Autor(a)
Brígida Alves da Silva Sousa
Coautor(es)
Ianny Dantas
Luciana Cristina Borges
Sibele Lopes Goes
Vanuza Cosme Rodrigues
Itatiaia Fernandes Barbosa
As dores nas articulações, popularmente conhecidas como “dores nas juntas”, estão entre as dores crônicas mais frequentes e suas causas podem ser variadas. Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em conjunto com a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor mostrou que 42% dos brasileiros afirmam sofrer com algum tipo de dor e 37% afirmam sofrer com dores crônicas. O tratamento certo acompanhado por um estilo de vida equilibrado com atividade física regular, alongamento e fortalecimento muscular pode não apenas diminuir as dores como também melhorar a qualidade de vida do paciente. Nesse sentido, o Grupo de Doenças Articulares foi criado com intuito de dar suporte e melhorar a qualidade de vida dos pacientes que recebiam alta do serviço de fisioterapia e ficavam sem realizar nenhum tipo de atividade física, fortalecimento muscular e alongamento. O grupo é orientado e inspecionado pelo Educador Físico com foco em atividades de pequeno impacto que tragam benefícios a pequeno, médio e longo prazo aos usuários, sendo composto por 30 usuários e os requisitos para participarem do grupo foram: ter alta da fisioterapia sem queixas de dor e imobilidade e ter disponibilidade para participar do grupo no devido dia e horário marcado.
Melhorar a qualidade de vida dos usuários que eram atendidos pela fisioterapia e receberam altas, mas que ainda precisavam ter uma rotina de atividades físicas, alongamento e fortalecimento muscular para garantir manutenção e êxito no tratamento.
Os atendimentos foram realizados em grupo, 2 vezes por semana, às segundas e quintas no período da tarde, com duração de uma hora e trinta minutos. A condução foi feita por um educador físico da equipe do Centro de especialidades de Jaguaribe, Ceará. O grupo foi criado há aproximadamente 6 meses, em virtude da grande demanda de pacientes com doenças osteoarticulares, os quais recebiam alta da fisioterapia e em curto prazo de tempo de 15 a 30 dias voltavam ao serviço referindo piora dos sintomas como dor e rigidez articular pela falta de atividades de rotina que dessem continuidade ao tratamento de fortalecimento muscular, alongamento e mobilidade corporal fazendo com que essas recidivas não fossem tão frequentes num curto período de tempo. Buscou-se, assim, melhorar o convívio com a doença, tratamento medicamentoso, dieta, exercícios, posicionamento de repouso, controle da dor, conservação de energia e relaxamento, aumento do senso de competência e de autocuidado. Assim, as atividades realizadas no grupo tiveram caráter dinâmico, ou seja, foram baseadas na demanda dos participantes, de acordo com suas necessidades e interesses.
Desde sua criação, o grupo de “doenças articulares” já atendeu cerca de 30 usuários do centro de especialidades, os quais exerceram papel ativo na construção das ações em seu benefício. Avaliações qualitativas realizadas com os participantes demonstraram crescente interesse pelos atendimentos, redução da dor, maior senso de competência, maior capacidade de enfrentamento da doença, aumento da socialização e incremento na percepção da qualidade de vida, o que vai ao encontro dos principais objetivos do projeto e dos resultados de vários outros estudos que verificaram a eficácia de programas voltados ao bem-estar físico e psíquico dos indivíduos acometidos por doenças articulares.
Embora seja um grupo recente, alguns resultados benéficos já são percebidos pelos participantes, uma vez que, em um contexto geral, conseguiu-se trabalhar os princípios do SUS, como a Universalidade e a Equidade, os quais além de trabalhar o indivíduo como um todo, atentam para as suas necessidades individuais e tem relação direta com os conceitos de igualdade e de justiça social e partem da ideia de respeito às necessidades, diversidade e especificidades de cada cidadão ou grupo social.