Autor(a)
Mayara Gomes Silva
Coautor(es)
Antônia Ellen Ferreira Diógenes
Francisco Fernando da Silva Oliveira
A visita domiciliar constitui uma importante ferramenta utilizada pela Estratégia Saúde da Família (ESF), que visa promover saúde para os cidadãos que não conseguem por algum motivo ir até a Unidade Básica de Saúde (UBS), bem como investigar e avaliar as condições de saúde da população. Nesse contexto, o presente trabalho busca dissertar sobre duas experiências realizadas no âmbito das visitas domiciliares. A primeira delas abrange o Distrito Castanhão, comunidade que se localiza entre os municípios de Alto Santo – CE e Jaguaribara – CE, sendo realizada em novembro de 2023 pela cirurgiã-dentista Ellen Diógenes juntamente com sua equipe. Essa ação foi voltada para os pacientes acamados, diabéticos, hipertensos e portadores de câncer, uma vez que esse público está mais susceptível ao surgimento e agravamento de doenças orais, o que faz jus a importância de realizar esse tipo de ação pública, para poder promover educação em saúde bucal, orientações dos cuidados bucais, e avalição odontológica. A segunda experiência aqui relatada ocorreu na Fazenda Paraíso, comunidade do município de Alto Santo – CE, promovida pelo cirurgião-dentista Fernando Holanda e sua equipe, em janeiro de 2024. Essa visita teve como foco um paciente acamado, que faz parte do grupo de risco, evidenciando novamente a relevância das visitas periódicas do dentista a esse grupo, para que assim seja feito o rastreamento de possíveis alterações orais, bem como a sua intervenção de forma precoce e eficaz.
•Objetivo Geral: Orientar os pacientes sobre os cuidados com a saúde oral e promoção em saúde bucal. •Objetivos Específicos: Elucidar a educação em saúde bucal, realizar avaliação das condições orais e rastreamento de possíveis alterações e doenças da cavidade oral.
Para realização de ambas as visitas, foi preciso a comunicação direta da equipe de saúde bucal com os agentes comunitários de saúde, para que fosse exposto o projeto dessa ação comunitária. Ainda, esses agentes comunitários entraram em contato direto com os cidadãos para assim ser possível fazer o agendamento do dia e horário das visitas. Também, fez-se necessário a utilização de alguns insumos e materiais odontológicos para poder desenvolver as atividades, sendo eles: curetas periodontais, afastador para língua e mucosa oral (palitinhos de madeira), gaze, flúor, espelho clínico, como também os equipamentos de proteção individual (EPI’s): máscara, gorro/touca, e luvas de látex para procedimentos. Como roteiro de atividade, teve-se como conduta inicial o acolhimento do paciente, seguido de uma conversa com troca de informações, onde que essa etapa tem grande significância nesse processo, já que é nela onde se conhece o paciente em questão. Em seguida, era promovido o rastreamento e avaliação oral com o objetivo de verificar a presença ou ausência de alguma alteração em cavidade oral, e por fim, era realizada a educação em saúde bucal juntamente com as instruções de cuidados que deveriam ser feitos, e a promoção de saúde.
Como principais resultados foi possível notar que, a população alvo dessa experiência possui uma considerável ausência dentária, como também alguns dos cidadãos são desdentados de forma total, o que reforça condições orais precárias do passado, resultando na necessidade de exodontias dentárias, e posteriormente a confecção de próteses, sejam elas próteses parciais removíveis (PPR) ou próteses totais (PT). Também, nos pacientes portadores de câncer, foi notado a necessidade de instrução de limpeza das regiões com presença de úlceras, além dos incentivos de cuidados com a sua saúde oral. Ainda, foi observado a resistência de alguns pacientes para a realização de tratamento odontológico, o que justifica a relevância da educação em saúde bucal nesses casos, com o intuito de educar o paciente sobre a sua real situação, dos riscos que sofrem e das possíveis consequências que ainda pode se ter. Por fim, em contraposição, foi relatado por um dos familiares dos pacientes o seu interesse em cuidar da saúde bucal após a visita feita, demonstrando a relevância desse acessório na promoção de saúde pública e prevenção de doenças da população, garantindo assim um meio de levar saúde a esses pacientes.
Diante de tudo que foi exposto, fica evidente a grande importância da realização de visitas domiciliares por parte da equipe de saúde bucal, afinal, trata-se de um meio de oferecer saúde para além do consultório odontológico. Como ficou esclarecido nas experiências relatadas anteriormente, foi justamente através dessas visitas que foi possível averiguar a situação que se encontrava a população em questão, e também foi uma forma que esses cidadãos tiveram acesso a informações, tiraram dúvidas, receberam orientações de cuidados gerais que devem ter com sua cavidade oral e com suas próteses, e também foram alertados sobre as alterações odontológicas presentes e seus riscos na sua saúde. Em suma, a visita domiciliar constitui uma técnica de assegurar melhor qualidade de vida e bem-estar para aqueles que são comtemplados por ela.