Tema: CONTROLE SOCIAL E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NA SAÚDE
Autor(a)
Evelline Grace da Silva Oliveira
Coautor(es)
Elizamara Silva Saldanha Lima
Antônio Eduardo Costa Matos
Marcelo Bezerra Nogueira
Wladya Andrade Gomes
Gabrielly Nohara Oliveira Damasceno de Sousa
As zoonoses representam um relevante problema de saúde pública, especialmente em municípios com crescimento urbano desordenado, desigualdade social e presença significativa de animais errantes. No município de Horizonte–CE, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza, observa-se a ocorrência de agravos como Leishmaniose visceral, Esporotricose e risco potencial de Raiva, evidenciando fragilidades na vigilância integrada entre saúde animal e humana. A ausência de sistemas locais estruturados para monitoramento e análise territorial dificulta a identificação precoce de áreas de risco, comprometendo a efetividade das ações preventivas e contribuindo para a manutenção da cadeia de transmissão dessas doenças. Além disso, fatores como baixa cobertura de serviços veterinários, desconhecimento da população sobre medidas preventivas e manejo inadequado de animais domésticos ampliam os riscos sanitários. Nesse contexto, destaca-se a importância da adoção de estratégias intersetoriais baseadas no conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental. A utilização de ferramentas acessíveis de georreferenciamento e análise de dados pode contribuir significativamente para o planejamento de ações mais eficientes e direcionadas, promovendo a redução de agravos e a otimização dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Implantar e avaliar um modelo integrado de vigilância de zoonoses com base territorial no município de Horizonte–CE, com o objetivo de reduzir riscos à saúde pública por meio da organização de dados epidemiológicos, identificação de áreas prioritárias e desenvolvimento de ações direcionadas. Especificamente, busca-se estruturar um sistema de coleta e análise de dados sobre zoonoses utilizando ferramentas digitais de baixo custo mapear a distribuição espacial dos casos no território municipal identificar áreas com maior vulnerabilidade sanitária promover ações de prevenção, incluindo campanhas de vacinação e educação em saúde fortalecer a integração entre vigilância em saúde, atenção básica e atuação veterinária e avaliar o impacto das intervenções na organização dos serviços e na redução de riscos à população. A proposta também visa contribuir para o fortalecimento das práticas de vigilância em saúde no âmbito do SUS, estimulando a tomada de decisão baseada em evidências e a atuação preventiva nos territórios.
Trata-se de um relato de experiência desenvolvido no município de Horizonte–CE, no período de 2025 a 2026, envolvendo profissionais da vigilância em saúde, equipes da atenção básica e apoio técnico da área veterinária. A iniciativa teve como foco a implantação de um modelo de vigilância de zoonoses baseado na organização de dados e na atuação territorial. Inicialmente, foi realizado o levantamento de informações sobre casos suspeitos e confirmados de zoonoses a partir de registros em unidades de saúde, dados da vigilância epidemiológica e observações de campo. Para viabilizar a sistematização dessas informações, foram utilizadas ferramentas digitais de baixo custo, como formulários eletrônicos e plataformas de mapeamento, permitindo o georreferenciamento dos casos e a visualização espacial dos agravos. Com base na análise dos dados, foram identificadas áreas prioritárias para intervenção, considerando critérios como concentração de casos, vulnerabilidade social e presença de animais errantes. Nessas localidades, foram desenvolvidas ações direcionadas, incluindo campanhas de vacinação antirrábica, orientações à população sobre cuidados com os animais, incentivo à guarda responsável e encaminhamento de animais para avaliação quando necessário. Paralelamente, foram realizadas atividades educativas em escolas, unidades de saúde e espaços comunitários, abordando temas como prevenção de zoonoses, higiene ambiental, manejo adequado de resíduos e importância do acompanhamento veterinário. As ações foram conduzidas de forma integrada, buscando fortalecer o vínculo entre os serviços de saúde e a comunidade, além de estimular a participação social nas práticas de prevenção. A experiência também promoveu a articulação entre diferentes setores, favorecendo a construção de uma abordagem mais ampla e efetiva no enfrentamento dos problemas sanitários relacionados às zoonoses.
A implantação do modelo integrado de vigilância de zoonoses possibilitou avanços significativos na organização das informações epidemiológicas no município, permitindo maior agilidade na identificação de áreas de risco e no planejamento das ações de intervenção. O uso de ferramentas digitais facilitou a visualização dos dados e contribuiu para a tomada de decisão baseada em evidências. Observou-se aumento da adesão da população às campanhas de vacinação animal, especialmente nas áreas previamente identificadas como prioritárias. As ações educativas contribuíram para a ampliação do conhecimento da comunidade sobre zoonoses, prevenção e cuidados básicos com os animais, refletindo em mudanças positivas de comportamento. Além disso, foi possível identificar precocemente situações de risco sanitário, possibilitando intervenções mais rápidas e direcionadas. A integração entre os setores de vigilância em saúde e atenção básica favoreceu a ampliação do alcance das ações e o fortalecimento da rede de cuidado no território. A experiência também evidenciou potencial redução de fatores associados à transmissão de zoonoses, contribuindo para a melhoria das condições de saúde coletiva e para a redução da demanda por atendimentos relacionados a essas doenças no sistema público de saúde.
A experiência demonstrou que a implantação de um sistema integrado de vigilância de zoonoses, aliado ao uso de ferramentas acessíveis e à atuação territorial, constitui uma estratégia eficaz para o fortalecimento das ações de saúde pública. A organização dos dados epidemiológicos e a identificação de áreas prioritárias permitiram maior eficiência no direcionamento das intervenções, otimizando o uso de recursos disponíveis no SUS. A integração entre saúde animal e humana, baseada no conceito de Saúde Única, mostrou-se fundamental para o enfrentamento dos agravos relacionados às zoonoses, evidenciando o papel estratégico da atuação veterinária na vigilância em saúde. Além disso, as ações educativas desempenharam papel essencial na promoção da prevenção e na construção de uma consciência sanitária na população, contribuindo para a sustentabilidade das intervenções ao longo do tempo. O modelo apresenta alta aplicabilidade na rede pública, sendo de baixo custo, replicável e adaptável a diferentes realidades municipais, configurando-se como uma alternativa viável para o fortalecimento das políticas de vigilância em saúde.