Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Juliana Barcelos Barbosa Pelucio
Coautor(es)
Mirislandia Salmito Campos
Maria Adelaide Moura da Silveira
Isabelle Penha Rodrigues
Roberto Wagner Júnior Freire de Freitas
Andressa Oliveira Braz Dias
Adalia Samara Gadelha de Holanda Lima
Lorieny Souza Rocha
Olimpia Maria Freire de Azevedo
O trabalho expõe o relato de experiência do projeto “Transitando pelas Etnias”, que visa realizar ações de educação de trânsito para comunidades escolares indígenas, quilombolas e do campo. O projeto teve início em janeiro de 2025, a partir de uma iniciativa da Autarquia Municipal de Trânsito (AMT) em parceria com a célula das etnias da Secretaria de Educação e o Programa Saúde na Escola de Caucaia, Ceará. A valorização da diversidade cultural e social das comunidades envolvidas garante a inclusão e efetividade das ações, respeitando especificidades locais e ampliando o alcance das intervenções educativas. Acidentes de trânsito são responsáveis pela segunda maior incidência de óbitos no grupo de causas externas para a população jovem. Essa população apresenta maior risco de morrer por violências e acidentes, quando comparado com a população em geral. Na juventude, a desigualdade racial é mais acentuada. Jovens negros e indígenas possuem maior risco de morer por violências e acidentes, praticamente o dobro das taxas dos jovens brancos e amarelos. A promoção da segurança no trânsito representa um componente crucial nas políticas públicas e na formação cidadã, com o propósito explícito de reduzir o número de acidentes e preservar vidas. Além disso, o desenvolvimento de habilidades e competências para lidar com situações de trânsito revela-se essencial, pois amplia a capacidade individual e coletiva de reagir adequadamente a diferentes cenários viários. Fomentar a conscientização sobre a importância da segurança no trânsito, por meio de ações educativas planejadas, é parte constitutiva dessas estratégias. A escola é um ambiente propício para que sejam realizadas ações de prevenção de acidentes e violências. Essa é uma das temáticas contempladas pelo Programa Saúde na Escola (PSE), uma política intersetorial da Saúde e da Educação, que foi instituída pelo Decreto Presidencial nº 6.286, de 5 de dezembro de 2007, que tem como público-alvo os alunos da rede pública.
3.1 Objetivo Geral: O objetivo deste trabalho é relatar a experiência da ação de promoção de educação para o trânsito nas escolas indígenas, quilombolas e do campo, bem como em seu entorno, envolvendo toda a comunidade escolar, no município de Caucaia, por meio do Programa Saúde na Escola (PSE). 3.2 Objetivos Específicos: Promover ações educativas voltadas à prevenção de acidentes de trânsito no entorno de escolas indígenas, quilombolas e do campo Relatar atividades educativas realizadas para alunos e comunidade em geral, com o objetivo de multiplicar a consciência sobre um trânsito mais seguro e humanizado.
O presente trabalho é uma pesquisa descritiva qualitativa que busca relatar o projeto Transitando pelas Etnias, cujo objetivo é promover ações de prevenção de acidentes e violências no entorno de escolas indígenas, quilombolas e do campo, por meio de educação de trânsito e intervenções estruturais. Os critérios utilizados para a escolha das escolas participantes do projeto foram: especificidades étnicas e raciais (Povos Indígenas, Quilombolas e Escolas do campo) localização, tendo sido priorizadas aquelas situadas às margens de rodovias federais levantamento dos índices de acidentes nas redondezas aos estabelecimentos de educação número de notificações de infrações de trânsito, como ausência do uso de capacete e áreas com necessidades de sinalização de trânsito. diz respeito a uma avaliação técnica, que se deu por meio de levantamento de necessidades nas comunidades envolvidas no município de Caucaia, Ceará. Foram selecionadas nove escolas municipais, que incluem alunos da educação infantil até a educação de jovens e adultos, totalizando 1.894 estudantes. A primeira fase do projeto teve duração de três meses, quando foram realizadas ações de diagnóstico situacional, como questionários e entrevistas com os profissionais das escolas participantes do projeto, identificação das necessidades específicas em relação aos fatores logísticos para as ações de educação de trânsito, levantamento de necessidades de infraestrutura, capinação e sinalização de trânsito. Paralelo a isso, foram elaborados materiais educativos específicos para cada comunidade escolar, capacitação para educadores e líderes comunitários sobre o projeto Transitando pelas etnias, realização das melhorias de infraestrutura para a comunidade, ações de educação de trânsito para os educandos com distribuição de materiais educativos e realização de atividades práticas. Além das atividades educativas também foram realizadas intervenções na infraestrutura interna e externa das escolas, atendendo às necessidades locais por meio de sinalização adequada, capinação e melhorias nas vias de acesso.
Das escolas selecionadas, quatro são indígenas, três quilombolas e duas escolas do campo. De acordo com a análise situacional realizada, 66,6% estão localizadas na zona rural. A maioria das escolas não possuía sinalização de trânsito adequada nem radar de velocidade em seu entorno. As principais necessidades de intervenções de infra-estrutura identificadas nas escolas e entornos foram: equipamentos para redução de velocidade, como fotossensores e lombadas implementação de faixa de pedestres instalação de sinalizações de trânsito verticais e horizontais identificação das escolas e placa de identificação de aldeias indígenas e comunidade quilombola. A utilização de linguagem simples, clara e objetiva é um preceito fundamental para todos os públicos, bem como incluir as lideranças comunitárias em todos os processos do projeto. No caso dos povos indígenas, é essencial respeitar suas tradições, linguagem e práticas culturais. Para as comunidades quilombolas, deve-se valorizar sua história e cultura, destacando os princípios de liberdade e igualdade usar uma linguagem inclusiva, evitando termos ofensivos trazer exemplos de resistência e luta como forma de ilustrar a importância da segurança no trânsito. Já para os alunos de áreas rurais, é necessário considerar a realidade local, com seus desafios e riscos específicos relacionados ao trânsito. A literatura científica evidencia o impacto positivo das ações de prevenção para a redução dos acidentes, como citado no informe de violências e acidentes da Fiocruz (2025), que afirma que as violências e acidentes que acometem a população juvenil pode ser considerado um problema de saúde pública, que necessita de amplas estratégias de enfrentamento, como ações de prevenção e cuidado/assistência para a população jovem. Trabalhar a educação para o trânsito com os alunos desde as séries iniciais de forma lúdica, é muito eficaz para poder ter resultados positivos.
Diante do exposto, percebe-se que a educação de trânsito desempenha um papel fundamental na construção de comunidades mais seguras e saudáveis, especialmente em contextos comunitários diversos, como os das populações indígenas, quilombolas e das escolas do campo. As práticas de educação em saúde nessas realidades devem considerar as especificidades culturais e territoriais, promovendo o protagonismo comunitário e fortalecendo vínculos sociais. Ações como melhorias na sinalização de trânsito, redução da velocidade em áreas escolares e a manutenção regular de vias, incluindo a capinação, contribuem diretamente para a prevenção de acidentes e a valorização da vida. Assim, é essencial que políticas públicas e estratégias educativas caminhem juntas, respeitando as particularidades locais e promovendo uma cultura de cuidado e responsabilidade coletiva.