Autor(a)
Maria Marcleide do Nascimento
Coautor(es)
Ana Cristina da Silva Freitas
Kelvia Guedes Alves
Beatriz Alexandre Costa
Nicácia Gomes da Silva
Cicero Alexandre da Silva
O câncer de colo do útero é uma das principais causas de morbidade e mortalidade entre as mulheres em todo o mundo. A prevenção desse tipo de câncer é fundamental, e os exames citopatológicos (como o Papanicolau) desempenham um papel crucial nesse processo. Esses exames permitem a detecção precoce de lesões pré-cancerígenas, possibilitando intervenções eficazes e reduzindo a incidência da doença. No entanto, a demora na obtenção dos resultados desses exames tem sido um desafio enfrentado pelos serviços de saúde. A espera prolongada pode comprometer a eficácia das estratégias de prevenção, levando a diagnósticos tardios e, consequentemente, a um aumento no número de casos de câncer de colo do útero. Neste relato de caso, apresentaremos a implementação bem-sucedida do “Dia Rosa” em nossas unidades de saúde. Esse dia especial foi criado com o objetivo de reduzir o tempo de espera para os resultados dos exames citopatológicos e aumentar a conscientização sobre a importância desses procedimentos na promoção da saúde da mulher.
O objetivo deste relato é compartilhar as estratégias adotadas para melhorar a realização e o acompanhamento dos exames citopatológicos, destacando os resultados obtidos após a implementação do “Dia Rosa”.
Trata-se de um relato de experiência ocorrido no município de Farias Brito-CE, envolvendo a equipe multidisciplinar da unidade básica de saúde e de tecnologia da informação. Teve início em maio de 2022 em vigência até a presente data, inicialmente, analisamos os indicadores do programa Previne Brasil e identificamos que o número de exames citopatológicos estava abaixo do esperado. Diante dessa constatação, mobilizamos toda a equipe de saúde para compreender as razões por trás dessa diminuição. Descobrimos que a demora na obtenção dos resultados era um fator crucial para a baixa adesão das mulheres aos exames. Para enfrentar esse desafio, implementamos uma série de estratégias. Realizamos campanhas educativas para conscientizar as mulheres sobre a importância dos exames citopatológicos na prevenção do câncer de colo do útero. Explicamos como esses exames podem salvar vidas e incentivamos a participação ativa das pacientes. Além disso, solicitamos alteração de PPI, para outro laboratório com capacidade para processar os exames com maior agilidade, reduzindo significativamente o tempo de espera pelos resultados. Os agentes comunitários de saúde passaram a realizar busca ativa das pacientes que precisavam realizar exames através da emissão de relatórios de acompanhamento no sistema de informação da atenção primária, criando uma lista nominal e sensibilizando todas as mulheres a fazerem o exame.
Após a implementação do “Dia Rosa”, observamos resultados significativos. O número de exames citopatológico realizados aumentou consideravelmente. No primeiro quadrimestre de 2018, tínhamos apenas 21% de coletas de citopatológico. Entretanto, ao longo do tempo, esse indicador foi crescendo consistentemente. No último quadrimestre de 2023, alcançamos um índice de 53% de coletas de citopatológico, superando nossa meta de 40%. Além disso, o tempo médio para obtenção dos resultados diminuiu consideravelmente. Com a parceria com o novo laboratório e a busca ativa das pacientes, conseguimos entregar os resultados de forma mais rápida, recuperando a credibilidade do serviço. As mulheres passaram a compreender melhor a importância dos exames e aderiram ao programa de prevenção. A sensibilização por meio de rodas de conversa, campanhas educativas e capacitações contribuiu para essa conscientização. Esses resultados demonstram que o “Dia Rosa” foi uma estratégia eficaz para melhorar a realização dos exames citopatológicos, garantindo diagnósticos precoces e promovendo a saúde da mulher.
O “Dia Rosa” foi uma estratégia eficaz para reduzir o tempo de espera e aumentar a conscientização sobre os exames citopatológicos. A busca ativa, a parceria com o novo laboratório e a sensibilização das pacientes foram fundamentais para o sucesso dessa iniciativa. Acreditamos que essa abordagem pode ser replicada em outras unidades de saúde, contribuindo para a prevenção do câncer de colo do útero e a promoção da saúde da mulher.