Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Leidiana do Nascimento Pinto
Coautor(es)
Antônio Denelles Rodrigues de Sousa
Antônio Otacílio Eloi Neto
Rodrigo Marques Damasceno
Sara Leite Fernandes
Michelle Alves Vasconcelos Pontec
Viviane Oliveira Mendes Cavalcante
Antônia Márcia Macêdo de Sousa
A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel fundamental na promoção da saúde e na construção de estratégias de cuidado que dialoguem com a realidade dos territórios. Nesse contexto, torna-se essencial desenvolver ações que extrapolem os espaços tradicionais dos serviços de saúde, promovendo a participação comunitária, o fortalecimento de vínculos e a adoção de hábitos de vida saudáveis. No período pós-pandemia, observou-se a intensificação de diferentes demandas relacionadas à saúde física, mental e social da população, evidenciando a necessidade de práticas de autocuidado, convivência comunitária e promoção do bem-estar. Entre essas estratégias, a prática de atividades físicas tem se destacado como importante aliada na promoção da saúde. A corrida de rua, por sua vez, apresenta-se como uma prática acessível e potencialmente mobilizadora, capaz de integrar diferentes atores do território e estimular a participação comunitária em ações de promoção da saúde. No território de atuação de um Centro de Saúde da Família no município de Sobral, Ceará, identificou-se a presença de grupos comunitários de corrida, frequentados por moradores da comunidade e agentes comunitários de saúde, configurando-se como importante potencial para o desenvolvimento de ações coletivas. A partir dessa realidade, a equipe de residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, em parceria com trabalhadores da unidade e atores do território, desenvolveu a iniciativa “Todos Correm Pela Vida”, baseada na realização de corridas comunitárias temáticas articuladas a diferentes campanhas de saúde, como setembro amarelo, outubro rosa e ações alusivas ao Dia Internacional da Mulher. A proposta dialoga com os princípios da educação popular em saúde, inspirada no pensamento de Paulo Freire, ao reconhecer o território como espaço de construção coletiva do cuidado e de produção de saberes, valorizando a participação ativa da comunidade nas ações de promoção da saúde.
Relatar a experiência da iniciativa “Todos Correm Pela Vida”, baseada na realização de corridas comunitárias temáticas como estratégia de promoção da saúde, incentivo à prática de atividade física e fortalecimento do vínculo entre serviço de saúde e comunidade no território da Atenção Primária à Saúde. Objetivos Específicos •Promover educação em saúde sobre diferentes temas prioritários de saúde por meio de corridas temáticas no território. •Incentivar a prática de atividade física como estratégia de promoção da saúde e bem-estar físico e mental. •Fortalecer o vínculo entre equipe de saúde, usuários e comunidade por meio de uma ação coletiva no território. •Estimular a participação social e a articulação intersetorial na construção de ações de promoção da saúde na Atenção Primária à Saúde.
Trata-se de um estudo de caráter descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido por residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família, a equipe de residentes, composta por profissionais das áreas de psicologia, serviço social, odontologia e enfermagem, com acompanhamento de tutoria acadêmica da Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia, no município de Sobral, Ceará. A experiência refere-se à organização e realização de corridas temáticas, desenvolvidas no território como estratégia de promoção da saúde e incentivo à prática de atividade física no âmbito da Atenção Primária à Saúde. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de desenvolver ações que extrapolassem os espaços tradicionais do serviço de saúde, ampliando o diálogo com a comunidade e fortalecendo estratégias de promoção da saúde no território. A iniciativa foi estruturada a partir da realização de corridas comunitárias temáticas no território. A primeira edição ocorreu no dia 16 de setembro de 2025, às 17h, em alusão à campanha setembro amarelo, abordando a temática da saúde mental. A segunda edição foi realizada no dia 21 de outubro de 2025, às 19h, articulada à campanha outubro rosa, com foco na sensibilização sobre o câncer de mama. A terceira edição está prevista para o dia 24 de março de 2026, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, ampliando a discussão sobre saúde da mulher e promoção do autocuidado. O planejamento da atividade ocorreu de forma coletiva. Inicialmente, foi realizado o reconhecimento das potencialidades do território, identificando a existência de grupos comunitários de corrida frequentados por moradores e por agentes comunitários de saúde da unidade, o que favoreceu a articulação da proposta. A partir dessa identificação, foram realizadas reuniões de planejamento para definição do percurso, data e horário da corrida. Também foram estabelecidas parcerias intersetoriais, com destaque para a Secretaria de Trânsito e Transporte, responsável por apoiar a organização do fluxo de veículos e garantir a segurança dos participantes durante o percurso. A divulgação da atividade ocorreu por meio de diferentes estratégias, incluindo redes sociais, grupos comunitários, salas de espera e articulação com grupos de corrida da cidade. Para organização dos participantes, foi disponibilizado um formulário online para inscrição, possibilitando estimar o número de participantes e reforçar informações sobre o evento.
A realização das corridas comunitárias temáticas mobilizou trabalhadores da saúde, usuários do território e grupos comunitários, promovendo espaços coletivos de cuidado, convivência e educação em saúde. Ao longo das edições realizadas, as corridas reuniram aproximadamente 150 participantes, entre profissionais de saúde, moradores da comunidade e integrantes de grupos de corrida do município, evidenciando o potencial de mobilização social presente no território. Observou-se que a corrida se constituiu como estratégia potente de promoção da saúde, ampliando a visibilidade das ações do Centro de Saúde da Família e estimulando a adoção de hábitos de vida mais saudáveis. Além disso, a atividade favoreceu a aproximação entre diferentes atores do território, como profissionais de saúde e instituições parceiras, demonstrando a importância da intersetorialidade na construção de ações de promoção da saúde. A experiência também evidenciou que atividades comunitárias ao ar livre contribuem para o fortalecimento dos laços sociais, aspecto especialmente relevante no contexto pós-pandemia, marcado pelo aumento de situações de vulnerabilidade social e sofrimento psíquico. Diante da repercussão positiva da iniciativa, a estratégia passou a ser incorporada ao calendário de ações do território, sendo posteriormente planejada para outras datas, como é caso do Dia Internacional da Mulher. Dessa forma, a experiência ampliou seu potencial de promoção da saúde, fortalecendo práticas de vida saudável, convivência comunitária e participação social. Assim, iniciativas como a corrida comunitária demonstram grande potencial como estratégias de cuidado ampliado e promoção da saúde. Ao mesmo tempo esse processo fortalece a formação dos residentes enquanto sujeitos implicados na produção do cuidado, como destaca Emerson Merhy (2006), “o seu problema é que além de sujeito interessado, você é sujeito implicado”, que se envolve e se transforma nas relações construídas no cotidiano dos serviços.
A experiência demonstrou que ações comunitárias simples, como corridas de rua organizadas pela equipe da Atenção Primária à Saúde, podem se constituir como estratégias inovadoras e eficazes de promoção da saúde no território. A iniciativa fortaleceu o vínculo entre profissionais e comunidade, ampliou o diálogo sobre temas relevantes de saúde e incentivou práticas de vida mais saudáveis. Inspirada nos princípios da educação popular em saúde, a experiência evidencia que o cuidado em saúde pode ser construído de forma coletiva, valorizando os saberes e a participação da comunidade, conforme apontado por Paulo Freire ao defender práticas educativas baseadas no diálogo e na construção compartilhada do conhecimento. Além disso, evidenciou o potencial das ações intersetoriais e da participação comunitária na construção de estratégias de cuidado mais integradas e próximas da realidade do território. Destaca-se ainda o caráter replicável da experiência, que pode ser adotada por outras equipes de saúde como forma de fortalecer a promoção da saúde e a participação social no SUS