Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
autor(a)
Marta Emília de Oliveira Nobre
A Terapia Ocupacional no campo da saúde mental apresenta diferentes estratégias de intervenção, entre elas as oficinas e grupos terapêuticos, que constituem um dispositivo de tratamento bastante utilizado em sua clínica (BARATA COCENAS KEBBE, 2010). Concebendo as atividades humanas como constituídas por um conjunto de ações que apresentam qualidades, demandam capacidades, materialidades e estabelecem mecanismos internos para sua realização. Essas atividades podem se desdobrar em várias fases, caracterizando-se como um processo experimental de vida para o indivíduo, um caminho para o autoconhecimento, para o conhecimento do outro, do mundo que nos rodeia, enfim, da nossa cultura (CASTRO LIMA BRUNELLO, 2001). O CAPS I, do município de Baturité-Ce, tem o Terapeuta Ocupacional, responsável por esse trabalho de grupo com pacientes deste serviço, favorecendo a importância do uso das atividades. Objetivando o tratamento e vivências aos seus participantes através do “fazer junto”, como o compartilhamento de experiências, a interação social, a comunicação verbal e não verbal e a exposição de sentimentos e conteúdos internos (BALLARIN, 2003 NASCIMENTO et al., 2007). No contexto se objetiva resgatar valores pessoais e sociais ressignificar as atividades cotidianas ampliar a corresponsabilização da família no tratamento expressar sentimentos e conflitos internos e usufruir de momentos de lazer e relaxamento dos pacientes com algum sofrimento psíquico.
Objetivo Geral: Identificar, por meio do fazer (atividades), as dificuldades e os desafios de cada paciente, buscando a resolução desses impasses e fazendo com que cada um consiga lidar mais efetivamente com conflitos pessoais vividos em outros grupos sociais (como a família, entre os amigos, no ambiente de trabalho, entre outros. Objetivos Específicos: Resgatar valores pessoais e sociais ressignificar as atividades cotidianas Promover o exercício da cidadania e inclusão social .Ampliar a corresponsabilização da família no tratamento Expressar sentimentos e conflitos internos Usufruir de momentos de lazer e relaxamento.
Trata-se de um relato de experiência, que mostra o desenvolver do grupo de terapia ocupacional, através do uso de atividades, em Centro de Atenção Psicossocial - CAPS, pertencente ao município de Baturité - CE, realizadas no período de 2013 aos dias atuais, registradas em diários de campo. O município de Baturité está inserido na IV ADS, caracterizado como município polo. Sua população segundo estimativa do IBGE 36.127/hab. O sistema local de saúde apresenta 100% de cobertura da estratégia de saúde da família: sendo 12 equipes, entre sedes e unidades de apoio, 01 UPA – Unidade Pronto Atendimento. Este foi fundado há quase 9 anos, novembro de 2013, atualmente encontra-se aproximadamente com 2764 prontuários, encaminhados da atenção básica e de outros serviços especializados, como também de forma espontânea. O perfil do grupo se dá com os seguintes diagnósticos F.20, F.40, F.31 e F.32. A experiência se deu em um grupo com 20 participantes. Acontecendo uma vez na semana. No período da manhã com duração de 1 hora e 30 minutos, através de diversas atividades, pré-programadas, sendo essas as expressivas, corporais, de linguagem, de arte livre, possibilitando e ampliando os meios de tratamento e reabilitação dos pacientes, estimulando a motricidade, o cognitivo, o afetivo, a autoestima, a interação grupal, cidadania e autonomia, proporcionando melhor qualidade de vida e utilização dos espaços coletivos dentro da sociedade, promovendo o exercício da cidadania e inclusão social.
Essa construção, que utiliza a atividade como elemento intermediário do cuidado, tem oferecido vivências singulares aos indivíduos e ao grupo coordenado por terapeutas ocupacionais. Os participantes do grupo terapêutico ocupacional, ao desenvolverem atividades que se entrecruzam entre o individual e o coletivo, foram sendo estimulados, dentro de um ambiente confiável, a reorganizaram-se diante de novos desafios. Assim, nesse setting terapêutico, ao mesmo tempo em que o grupo vivencia a potencialidade de transformação dos objetos que circulam entre as mãos de seus componentes, também vivencia a ampliação da potencialidade de transformação da vida de todos que direta ou indiretamente se envolvem em suas produções. Essa construção terapêutica, que utilizou a atividade como elemento intermediário do cuidado, pôde oferecer vivências singulares aos indivíduos e ao grupo. A partir da ressignificação do fazer nesse contexto, puderam ampliar suas trocas sociais e afetivas, experimentar sentimentos de pertencimento na coletividade e percepção de seus potenciais criativos. Ao final do relato considera-se que as práticas desenvolvidas em serviços de cuidado à saúde mental abertos e comunitários possibilitam processos de transformação, pois ofertam espaços voltados para a produção de vida, de sentido e de sociabilidade.
O Terapeuta Ocupacional saiu de uma prática apenas (práxis) para um futuro cheio de possibilidades que procura mobilizar e produzir saúde, utilizando diferentes formas de atividades, respeitando a subjetividade e singularidade dos sujeitos, o seu entorno e as atividades para ele significativas, encontrando o desafio de criar práticas que conduzam a desinstitucionalização, favorecendo a autonomia, e consequentemente, a inclusão do sujeito estigmatizado pela doença mental em seu próprio território. Pensar sobre os objetivos e os sentidos que as proposições de atividades podem ter para o público atendido, também ajuda a descobrir o sentido de nossa própria prática. Dessa forma, se conclui que a proposição de atividades em saúde mental pode ser muito potente e propicia para os sujeitos a experimentação de novas possibilidades, criação, expressão, produção de vida, convivência, inserção na rede social, acesso a bens culturais, criação de sentidos, exercício da potência de ação, entre outros. As atividades podem ter essa função transformadora, aumentando a potência de agir dos sujeitos, possibilitando a criação de novas subjetividades.