Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Loriany Rodrigues de Macêdo
Coautor(es)
Raylla Chaves Gomes
Rogério Rodrigues de Mendonça
Rochelly Rodrigues de Oliveira
Leyla Ferreira de Sousa Chaves
Rafaella Bezerra de Oliveira
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a qualidade de vida é definida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”, ou seja, é um reflexo do ambiente onde o indivíduo está inserido, tanto no contexto cultural como social e não abrange somente fatores relacionados à saúde. Estudos demonstram que o exercício físico tem o poder de influenciar positivamente na qualidade de vida de indivíduos que apresentam alguma patologia, assim como em populações saudáveis. A atividade física desempenha papel importante na qualidade de vida fazendo parte de ações e programas das Estratégias de Saúde da Família como forma de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas. É uma prática indispensável à saúde corporal e mental, refletindo no processo saúde-doença. Além de promover a melhoria da postura corporal, combate o excesso de peso, aumenta a qualidade e a expectativa de vida, fortalece o sistema imunológico, cardiovascular e respiratório. Atividades físicas devem estar inseridas cada vez mais no planejamento e programação das ações relacionadas à saúde, visto o potencial impacto na qualidade de vida da população. Com isso, foi criado em 2017 o Vida Leve, grupo de atividades físicas voltadas à população do município de Catunda, visando a inserção de pacientes de saúde mental, com doenças crônicas, obesidade e sedentarismo.
GERAL: Promover a qualidade de vida à população catundense reduzindo os riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes. ESPECÍFICOS: Identificar usuários com algumas condições de saúde e encaminhá-los para o grupo Vida Leve Avaliar a influência da atividade física sobre a qualidade de vida dos participantes do grupo Vida Leve Reduzir os índices de doenças crônicas, obesidade, transtornos mentais e sedentarismo, no município Proporcionar e fomentar espaços para a prática da atividade física para os usuários do Sistema Único de Saúde.
Relato de experiência baseado em um grupo de atividades físicas, em um município cearense. Inicialmente, através dos cadastros realizados de todos os usuários, identificou-se uma grande quantidade de pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, no município, além da alta demanda de saúde mental. Pensando nisso, a Secretaria Municipal de Saúde pensou na criação de um grupo com a finalidade de proporcionar junto à terapia medicamentosa, uma melhor qualidade de vida para pessoas que possuem essas condições de saúde. O Vida Leve é um grupo de atividade física composto, predominantemente, por idosos, porém podemos observar também a participação de pessoas de várias faixas etárias. Coordenado pela profissional de educação física do município, o grupo acontece duas vezes por semana, na quadra de uma escola municipal, onde contamos com a parceria da Secretaria de Educação, de Cultura, além dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família, que estimulam essa ferramenta como parte da terapia dos pacientes. Várias práticas de atividades são propostas, como aula de aeróbica, “hiit”, funcional, dança, alongamento, além de aproveitar o espaço para discutir outras temáticas que são trabalhadas na saúde, como Outubro Rosa, Novembro Azul, onde contamos com a participação de outros profissionais e equipe multidisciplinar.
Observamos que o grupo Vida Leve, inicialmente, pensado para pessoas que possuem algumas patologias, tornou-se um grupo composto pela população em geral, de todas as faixas etárias, que possuem outros tipos de doença, pessoas saudáveis, onde além da oferta de atividades físicas, é visto pelos participantes, como um espaço de lazer, de conversas, de convivência e de encontros. Além da atividade física em si, são realizadas ações de aconselhamento, intersetorialidade, monitoramento e avaliação. Verificou-se que os participantes tiveram uma melhora significativa nas suas condições de saúde e nas suas atividades da vida diária, além da redução da auto medicação, principalmente, de analgésicos. Com isso, podemos confirmar o que os estudos dizem, uma melhoria na qualidade de vida em decorrência do abandono do estilo de vida sedentário, mas que se deve ter a consciência de que hábitos alimentares saudáveis e o uso correto de medicamentos, também devem estar associados.
A atividade física tem um papel fundamental na prevenção e controle das doenças crônicas, melhor mobilidade, capacidade funcional e qualidade de vida. As evidências destacam o impacto positivo da atividade física regular em aspectos cognitivos, na saúde mental e bem estar geral do indivíduo durante o processo de envelhecimento. Dessa forma, estudos apontam a necessidade do estímulo da atividade física regular especialmente após os 50 anos de idade, visto que é a manutenção da atividade física ou a mudança para um estilo de vida ativo que tem um impacto real na saúde. Assim, associada a outras ferramentas, a prática de exercícios deve ser incentivada por órgãos governamentais e pela sociedade como um todo, como forma de prevenção, podendo contribuir para a redução dos gastos públicos em decorrência de doenças que acometem os idosos. Investimentos no oferecimento de programas de atividade física no Sistema Único de Saúde como uma das formas de promoção à saúde, também pode melhorar as condições de vida da população que busca atendimento na atenção primária, tendo em vista que a prática de atividade física é uma intervenção de baixo custo, que pode promover saúde em vários aspectos quando realizada de forma consciente.