Autor(a)
Keila Formiga de Castro
Coautor(es)
Francisco Elizaudo Brito Junior
Celida Juliana de Oliveira
APRESENTAÇÃO: Até 1500 CARACTERES A gestão da Atenção Primária à Saúde (APS) enfrenta desafios na garantia de um cuidado integral e eficaz, muitas vezes restrito ao modelo biomédico, que compromete a qualidade da atenção e fragiliza o vínculo entre profissionais e usuários. Estratégias inovadoras devem integrar fatores socioambientais, interdisciplinaridade e participação social, permitindo uma abordagem ampliada da saúde. A abordagem ecossistêmica surge como alternativa, unindo teoria e prática para analisar as relações entre ambiente, trabalho e saúde. Baseia-se na transdisciplinaridade, organização social e equidade de gênero, pilares que orientam ações resolutivas e adaptadas às necessidades locais. No caso da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), a APS deve considerar os fatores socioambientais que influenciam o adoecimento. Em 2017, o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva (PRMSC) da URCA em parceria com o município de Crato-CE adaptou a abordagem para vigilância em saúde, utilizando geoprocessamento para mapear vulnerabilidades e priorizar ações estratégicas. As tecnologias de geoprocessamento permitem a identificação de padrões espaciais dos processos de saúde-doença e suas conexões com o ambiente.
identificar, descrever e quantificar quais as condições/características pessoais, familiares, territoriais e ambientais influenciam na ocorrência da HAS no território
Relato de experiência em uma ESF da zona rural de Crato-CE, vinculada ao PRMSC da URCA, abrangendo 2.371 pessoas, das quais 401 são pessoas com HAS, público-alvo do estudo e suas respectivas famílias. O estudo ocorreu em três etapas: 1.Territorialização e georreferenciamento : Mapeamento dos determinantes socioambientais e vulnerabilidades da comunidade via SW Maps e Google Earth Pro®, com participação dos ACS. 2.Estratificação de vulnerabilidade : Aplicação de formulários baseados no e-SUS APS, adaptados e validados pelo PRMSC, considerando fatores socioeconômicos e clínicos das famílias. A escala de pontuação varia de 0 a 10: Sem vulnerabilidade (0) Baixa vulnerabilidade (1-3) Média vulnerabilidade (4-6) Alta vulnerabilidade (7-8) Altíssima vulnerabilidade (9-10). 3.Implementação da sala de situação : Criação de espaços com mapas, gráficos e indicadores de saúde para acesso comunitário e suporte à equipe de vigilância em saúde.
RESULTADOS: até 1500 CARACTERES Foram georreferenciadas 252 famílias com pelo menos um usuário com HAS, totalizando 318 indivíduos. A vulnerabilidade predominante foi média (51%), com maior prevalência da HAS em mulheres (63,5%). Entre as condições sanitárias, 94,5% das famílias utilizam fossa rudimentar, 39% consomem água clorada e 97% têm coleta de lixo semanal. Socioeconomicamente, 43% possuem renda entre 1,5 a 2 salários-mínimos, e 95% dos cuidadores têm escolaridade. As principais condições clínicas incluem 318 usuários com HAS, 89 com DM, 71 idosos acima de 80 anos e 30 com deficiência física. O território apresenta determinantes socioambientais relevantes, como grande número de bares, barreiras geográficas importantes, atividade agropecuária de base familiar. Área de degradação ambiental, causando injustiças ambientais, ausência de espaços coletivos para realização de práticas de atividades físicas, impactando a saúde da população. Também foi identificado diversos pontos de cultura de base comunitária, tecnologias socias, práticas agroecológicas. E a fragilidade da presença do Estado. A geoespacialização pode reverlar as determinações sociais e ambientais, como a ausência de espaços de lazer e a injustiça ambiental. O avanço desordenado da construção civil que impacta o acesso à água e aumenta a vulnerabilidade social.
Os modelos de gestão da APS enfrentam desafios e demandam avaliação contínua. A territorialização com geotecnologias e a estratificação de vulnerabilidade fortalecem a governança e vigilância em saúde, devendo ser ampliadas e aprimoradas. Este estudo destacou a abordagem ecossistêmica como estratégia robusta, permitindo uma análise ampliada da saúde além do ambiente. Também enfatizou o uso das geotecnologias, ferramenta essencial para apoiar decisões em nível local e global. A relevância da pesquisa está na valorização da população rural, demonstrando o potencial da informatização, geotecnologias e estratificação de vulnerabilidade familiar para aprimorar a gestão da vigilância em saúde. Essa inovação pode ser aplicada a outros agravos, promovendo avanços . A integração dessas ferramentas representa um marco na APS, com impacto positivo na qualidade de vida das comunidades.