Autor(a)
LUCIANA RODRIGUES CORDEIRO
Coautor(es)
Mary Anne Medeiros Bandeira
Cristiane Fonseca Ximenes de Castro
Geanne Maria Costa Torres
Jéssica Pinheiro Carnaúba
Francisco Vilemar Pinto Carneiro
Jane Ribeiro Aragão
Cláudia Cybele Lessa da Páscoa Oliveira
Ingrid Morais de Freitas
Lisiane de Oliveira Forte
As flores são utilizadas em terapias há centenas de anos, com origem na cultura tradicional, apresentando registros do seu uso no período antes de Cristo por várias civilizações antigas, tendo como finalidade obter equilíbrio das emoções. A utilização terapêutica dos florais foi confirmada com a criação dos Florais de Bach, pelo médico inglês Edward Bach, entre 1928 e 1933. A Farmácia Viva, idealizada pelo Professor Francisco José de Abreu Matos em 1983, constitui-se como um programa de assistência social farmacêutica baseado no emprego científico de plantas medicinais e fitoterápicos, inspirado pelas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS). As flores das plantas do Programa Farmácias Vivas não eram utilizadas para produção de florais e esta modalidade terapêutica, presente na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, não possuía um floral produzido desde sua idealização e produção, para utilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desse modo, seguindo o modelo de assistência social e gratuidade do Programa Farmácias Vivas, surge o Floral de Mattos, em homenagem ao Professor Matos, lançado durante defesa de tese em dezembro de 2024, na primeira turma do Doutorado Profissional em Saúde da Família, Rede Nordeste de Formação em Saúde da Família, Nucleadora Universidade Federal do Ceará (DPSF/RENASF/UFC), em homenagem ao ano comemorativo ao seu centenário de nascimento.
Descrever os resultados da validação do primeiro Floral de Mattos do Projeto Farmácia Viva, aplicado em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde, no município de Fortaleza, Ceará.
Trata-se de um estudo quase experimental aliado à descrição da proposta e criação do primeiro floral da Farmácia Viva, aplicado no período de junho a dezembro de 2023, em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde, no município de Fortaleza, Ceará. Para o preparo do Floral de Mattos, utilizou-se o Laboratório de Florais do Horto de Plantas Medicinais da Universidade Federal do Ceará nos meses de abril a junho de 2023, as flores foram colhidas do campo de germoplasma, onde se preserva 139 espécies com certificação botânica e com ação científica reconhecida. Realizou-se as seguintes etapas na pesquisa: triagem para ansiedade, utilização do floral, preenchimento do caderno terapêutico (acompanhar a evolução) e devolução do caderno terapêutico. Foram tríadas 75 pessoas, acima de 18 anos, com forte tendência para diagnóstico de ansiedade, para utilizar o floral. Destas, 31 finalizaram todas as etapas do estudo. A pesquisa é um recorte de tese do Doutorado Profissional em Saúde da Família – RENASF/FIOCRUZ/UFC. Respeitaram-se aos princípios éticos que envolvem seres humanos, em conformidade com a Resolução n.º 422/2012, sendo a pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o Parecer n.º 4.729.905.
A pesquisa com floral em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde provocou surpresa em alguns participantes, muitos desconheciam o produto, fato que pode ter gerado algumas desistências da pesquisa. Neste estudo, cada resposta tornou-se valiosa diante da novidade na intervenção. O Floral de Mattos mostrou eficácia em amenizar emoções como ansiedade, tristeza e irritação, sendo ainda capaz de melhorar a qualidade do sono e proporcionar sensações no cansaço e na ampliação de energia, estimulando paz e alegria. Esta atuação dos florais nos organismos possui várias explicações que perpassam por teorias holísticas, com a transmissão de energia vibracional, também conhecida por consciência da natureza, até teorias da física quântica, no qual o floral estabelece o equilíbrio vital. No decorrer do estudo, evidenciaram-se algumas limitações, como o curto período de análise, a falta de controle de fatores externos e a ausência de informações relacionadas ao uso do floral, restringindo a abrangência dos achados.
O Floral de Mattos, produzido em junho de 2023, com a flor da Alpinia zerumbet (Pers.) B. L. Burtt & R. M. Sm., a Colônia, também conhecida como a flor da redenção, surgiu como proposta de libertação do SUS, da necessidade de compra de produtos florais, popularizando seu uso e utilização em pesquisas. Desse modo, ampliou-se a conscientização sobre a necessidade de o Brasil utilizar flores da flora brasileira para produção de Florais e disponibilizar no SUS, por ser algo ainda inexistente, que contraria as diretrizes da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde. A criação, validação e aplicação do Floral de Mattos na Atenção Básica cumpre as diretrizes da Política Nacional de Práticas Integrativas e complementares, da Política Nacional da Atenção Básica, Política Nacional de Humanização e da Política Nacional de Educação Popular em Saúde. Entretanto, evidenciou-se convergência da viabilização de insumos, garantindo o acesso e estabelecendo o senso crítico para exigir seus direitos expressos nas políticas. Portanto, a viabilização do Floral está em consonância com o SUS e suas diretrizes.