Autor(a)
Mary Jane Sousa Linhares
Coautor(es)
Danielli Mendes de Sousa
Marina Pereira Mouta
Larisse Araújo de Sousa
Vanessa Silva farias
Leticia Reichel dos Santos
O Programa Nacional de Imunização (PNI), possibilita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) que toda população em seus diferentes ciclos de vida e condição de saúde recebam vacinas de forma gratuita e com fácil acesso. O recém-nascido (RN), assim denominada a fase que ocorre ao nascer até os 28 dias de vida, é um importante período que requer cuidados específicos, pois este grupo está mais suscetível a contrair doenças, já que ainda não possuem anticorpos suficientes para combater infecções. Por isso, a vacina é a principal tecnologia, potencialmente capaz de estimular no organismo a produção de anticorpos que irão proteger o indivíduo das doenças e suas complicações. Ao nascer é recomendado que o RN receba duas vacinas, contra hepatite B e BCG, que deve ser administrada o mais precocemente, de preferência ainda na maternidade. Esta vacina que protege contra formas graves de tuberculose deve ser adiada quando o RN apresenta peso inferior a 2kg. Contudo, percebeu-se no decorrer do ano de 2023 a frequência de RN que recebiam alta sem a aplicação da vacina, em virtude de não possuir peso recomendado para vacinação, assim foi identificada a necessidade de reorganização no serviço de imunização e Atenção Primária do município de Sobral, visando a elaboração de estratégia que atendesse com maior agilidade a aplicação da vacina em RN que já se encontravam no território e que otimizasse o acesso como também houvesse um melhor aproveitamento no uso de doses da vacina.
OBJETIVO GERAL Descrever a experiência da aplicação de vacina BCG em recém-nascidos em domicilio no município de Sobral, Ceará. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Explicitar as estratégias usadas para articulação da vacinação em domicilio Ressaltar a importância do trabalho colaborativo para alcance da imunização de crianças .
A estratégia de vacinação no domicilio para aplicação da vacina BCG, se dá inicialmente por meio do monitoramento e agendamento semanal de RN que se encontram no território adstrito dos Centros de Saúde da Família que não receberam a vacina dentro da unidade hospitalar após nascimento. O monitoramento é realizado pelas equipes de saúde da família que durante as visitas puerperais avaliam a situação vacinal do RN. Ao identificarem crianças não vacinadas a informação é repassada ao gerente do CSF, que em seguida sinaliza para célula de imunização a necessidade de doses da vacina BCG, a comunicação acontece através da ferramenta de WhatsApp. Logo no inicio da semana é realizado agendamento da vacinação no qual o gerente realiza o preenchimento dos seguintes dados: território que se encontra o RN,nome da mãe e do RN, CNS/CPF, data de nascimento e o motivo da não vacinação. Com esses dados a célula de imunização agenda ainda durante a semana a data que ocorrerá a aplicação no domicilio, disponibilizando assim a vacina e articulando o transporte no qual irá levar o profissional que fará aplicação da vacina até o domicílio da criança. A vacinação pode ocorrer no mesmo dia para uma ou mais crianças, variando conforme situações identificadas nos territórios. Após aplicação da vacina em domicilio o frasco utilizado é transferido para o hospital do município, para que dessa forma seja otimizado o uso de doses para o RN que estar na maternidade, evitando assim perdas de vacinas.
Em levantamento de dados no Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC), foram registrados em 2023 o total de 2638 nascidos vivos residentes no município de sobral. Por meio do monitoramento semanal de RN sem a vacinação BCG, foram identificados 100 RN que receberam alta hospitalar, sem aplicação da vacina. Dentre eles, 58 eram RN abaixo do peso preconizado para receber o imunizante (2kg) 15 foram nascidos em maternidades de outros municípios e estados 22 não receberam a vacina após nascimento pois estava indisponível no hospital e 5 tiveram hospitalização em longa permanência. Com isso obteve-se o percentual de 79% de recém-nascidos vacinados no domicilio no ano de 2023. Com a estratégia de comunicação integrada entre célula de imunização e Atenção Primária a Saúde, foi possível estabelecer fluxo semanal para o levantamento de RN não vacinados, necessidade de doses da vacina BCG e vacinação no domicilio. Como resultado, percebeu-se a redução no tempo de espera para aplicação da vacina em RN que já se encontravam no domicílio, garantindo que o mesmo recebesse a vacina em sua residência, evitando o deslocamento do RN e família até o estabelecimento de saúde. Reduzindo também a exposição do mesmo a potenciais riscos dos ambientes, uma vez que o RN faz parte de grupo vulnerável e requer cuidados a saúde, pois ainda não possui sistema imunológico capaz de responder a infecções, sendo mais suscetível a complicações nessa fase da vida.
Diante dessa contextualização, conclui-se que a estratégia de vacinação no ninho, possui sua relevância em diferentes aspectos, pois de forma humanizada garante um maior cuidado a saúde do RN, disponibilizando em seu domicilio a aplicação da vacina, que é o maior meio para obter proteção contra doenças. No que se refere à integralidade da Vigilância e Atenção Primária a Saúde, percebe-se uma comunicação eficaz entre os seguimentos onde são capazes de monitorar crianças não vacinadas e dar resolubilidade a situação encontrada de forma ágil, com segurança, direcionando melhor o uso dos recursos disponíveis. Vale ressaltar que a construção desse relato de experiência permitiu uma melhor avaliação da estratégia de vacinação, fazendo perceber aos atores envolvidos a potencialidade da ação, como também a importância do acompanhamento e monitoramento da situação vacinal de crianças nos primeiros dias de vida. Espera-se que esse trabalho desperte nos profissionais da assistência e gestão a importância da construção e aperfeiçoamento de estratégias que garantam um maior acesso as vacinas disponibilizadas pelo PNI, levando em consideração o cuidado individualizado que cada um possui em seus diferentes ciclos de vida.