Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
ANA KAROLINA REIS MENDONÇA
Coautor(es)
FRANCISCO RAMON RAMOS DE OLIVEIRA
DÊNIAR CRYSLENE DE SOUSA AIRES
As diretrizes propostas pela Academia Americana de Dor Orofacial definem a Disfunção Temporomandibular (DTM) como um termo coletivo abrangendo problemas clínicos que envolvem a Articulação Temporomandibular (ATM) e estruturas associadas (DE LEEUW KLASSER, 2008). Os sintomas são numerosos, mas a dor na região orofacial é o principal sintoma (TJAKKES et al., 2010 LIAO et al., 2011 CONTI et al., 2012 BLANCO-AGUILERA et al., 2014) e justamente o que leva o paciente à buscar o tratamento (DWORKIN LERESCHE, 1992 TJAKKES et al., 2010). A dor pode estar também associada a ruídos e/ou limitações, em que, dependendo do grau, incapacita alguns pacientes (BLANCO-AGUILERA et al., 2014). Nos casos de dores persistentes e recidivas, a DTM pode adquirir um curso crônico (CONTI et al., 2012). Nesses casos, embora a DTM não seja uma comorbidade que cause risco de vida ao paciente, a mesma pode acarretar uma considerável diminuição da sua qualidade de vida (LIU et al., 2011). A abordagem é complexa e de origem multifatorial, abrangendo uma ampla variedade de causas. Em geral, fatores sociais, físicos e psicológicos estão geralmente associados à etiologia da DTM (RESENDE et al., 2013 LIST JENSEN, 2017). Fatores psicológicos estão diretamente relacionados a condições dolorosas crônicas, e a pandemia de COVID-19 possui muitas implicações que podem piorar essas condições Além disso, indivíduos com dores relacionadas à DTM apresentam níveis mais altos de estresse, ansiedade e depressão.
Ofertar um tratamento integral de qualidade, humanizado e acolhedor a pacientes com Dor Orofacial e acompanhar a eficácia do tratamento realizado na Atenção Primária em Saúde.
As pacientes que buscaram/necessitaram de tratamento eram em sua totalidade do sexo feminino, residentes em Guaiúba, Ceará, Brasil durante os períodos de 2021 a 2022, com idade entre 18 e 55 anos, com diagnóstico de, no mínimo, uma DTM dolorosa (Dor miofascial e/ou Artralgia e/ou Osteoartrite) de acordo com os Critérios de Diagnóstico para Pesquisa de Disfunções Temporomandibulares (RDC/TMD) (DWORKIN LeRESCHE, 1992). Para buscar o diagnóstico, o questionário RDC é aplicado juntamente com a Escala Numérica (EN) de onze pontos variando de "0" ("sem dor") a 10 ("pior dor imaginável") para a paciente. Nessa primeira consulta é realizada uma extensa anamnese buscando possíveis causas ou potencializadores das dores. Geralmente, pacientes que sofrem com dores crônicas chegam ao consultório muito sensibilizados, com altos níveis de estresse e ansiedade, por isso, é necessário uma abordagem extremamente humanizada e acolhedora. As pacientes relatam em média o EAV (intensidade da dor) entre 5 a 9. A maioria das pacientes que possuem dor orofacial possuem também bruxismo do sono e/ou vigília e relatam que estavam sob intenso estresse, ansiedade e muitas tem relatado relação com a pandemia de COVID-19. O tratamento é realizado de forma integral, com ajuste da placa estabilizadora para um uso funcional correto, agulhamento a seco, farmacoterapia, orientações de higiene do sono, exercícios de fisioterapia orofacial e encaminhamento para tratamento psicoterápico.
Paciente do sexo feminino, 21 anos, residente de Guaiúba (CE), buscou atendimento odontológico na UBS por apresentar dor orofacial. Na primeira consulta foi realizada anamnese para buscar o diagnóstico e planejar o tratamento. A paciente relatou dor generalizada na região dos músculos masseter e temporal. Segundo a anamnese, a dor teve início há 6 meses, piora com estresse e mastigação e relaciona o surgimento da dor à pandemia de COVID-19 e à um trauma emocional pessoal. A paciente possui bruxismo do sono e em vigília, estava sob intenso estresse e ansiedade e possui hábitos parafuncionais como roer unha e mascar chiclete. Na primeira consulta a paciente relatou EAV (intensidade da dor) 7, com frequência de dor 7 dias na semana. Na segunda consulta, 20 dias depois, a paciente relatou que a dor diminuiu para 2 dias na semana e, quando ocorre, equivale a EAV 3. Dessa forma, podemos notar uma melhora significativa do quadro da paciente. No segundo atendimento foi realizado uma nova sessão de agulhamento a seco e transmitido novas orientações a respeito da higiene do sono (meditação, musicoterapia, chás fitoterápicos, compressas mornas). A paciente demonstrou dedicação ao tratamento, seguindo todas as recomendações, como prática de atividade esportiva, meditação, controle do bruxismo em vigília, restaurando qualidade de vida do paciente e garantindo o sucesso do tratamento. O tratamento da paciente foi finalizado, pois após a 5 sessão a paciente não relatou queixas álgicas.
É de extrema importância ter um profissional capacitado para diagnosticar e tratar pacientes com dor orofacial, principalmente depois do início da pandemia de COVID-19, pois gerou muita ansiedade e estresse, despertando ciclos de dor ou agravando os quadros de dor já existentes. Além disso, é importante levar em consideração a necessidade do tratamento multidisciplinar e humanizado para esses pacientes extremamente sensibilizados pelos quadros crônicos de dor, necessitando de uma atenção especial da equipe multiprofissional.