Autor(a)
Milenna Alencar Brasil
Coautor(es)
Ana Tereza de Sousa Brito
Raissa Sousa Calou
Larisse Morais Apolonio
Madeleine Maria Leite Amorim
Erika Cardoso Pereira
Duciele Araujo Pinheiro Bione
Jeanne Monteiro Bacurau
Nacha Thais Gondim Marques
Larissa Maria de Oliveira Costa
Marina Solano Feitosa Silva Rodrigues da Matta
Atenção primária à Saúde (APS) é o conjunto de ações de saúde, de promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, ofertada a uma população em território específico, por meio de cuidado integrado e gestão qualificada e realizada por equipe multiprofissional (BRASIL, 2017). A atividade física foi incluída, em 2013, como fator determinante e condicionante da saúde na Lei Orgânica do SUS. As práticas de atividade física devem ser realizadas na Atenção Básica, mas não acontecia de forma sistematizada. Reconhecendo a importância da atividade física para prevenção de doenças, o Ministério da Saúde, tem incentivado a implementação de ações de atividade física no âmbito da APS e o município de Crato, implementou essas ações em algumas Unidades Básicas de Saúde. Crato, é um município, localizado na região Sul do Ceará, com população de 131.050 habitantes. Possui área territorial de 1.138,15 km² (IBGE, 2022), sendo significativa área rural, composta por dez distritos. Considerando as especificidades da população feminina de uma parte da zona rural do município de Crato, onde a economia é, basicamente, baseada na agricultura e as mulheres desenvolvem as atividades do lar, a equipe de saúde criou um projeto denominado “Vida Ativa na Unidade Básica de Saúde” (UBS) em algumas áreas rurais do Crato, visando incentivar a prática regular de atividade física (AF) como parte integrante da rotina das mulheres.
Desenvolver ações de práticas corporais e atividades físicas para mulheres da zona rural, visando prevenção de doenças crônicas, melhoria da qualidade de vida, redução do risco de complicações de saúde, além de promover interações sociais saudáveis, contribuindo para a saúde mental, reduzindo o estresse e a ansiedade.
Foram definidas três localidades rurais, com áreas adscritas de Estratégia Saúde da Família e profissional de Educação Física. As atividades ocorrem três vezes por semana em Santa Fé, e uma vez por semana em Riacho Vermelho e Monte Alverne, com duração de 1 hora por sessão. Consistem em exercícios, principalmente cardiorrespiratórios (caminhadas, atividades lúdicas) e neuromusculares, visando resistência muscular, força, agilidade, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora, e modalidades de dança e pilates no solo, ministradas por profissional de Educação Física. Todo o programa de treinamento é direcionado para desenvolver aptidão física e se baseia na utilização de instrumentos e equipamentos de baixo custo, fácil manipulação e acontece em áreas verdes, espaços das UBSs, quadras esportivas. As sessões são divididas em três momentos. No início, são realizadas atividades de aquecimento e alongamentos. No segundo momento, prática de exercícios cardiorrespiratórios e neuromotores, para melhorar e/ou manter algum aspecto da aptidão física. E por fim, atividades para relaxamento. Quanto à intensidade, as atividades são orientadas para manter sensação de esforço leve a moderado. Busca-se variar os tipos de exercícios, além de enfatizar a necessidade das participantes realizarem atividades físicas nos demais dias da semana. Nessa intervenção, são respeitadas as individualidades, considerando que os grupos são heterogêneos e apresentam diferentes níveis de riscos.
Cerca de 60 mulheres participam ativamente do Projeto. O público-alvo inclui mulheres que frequentam as UBSs. No entanto, é aberto para a comunidade em geral, tanto aquelas com comorbidades, liberadas pelo médico, quanto a mulheres sem condições clínicas específicas. A faixa etária varia entre 18 e 75 anos e as mulheres residem nos distritos de Santa Fé, Monte Alverne e Sítio Riacho Vermelho. Durante o período de 10 meses de implementação do projeto Vida Ativa na UBS, verificou-se um maior engajamento das mulheres, que anteriormente, não praticavam nenhuma atividade física. Observou-se impacto dessa iniciativa na vida das mulheres participantes, onde a maioria reconhece os efeitos das práticas de atividade física regular em relação aos aspectos físicos, como na melhoria da resistência, redução das dores, controle de pressão arterial, aumento da força muscular, mas também em relação aos aspectos psicológicos e sociais, com promoção da socialização das mesmas e da saúde mental. Não obstante, é possível notar também a evolução da consciência corporal de cada delas, onde mantém atenção à própria postura, respiração e execução de cada exercício.
O Projeto “Vida Ativa na Unidade Básica de Saúde” é uma estratégia valiosa para a promoção da saúde e prevenção de doenças. Sua capacidade de influenciar as mulheres a adotarem um estilo de vida ativo melhora significativamente sua qualidade de vida e bem-estar geral. Além disso, a estratégia fortalece a atenção primária em saúde, contribuindo no desenvolvimento de ações para a prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde e a consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde. Ressalta-se, portanto, a importância das práticas corporais para melhoria da saúde da população, além dos aspectos sociais, culturais e ambientais bem como espera-se a continuidade do projeto e que seja disseminado a outras áreas do município.