte direto às decisões médicas, orientando diagnóstico, tratamento, interpretação de exames e definição de critérios adequados de encaminhamento. Grande parte dos casos obteve resolução na própria APS após orientações especializadas, o que contribuiu para redução de encaminhamentos desnecessários, otimização das filas de regulação e maior precisão na identificação de situações que realmente exigiam avaliação presencial na média ou alta complexidade. Observou-se também melhoria significativa na segurança clínica dos profissionais, que relataram maior assertividade na condução terapêutica e maior confiança nas decisões. As devolutivas dos especialistas, frequentemente indicando “manter acompanhamento na ESF” ou “sem perfil para a especialidade”, reforçaram a importância do Telessaúde na triagem qualificada e no uso racional da rede assistencial. A experiência demonstrou redução do absenteísmo, diminuição do tempo de espera e encaminhamentos desnecessários, maior resolutividade da APS, educação permanente em serviço com a interação junto aos especialistas, superação de desafios na construção de protocolos clínicos locais e fortalecimento da integração entre Atenção Primária a Saúde e Central de Regulação Municipal.
A experiência de Horizonte/CE evidencia que a integração do Telessaúde à APS fortalece de maneira significativa a resolutividade local, qualifica as condutas clínicas e aprimora a organização da rede de atenção. O acesso rápido às orientações de especialistas contribuiu para maior segurança dos profissionais, aumento da precisão diagnóstica e melhor definição de prioridades assistenciais. A ferramenta permitiu identificar com mais clareza os casos que necessitavam encaminhamento à média ou alta complexidade, ao mesmo tempo em que evitou deslocamentos e consultas presenciais desnecessárias. O uso sistemático do Telessaúde mostrou ser um recurso estratégico para a transformação digital no SUS, alinhado aos princípios da integralidade, coordenação do cuidado e eficiência na utilização dos serviços. Recomenda-se sua manutenção e ampliação, bem como o fortalecimento da integração com outros sistemas digitais municipais, visando consolidar a saúde digital como componente estruturante da APS.